Confúcio, um pensador político: Confúcio foi um pensador chinês que viveu entre 552 e 479 a.C. Um questão central nas ideias de Confúcio é que a harmonia no convívio entre as pessoas depende da integridade moral e ética de cada indivíduo. Uma sociedade sem cidadãos íntegros, enquanto comportamento ético, estaria propensa ao caos e à ruína.
Ao focar sua atenção na formação de pessoas íntegras e na construção de uma sociedade coesa e harmônica, Confúcio se tornou um pensador político.
Ele defendia que os governantes deveriam ser escolhidos não pela linhagem familiar, mas por seus méritos e competências. Atribui como responsabilidade do governo garantir meios para uma educação moral e condições de trabalho para aquisição de bens materiais. Com educação adequada e progresso financeiro, as pessoas se formariam íntegras, éticas.
O conselho para os governantes era que eles deveriam tratar as pessoas tendo como medida o comportamento moral natural. Basicamente isso significa tratar os outros como gostamos de ser tratados.
Em sua época Confúcio foi professor e ocupou o cargo de ministro da justiça. Seus alunos registraram os ensinamentos em um texto intitulado “Os Analectos”.
Acredite no Backup: O cenário é sempre semelhante, expressões fúnebres e a certeza do prejuízo ocasionado pela perda de dados fundamentais ao funcionamento logístico e administrativo da empresa.
Durante o tempo que trabalhei na pesquisa sobre recuperação de dados era comum algumas empresas aparecerem na faculdade pedindo ajuda para tentar evitar uma crise tecnológica em andamento.
Lembro de uma ocorrência onde a folha de pagamento de uma grande empresa foi corrompida, devido uma falha de hardware, e o gerente por descuido não efetuou o backup. Sem a contabilização das horas e o sistema de gerenciamento da folha de pagamento dos mais de 15000 funcionários comprometida pela ausência dos dados perdidos, faltando uma semana para os pagamentos. A expressão de pânico de alguns funcionários era de dar pena, principalmente na hora de informar que a recuperação não era possível.
Em outro evento um senhor muito preocupado buscou informações sobre a possibilidade de encontrar meios para recuperar todos os processos que seu escritório de direito tinha perdido devido uma invasão no servidor onde o hacker fez sumir os documentos. Para sorte do escritório e felicidade deste senhor, os documentos ainda estavam no Disco Rígido.
No período em que trabalhei com estudos sobre recuperação de dados, o número de problemas que surgiam foi impressionante. O que mais surpreendia era o fato das perdas serem na maioria dos casos consequência de pouca atenção no uso de ferramentas de backup.
Em alguns casos ocorreram demissões da equipe técnica e os prejuízos foram inevitáveis, em outros, a sorte favoreceu.
Negligenciar com a política de gestão de dados pode ser algo bastante problemático com consequências desagradáveis. Em geral se espera aparecer o problema para correr atrás da solução.
O Heitor Farias, autor do livro Bacula, tem feito militância no sentido de mostrar a importância de um comportamento preventivo como meio de se evitar uma crise tecnológica, indicando como solução o software livre.
Se você possui dados importantes, não esqueça de dar uma olhadinha em como está seu sistema de backup e sua política de gestão de dados. Prevenir ainda é melhor que correr atrás do prejuízo.
Tecnologia do andador para bebês em 1950: Usar de algum aparato tecnológico para ajudar as crianças não é algo apenas dos dias de hoje. Em 1950 era comum no EUA o uso de andador para bebês confeccionados com varetas que lembravam uma saia feminina. Tanto na época como nos dias atuais, esta tecnologia é motivo de polêmica.
Muitas pessoas acreditam nos benefícios, enquanto outras são totalmente contra. Alguns estudiosos falam de problemas físicos, enquanto outros alertam para possíveis acidentes domésticos e atraso no aprendizado. Na perspectiva dos especialistas, manter o bebê num mecanismo de ajuda para andar pode causar algum tipo de problema psicomotor.
Que o equipamento pode ser um alívio para os pais, ninguém duvida. Principalmente para quem tem de cuidar do bebê e ainda arrumar a casa ou fazer outras atividades ao mesmo tempo. No entanto, é importante observar que é justamente aí que está o problema. Ao descuidar um segundo da criança o equipamento pode ser precursor de acidentes domésticos.
Outra questão é o tempo de permanência do bebê no equipamento. Algumas horas já é suficiente para comprometer o desenvolvimento da criança, segundo alguns especialistas. As instituições responsáveis por estudar o assunto não são favoráveis ao uso por acreditarem que o andador para bebê prejudica em vários sentidos.
Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) o uso deste equipamento provoca uma série de prejuízos nos bebês, mesmo nos dias atuais. Entre os problemas estão o retardo no desenvolvimento psicomotor e acidentes domésticos causados pelos andadores. Em alguns municípios brasileiros, as creches foram proibidas de usar este equipamento.
?height=160&width=320&h=160&w=320&auto=compress
Abdução em Peirce: O termo Abdução foi cunhado pelo filósofo Aristóteles (384-322 a.C.) para demarcar um tipo de raciocínio onde a conclusão é apenas provável, mas foi Peirce (1980) quem refinou e adaptou o termo para descrever um método de escolha que buscasse privilegiar a explicação mais provável, sendo empregado em filosofia como uma ferramenta de delimitação na construção da argumentação, onde o propósito é sugerir uma melhor escolha ou possibilidade. O foco central da Abdução proposta por Peirce (1980) é fomentar a construção de um raciocínio estratégico que na medida do possível seja capaz de atender de forma clara, simples e eficiente, a manifestação de uma possibilidade.
Peirce (1980) iniciou a corrente de pensamento filosófica conhecida como pragmatismo, tendo como ponto de partida seu ensaio “como tornar claras nossas ideias” publicado em 1878. O termo Pragmatismo foi definido na ocasião como concepção segundo a qual as coisas são aquilo que elas podem realizar, enfatizando a ligação entre pensamento e ação, onde o significado de algo é conseguido através da possibilidade de suas consequências práticas.
Para identificar tais consequências práticas, entendendo estas como a relação entre pensamento e ação, Peirce (1980, p. 46) diferencia seu método de Abdução observando que na busca pelo conhecimento, “Dedução prova que algo deve ser; Indução mostra que algo é atualmente operatório; Abdução faz uma mera sugestão de que algo pode ser”. Essa afirmação permite sugerir que Abdução, Indução e Dedução podem atuar como estágios interconectados na construção de um raciocínio.
O Pragmatismo de Peirce (1980) e o método de Abdução se entrelaçam de tal forma que dificilmente podem ser dissociados. “Examinando bem, vê-se que o problema do pragmatismo é o problema da lógica da Abdução” (p. 113), onde o pressuposto central admite que a ideia de significado necessariamente envolve uma referência, a intenção.
A questão central do pragmatismo e da lógica da abdução consiste em responder, de forma lógica, e não psicológica, a pergunta: “Qual é a prova de que os efeitos práticos de um conceito constituem a soma total do conceito?”
Colocar em termos lógicos perspectivas sobre a forma de organização do raciocínio proporciona meios para testar artificialmente uma dada forma de estrutura do pensamento, em especial no âmbito da ciência da computação, através das simulações e experiências em Inteligência Artificial – I.A. Sob esse aspecto, Peirce (1980) ofereceu contribuições para implementação e estudo de algoritmos computacionais que produzem certas formas de raciocínio, também empregados em pesquisas no campo da informática em educação, onde o modelo lógico da Abdução é uma das lógicas aplicadas em agentes tutores artificiais, que buscam optar por uma melhor escolha frente às múltiplas possibilidades.
A pretensão em sugerir qual pode ser a melhor escolha para um dado evento não é isenta de dificuldades, uma vez que o termo “melhor” assume um caráter relativo e dependente das regras, intenções e percepções que o constitui. Podendo ser entendido como melhor perspectiva frente às múltiplas possibilidades aquela estratégia de raciocínio que atende a um dado conjunto de critérios em sintonia com um objetivo ou intencionalidade.
Dennett (2006) tenta esclarecer o uso de uma estratégia de raciocínio sugerindo que se imagine uma pessoa jogando xadrez contra um computador e salienta que uma estratégia para se ganhar da máquina, ao observar sua forma de agir, é admitir, mesmo que não seja realidade, o fato da máquina intencionar vencer o jogo. Tal estratégia pode se mostrar uma melhor escolha na medida em que é possível prever, ainda que por simulação, as reações da máquina, antecipando sua jogada. Explica Dennett (2006, p. 37):
Vê-se o computador como um sistema intencional. Prediz-se o comportamento, neste caso, atribuindo ao sistema a posse de determinada informação, e pressupondo que ele é regido por determinados objetivos, e então elaborando a ação mais razoável e apropriada com base nessas atribuições e pressuposições.
Na Abdução, os critérios que delimitam a busca no intuito de definir uma melhor escolha sobre algo que pode se dar a partir de suas ações e consequências, perpassam por regras como, simplicidade, testabilidade, coerência e abrangência.
O critério de testabilidade ou previsibilidade assume como pressuposto, que a melhor explicação consiste naquela cuja previsão possa ser confirmada ou desmentida. Já o critério de abrangência sugere que, na medida do possível, deve ser escolhida a possibilidade que explique o máximo de coisas. Peirce (1980) acreditava que não era possível a prática preditiva ou a testabilidade sem a admissão, mesmo que estratégica, de alguns universais, como as leis da física, tendências do comportamento racional, regras de inferência lógica, entre outros.
No critério de simplicidade a ideia é adotar como escolha a explicação que exige menor número de sequências causais, no intuito de especular o mínimo possível as questões que estão para além das evidências e, no critério de coerência, a proposta é considerar primeiro as explicações já conhecidas, antes de eleger explicações pouco convencionais.
O primeiro robô bom de papo: Eliza, desenvolvido por Joseph Weizenbaum em 1966 e apelidado por alguns de “terapeuta” foi o primeiro chatterbot bem sucedido, tornando-se o marco inicial no desenvolvimento dos simuladores de diálogos.
Na ocasião o chatterbot Eliza impressionou devido ao fato das pessoas que conversaram com o robô saírem do diálogo convencidas que este era capaz de compreender. Este efeito que o software Eliza produziu nas pessoas surpreendeu os pesquisadores da época, motivando uma série de estudos.
O software Eliza foi desenvolvido tendo como pano de fundo a psicanálise com base nas teorias do psicólogo Carl Rogers, onde o terapeuta deve acolher o mundo particular do cliente assumindo como se fosse o seu próprio mundo. Esta conexão ou acolhimento estimula no paciente um caminho para reorganização da compreensão. Consiste basicamente em um ato de escuta e estimulo ao diálogo por parte do terapeuta, sem que este assuma um juízo ou tente explicar as ações do paciente.
Este procedimento foi conseguido com o software Eliza através do processo de introspecção, onde o interlocutor ao se comunicar com o aplicativo era encorajado a escrever mais sobre o assunto abordado. Ao colocar o interlocutor no centro do diálogo, Eliza pôde assumir um papel secundário onde sua função se restringia em estimular o usuário em responder suas próprias questões.
Através de um conjunto reduzido de expressões em aproximadamente 204 linhas, Eliza conseguia estimular uma investigação sobre o assunto abordado, veja um exemplo abaixo:
Usuário: Os homens são todos iguais.
Eliza: De que maneira?
Usuário: Eles estão sempre incomodando-nos sobre uma coisa ou outra.
Eliza: Você consegue pensar em um exemplo específico?
Usuário: Bem, meu namorado me fez vir aqui.
Eliza: Fico pesaroso pelo fato de você estar triste.
Usuário: É verdade. Eu sou infeliz.
Eliza: Isso tem algo a ver com o fato de seu namorado te fazer vir aqui?
Na construção do diálogo acima o chatterbot Eliza devolve ao interlocutor as questões colocadas dando a sensação de compreensão, embora a ferramenta seja incapaz de contextualizar sentenças.
Para cada expressão do usuário Eliza efetuava uma busca seqüencial por grupos de palavras estratégicas em uma tabela. A saída então era montada tendo como resposta um roteiro previamente inserido em cada grupo das palavras-chave.
O método de funcionamento do Eliza foi inspiração para surgimento dos sistemas populares de chatterbots baseados em AIML e também para organização e lançamento da fundação A.L.I.C.E.
O surgimento das primeiras cidades: O surgimento das primeiras cidades do mundo está ligado ao fato da natureza humana ser social. É muito difícil para um humano sobreviver sem participar de alguma tribo, pequeno grupo. Achados arqueológicos demonstram isso. Desde o início do surgimento do homem ele sempre fez parte de algum grupo.
Indícios sugerem que iniciamos nossa existência na terra coletando alimentos da natureza. Em uma dieta vegetariana. Muito tempo depois, em algum momento no passado começamos a caçar. Adicionando na dieta a carne de alguns animais.
Nesse período de coleta de alimentos e caça, éramos nômades, vivendo em pequenos grupos. Acredita-se que esses grupos em algum momento passaram a trocar objetos entre si, gerando um tipo de comércio baseado em trocas.
Existem diversos motivos para se deixar a vida nômade e pensar numa maneira de se estabelecer em algum lugar. Um dos problemas é o número de pessoas em uma tribo. A tendência é que cresça o número de pessoas e quanto maior um grupo, mais difícil se locomover. Outra dificuldade é conseguir um local com alimento suficiente para coletar e atender todos do grupo, se ele crescer.
Ao certo ninguém sabe quando os humanos passaram de nômades para grupos assentados. O que sabemos é baseado nos materiais encontrados em escavações. Esses materiais dão pistas de como viviam as pessoas daquela época. Bem como a quantidade média de pessoas em um dado grupo.
Com base nas evidências encontradas, os humanos iniciaram as primeiras cidades mais ou menos 3500 anos antes de Cristo. Para que pudessem se assentar é necessário garantir o alimento. Para praticar agricultura era preciso estar perto de boas fontes de água potável. Toda plantação exige água para poder crescer. E não pode ser água salgada.
Por isso que o surgimento das primeiras cidades, que eram agrícolas, ocorreu no entorno de algum rio ou lago. Esse foi o caso do rio Nilo no Egito. E também dos rios Tigre e Eufrates que estão no entorno da mesopotâmia, região onde fica o Iraque e seus vizinhos.
Na medida em que os humanos deixaram de ser nômades e passaram a plantar, surgiu uma série de necessidades tecnológicas e de convivência. Entre elas, ter a posse do lugar e cuidar para não ser invadido, destruído e saqueado. Com muitas pessoas convivendo juntas em um mesmo território, surgiu também a necessidade de organização. Tanto da logística, ruas, endereços, etc. Como das regras de convivência, normas e leis.
É consenso entre os estudiosos que as cidades surgem motivadas inicialmente pela agricultura e depois pelo comércio. Com a necessidade de plantar surge também a necessidade de criar ferramentas e organizar os grandes grupos. Surgindo assim, as primeiras cidades, com suas regras e tarefas distribuídas. Junto com o surgimento das cidades, tem início o comércio.
Na medida em que as cidades vão crescendo e o número de pessoas vai ficando muito grande. A complexidade para organizar as coisas se multiplica igualmente, até chegarmos nas cidades de hoje. E suas profissões, jornadas de trabalho, economia, policiamento, justiça, modelo político, etc.
Tecnologia mudou o padrão do sono: Segundo o pesquisador Koslofsky, a forma como administramos nosso sono vem mudando com o avanço tecnológico e aumentando níveis de estresse e outros problemas. Ao que parece estamos mudando nosso padrão do sono.
Registros do século XV e XVI possuem referências que apontam para um primeiro e segundo sono como padrão de normalidade. Para as pessoas daquela época o sono se dividia em duas etapas com algum intervalo acordado entre os períodos. Algo diferente das 8 horas consecutivas praticadas atualmente.
Despertar na madrugada e ficar um tempo acordado antes de adormecer pela segunda vez, era um estado de meditação tranquilizador. Na época, um tempinho para pensar na vida e voltar-se para si. Registros apontaram mudanças no padrão do sono para 8 horas consecutivas quando a eletricidade passou a fazer parte do cotidiano.
Depois das luzes, tivemos maior atividade noturna e o avanço industrial gerou o conceito de tempo ocioso como algo negativo. Ficar acordado por um breve período no meio da noite foi aos poucos deixando de ser um momento para si. Tornando-se desperdício de tempo e motivo de preocupações.
A influência tecnológica no comportamento humano proporcionou uma variada gama de profundas mudanças na forma de pensar e agir. Incluindo nossa relação com a natureza e alterações no nosso padrão do sono.
A primeira Universidade: Universidade é um local onde se reúnem várias pessoas no intuito de estudar. Essa ideia de reunir pessoas em um local específico para estudar de forma organizada e sistemática teve início em 388 a.C. Foi em Atenas que Platão, um filósofo grego, fundou o que pode ser considerado como a primeira universidade da Europa antiga.
Foi chamada de academia por ser um local próximo do santuário de um herói grego chamado Academus. Na primeira academia ou universidade, as pessoas se reuniam para estudar disciplinas de matemática, astronomia, física, ciências naturais e filosofia.
O principal objetivo dos acadêmicos era encontrar respostas sobre o funcionamento do mundo e da natureza humana. Contrariando a concepção tradicional da época onde toda explicação sobre o mundo era concebida com mitologias e desejo dos deuses, alguns acadêmicos defendem que os fenômenos eram sistêmicos e naturais.
Ao se distanciar da ideia de um mundo organizado e gerenciado por deuses, os primeiros universitários buscaram explicações alternativas desvendando regras da natureza. Tendo como ponto de partida a observação dos fenômenos físicos e interações sociais.
Nessa época os estudos não eram em salas de aula. As pessoas se reuniram para debater sobre as coisas, trocar percepções e conhecimentos, em um ambiente menos formal. O método de estudo como conhecemos hoje, com universidades divididas por departamentos, cursos e salas de aula, surgiu no ano de 859 com a universidade de Karueein no Marrocos.
No Brasil em 1808 foi inaugurada na Bahia a primeira faculdade, com o curso de medicina. A primeira universidade brasileira foi a UFPR, Universidade Federal do Paraná, em 1912.
A diferença entre faculdade e universidade é que na universidade existe uma variada quantidade de áreas de estudo e pesquisa. Já na faculdade os estudos são em uma só área de conhecimento, como é o caso da faculdade de medicina, faculdade de direito, etc. Em outras palavras, dentro de uma universidade existem diversas faculdades ou áreas do conhecimento.
Descartes e o conhecimento, do medieval ao moderno: René Descartes foi um filósofo que viveu no período medieval. O período entendido como medieval se caracterizou pela percepção de mundo enquanto determinado e organizado por Deus, cabendo aos religiosos, portadores da interpretação da vontade divina, o critério de demarcação sobre o que era conhecimento válido. Neste período a organização social, política e cultural ocorria sob orientação e convicção da fé, tendo como cultura predominante o cristianismo.
O cristianismo se consolidou com grande influência da filosofia grega, no entanto, a perspectiva cristã assume uma interpretação diferente da cultura grega e introduz uma ruptura entre o homem, considerado pecador, e Deus, entendido como perfeição, criador e governante do mundo.
Enquanto para os gregos o mundo e os deuses estavam em harmonia sob uma percepção de natureza em eterno retorno - movimento circular – sem uma perspectiva de ilusão ou erro, os cristãos entendiam o mundo pela perspectiva linear, com início, meio e fim, em uma natureza criada e controlada por Deus, mas separada deste. O homem era entendido como pecador, dividido e constituído por corpo e alma, matéria e espírito, sujeito a erros e ilusões devido sua natureza pecadora e dividida, entre fé e razão.
Esta perspectiva cristã trouxe para filosofia uma série de questionamentos, entre eles a pergunta sobre como, em tais condições, era possível conhecer a verdade. Como o homem finito pode conhecer a verdade infinita ou evitar as ilusões e os erros?
Na época medieval a resposta vigente consistia em afirmar que através da fé o homem iluminava seu intelecto e auxiliado por Deus percebia a verdade revelada.
A filosofia moderna teve seu início quando filósofos contestaram a forma medieval de conceber a verdade, e postaram no centro da discussão a questão do conhecimento.
Se a questão central da filosofia medieval consistia na fé e nas obras de Deus, na filosofia moderna a questão central passou para o problema do conhecimento.
Esta passagem do pensamento medieval para o moderno se dá em um processo de desmoronamento sistemático das verdades medievais, onde as concepções até então vigentes foram gradativamente perdendo sua legitimidade.
Um dos filósofos que se destacou neste período foi René Descartes, o autor percebeu que, embora a pluralidade das vozes não seja prova válida para as verdades mais difíceis, os costumes e os exemplos influenciam muito mais que qualquer conhecimento correto. Neste contexto, Descartes aponta para a importância da autonomia da razão como condição de possibilidade para o conhecimento e questiona o pensamento determinista do senso comum de sua época. Se para os medievais, Deus determinava os acontecimentos e a organização da natureza conforme sua vontade, para Descartes, a natureza era constituída por Deus através de uma organização de causalidade e colocada à disposição do homem, que no exercício livre da razão, podia conhecer as coisas exteriores através das idéias e conceitos formulados pelo sujeito pensante.
Em seu método, Descartes privilegia a matemática como mediadora da razão, devendo esta servir de modelo para aquisição de conhecimento em todos os campos, ele afirma que a chave para compreensão do universo se encontra na estrutura matemática.
O método de Descartes prevê que a influência histórica da tradição e o ato do pensamento precipitado devem ser evitados e os problemas abordados devem ser decomposto através do pensamento ordenado e gradual, avançando do mais simples para o mais complexo e assumindo a responsabilidade de uma revisão criteriosa buscando nada omitir. Focado na matemática, Descarte inaugura o pensamento que calcula, este privilegia a técnica e a percepção através da mecanização em uma relação de causa e efeito, demonstrando que a verdade pode ser alcançada através do sujeito do conhecimento.
Podemos entender a filosofia moderna como sendo o período onde surge o sujeito do conhecimento, indagando sobre sua capacidade de conhecer e predominando a idéia da conquista científica e da técnica baseada na explicação mecânica e matemática do universo.
De acordo com o texto de Marilena Chauí o problema do conhecimento que a filosofia moderna precisa resolver está na relação entre sujeito e objeto, entre o entendimento e a realidade, tendo como precursores os filósofos, Bacon, Descartes e Locke.
Além de Descarte que defendia o racionalismo, encontramos em Locke, com sua proposta de analisar as formas de conhecimentos existentes e apontando para os diversos graus de conhecimentos que, partindo das sensações até chegar às idéias constituíam a percepção empirista de conhecimento. Descartes de uma vertente racionalista e Locke do empirismo, defendiam perspectivas diferentes sobre o conhecimento, no entanto, ambos marcam o início da filosofia moderna, tendo como parte central de suas reflexões a indagação sobre a capacidade de conhecer e como se dá a verdade.
Francis Bacon de corrente empirista, exaltando a ciência como benéfica ao homem ocupou-se especialmente sobre o problema do conhecimento e do empirismo, sua principal obra está sob o título Novum Organum. Descartes assume como critério para responder sobre o problema do conhecimento, a dúvida metódica, através da qual escreverá sua obra, Discurso do método. John Locke é protagonista da teoria da Tabula Rasa que consiste na afirmação de que todas as pessoas nascem sem saber absolutamente nada e adquirem conhecimento através da experiência empírica.
A grande contribuição da filosofia moderna consiste na inauguração da teoria do conhecimento onde o sujeito pensante coloca-se como objeto de conhecimento para si mesmo, pensando sobre o que é pensado, buscando responder como e o que podemos realmente conhecer.
A convicção racionalista vai orientar também a idéia pela qual a razão é considerada capaz de definir e manter o melhor regime político de uma sociedade, entre os filósofos modernos que defendem esta posição destaca-se, John Locke sendo o primeiro a tratar de uma constituição como poder, onde as leis ficam acima de todos, promovendo direitos iguais. Thomas Hobbes em sua obra, Leviatã e Nicolau Maquiavel com o livro, O Príncipe.
Hobbes foi pioneiro na legitimação do poder sem passar pelas questões divinas, ele entendia que o homem recebe estímulos externos e pressionado por estes age pela necessidade e não pela liberdade. Neste sentido, a racionalidade é adquirida no esforço impulsionado pela necessidade que através da própria razão sugere leis naturais como a moral. A razão tem o propósito de evolução do conhecimento e não a descoberta da verdade.
Na obra Leviatã, Hobbes trata da natureza humana e da necessidade de governos e sociedades. Demonstra que cada um de nós tem o direito a tudo, e uma vez que todas as coisas são escassas, existe uma constante guerra de todos contra todos, no entanto, os homens motivados pelo medo, possuem um interesse próprio de acabar com a guerra, e por isso formam sociedades dispostas a respeitar um contrato social.
Thomas Hobbes defendia a idéia segundo a qual os homens só podem viver em paz se concordarem em submeter-se a um poder absoluto e centralizado, onde um soberano possa assegurar a paz interna e a defesa comum. Este soberano deveria ser o Leviatã, uma autoridade inquestionável.
Maquiavel na obra, O Príncipe, fundamenta sua teoria organizada e pautada na história, seguindo o furor científico de sua época, defende uma nova forma de fazer política onde o fim justifica os meios, adota uma teoria utilitarista abordando a realidade enquanto tal. O autor salienta a divisão entre dois tipos de hierarquia dominante, a república e o principado, e inicia descrevendo os tipos de principados (hereditário e misto) e suas características avançando no texto para sugestões em como preservar e manter o regime de principado.
Para Maquiavel nosso destino é decidido metade pela sorte e metade pelo livre-arbítrio, ele alerta que confiar somente na própria sorte facilmente acarreta em ruína, devendo o governante se basear na ciência e não na moral ou na ética.
A passagem da filosofia medieval para moderna ocorre de forma tumultuada e marcada pela crise religiosa, política e intelectual, legitimando uma fundamentação antropocêntrica e uma postura cética. Em um ambiente de incertezas e grande produção intelectual, a verdade e o pensamento deixam de ser descritivo e interpretativo e passam a ser de causalidade – causa e efeito – ordem lógica matemática, instituindo-se uma ciência da natureza.
É no período da filosofia moderna que começa a se formar uma definição de ciência e filosofia, onde antes existia apenas a definição de sábios, agora se aponta para o surgimento de filósofos e cientistas que, dividindo, organizando e categorizando as formas de conhecimentos, promoverão diversas ciências e a filosofia encontrará seu lugar.
Uma importante contribuição para a ciência ocorre em Descartes quando este demonstra o conhecimento da natureza a partir de um método matemático, considerado uma das figuras-chave na revolução científica. Entre suas contribuições está sua sugestão para fusão da álgebra com a geometria, fato que ocasionou o surgimento da geometria analítica e o sistema de coordenadas que hoje leva o seu nome. Outra contribuição de grande importância pode ser encontrada em sua tentativa de estabelecer um método universal inspirado no rigor matemático que privilegie o conhecimento científico.
O problema inicial em Descartes, assim como na filosofia moderna, consiste em diferenciar o verdadeiro do falso e para conseguir tal tarefa que se dá na relação sujeito-objeto. Descartes estabelece uma diferença entre substância pensante e substância extensa, onde extensão significa “ser cheio de matéria”. Para Descartes toda matéria possui extensão e movimento, sendo que a razão concebe a extensão pelo método geométrico. Partindo deste raciocínio o universo será considerado um mecanismo criado por Deus, que disponível ao homem, pode ser reduzido ao cálculo.
O universo, afirma Descartes, é um relógio cuja precisão se explica pelo movimento das partes extensas e através da matemática torna-se possível à medição, quantificação. O conhecimento mediado pela matemática permite que nos tornemos “mestres e possuidores da natureza”.
Se a matemática é aplicável à totalidade do real, então o universo possui regras ou leis como aquelas encontradas na própria matemática. Neste contexto, Descartes aponta para algumas destas leis, onde a primeira lei consiste no fato de todas as coisas, que compõem a realidade exterior do pensamento, enquanto simples e indivisas preservam-se sempre no mesmo estado e não se alteram, não mudam a não ser que uma causa externa os ponha em movimento. A segunda lei anuncia que todas as coisas tendem a movimentar-se em linha reta. E a terceira lei, conhecida como a lei ou o princípio da conservação do movimento, diz que no choque de dois corpos entre si, o movimento não se perde, mantendo-se a sua quantidade constante.
É na interpretação dessas leis que Descartes deduz toda estrutura do universo e o fato de ser possível reduzir a natureza em um conjunto de regras ou leis de caráter matemático.
Para Descartes a ordem atual do mundo se formou a partir do caos onde a matéria primitiva que era composta de partículas iguais em grandeza e em movimento, que se moviam em torno do próprio centro e em relação com as outras partículas, formando turbilhões que de modos vários e entre si se compõe, deu origem ao sistema e depois à terra. Este universo máquina transfere suas características aos seus componentes, sendo um mecanismo que contempla não só o universo, mas também tudo que nele está contido: Homens, Plantas e Animais.
Ao aplicar uma perspectiva matemática na interpretação da natureza, Descartes refaz os fundamentos da ciência, e, ao assumir como princípio a dúvida radical e o método analítico, o autor inaugura o conceito de análise. Estas são algumas das contribuições deixadas por Descartes, no que hoje, entendemos como produção e conhecimento científico.
O surgimento das máquinas inteligentes: Na prática, o movimento em direção ao surgimento de máquinas pensantes ganhou força quando Pascal 1623-1662 inventou a primeira máquina de calcular e Leibniz 1646-1716 defendeu a possibilidade das máquinas serem capazes de deduzir.
Leibniz entendia que o pensamento humano dotado de estrutura lógica poderia ser reproduzido por uma máquina capaz de executar operações lógicas. A máquina de calcular de Pascal foi considerada por Leibniz e outros pensadores como uma prova da possibilidade da criação de máquinas pensantes e serviu de estímulo para diversos estudos sobre o tema.
Entre os vários pesquisadores se destaca George Boole 1815-1864, matemático e filósofo britânico que desenvolveu a Álgebra Booleana, permitindo um salto evolucionário no desenvolvimento dos computadores e da inteligência artificial.
A lógica booleana consegue trabalhar com operadores de decisão como o E, OU e NÃO. Estas operações são executadas nos circuitos digitais e podem ser representadas de forma binária através dos sinais zero e um.
Existem diversos pesquisadores igualmente importantes no desenvolvimento da computação e inteligência artificial. É uma lista extensa de colaboradores, Frege, Russel, Wittgenstein, Quine, Carnap, Tarski, Turing, entre vários outros.
A pergunta sobre a possibilidade das máquinas pensarem é encarada de diversas formas ainda hoje. Para alguns, a resposta consiste em um forte não, uma vez que o pensar humano é entendido como algo que está além dos processos de operações lógicas, é um misto de emoções e percepções. Para outros, a resposta é positiva e o argumento se mantém na convicção do raciocínio ser um processo lógico cognitivo.
McCulloch e o matemático Pitts, propuseram em 1943 um modelo matemático para o neurônio, ainda em 1943 o pesquisador Hebb descobriu a plasticidade das sinapses e fundamentou uma explicação para o aprendizado do cérebro.
Tais descobertas motivaram o surgimento de modelos computacionais capazes de certas decisões e foi em 1956 que se usou pela primeira vez o termo “Inteligência Artificial” para denominar máquinas inteligentes.
Independente do tipo de convicção, alguns avanços ocorreram e já é possível distinguir duas formas distintas de inteligência artificial.
A primeira se refere ao fato de computadores conseguirem efetuar decisões em assuntos específicos e “aprender” com certos eventos. Aqui encontramos as redes neurais, algoritmos genéticos, entre outros.
A segunda forma de inteligência artificial é baseada na simulação do comportamento humano, onde uma máquina programada corretamente consegue imitar uma ou mais características dos seres vivos.
Do inicio dos estudos sobre inteligência artificial até os dias de hoje é possível identificar um mínimo de três períodos evolutivos.
Clássico (1956-1970) Tinha como objetivo simular a inteligência humana através de aplicação lógica.
Romântico (1970-1980) Concentrou em simular a inteligência humana em situações pré-determinadas através da representação de conhecimento adaptado ao tipo de problema.
Moderno (1980-1990) Buscou simular o comportamento de um especialista humano para resolver problemas em um domínio específico, aplicando sistemas de regras em modelos computacionais contextualizados.
Atualmente a maioria dos pesquisadores em inteligência artificial se concentra na produção de ferramentas especializadas em resolver ocorrências distintas para atender a demanda de mercado. A ideia de criar uma máquina com toda a complexidade encontrada no cérebro humano foi aos poucos substituída pela perspectiva de uma ferramenta capaz de executar tarefas específicas.
Quem lucra com o medo coletivo? Muita gente lucrou com o fim do mundo, tipo o que ocorreu no ano de 2012. Seitas apocalípticas ganharam fôlego, novos adeptos e ótimas doações, o cinema faturou muito com o tema e as televisões ganharam audiência quando abordaram o assunto. Em uma época em que conseguir chamar a atenção pode ser decisivo para os negócios, o tema “fim do mundo” esteve presente durante todo o ano de 2012 sendo um dos assunto mais abordados.
No entanto, o lucro de alguns pode resultar em sofrimento para outros. Algumas famílias doaram suas casas e todos os pertences para adquirirem o direito de ficarem nos templos rezando pela salvação enquanto aguardavam pelo fim do mundo. Empresas especializadas incentivaram o medo como estratégia de marketing para vender equipamentos de sobrevivência e a construção de abrigos subterrâneos. Pessoas pediram demissão de seus empregos para esperar em casa com seus familiares o fatídico dia final. Crianças apresentaram algumas consequências psicológicas devido a grande exposição do tema, alguns pais questionam se devem ou não matar seus filhos para evitar o sofrimento deles frente a iminente catástrofe que fora anunciada naquele ano de 2012.
É interessante observar como um tema que já foi abordado inúmeras vezes por séculos ainda pode ser tão lucrativo e persuasivo. Também pode ser interessante registrar que na impossibilidade do mundo acabar na data prevista, geralmente esta é transferida e novos investimentos se farão necessários por parte daqueles que acreditam no assunto. Mantendo o mercado apocalíptico lucrativo por mais algum tempo. Certamente, um dia o mundo acaba.
Enquanto isso não ocorre, espalhar o medo e gerar insegurança de diversas formas torna-se algo muito lucrativo para várias instituições. Incluindo, ao que parece, nossa imprensa.
Segundo Barry Glassner, autor do livro “Cultura do Medo”. O crime parece ser maior do que realmente é. Enquanto ele cai nas estatísticas em 20 por cento, as notícias sobre a violência aumentam 600 por cento. Para esse autor, os números da criminalidade, as drogas e a gravidez precoce deveriam assustar menos do que a poluição e a má distribuição de renda. Em seu livro ele apresenta evidências sobre um imprensa que produz enganosa teia de perigos e pavores que se tornam o alvo da paranoia da sociedade, que se torna vítima de um sistema de pensamentos e hábitos avessos ao convívio humano. Porém, muito lucrativo.
Por que tememos cada vez mais o que deveríamos temer cada vez menos? crime, drogas, minorias, mães adolescentes, crianças assassinas, micróbios mutantes, acidentes de avião, fúria no trânsito e muito mais. Este é o tema abordado pelo livro Cultura do Medo, de Barry Glassner, traduzido por Laura Knapp e lançado pela editora Francis no ano de 2003.
De 2003 até hoje parece que as coisas pioraram. Em 2013 um artigo apresentado no congresso internacional de direito, buscou refletir, como o medo coletivo disseminado pela imprensa pode contribuir para a criminalidade. Será que a imprensa brasileira está incentivando a conduta criminosa? Segundo o escritor Mia Couto, há quem tenha medo que o medo acabe.
Mensagem subliminar, práticas e mitos: A mensagem subliminar é entendida como sendo todo e qualquer estímulo enviado dissimuladamente no intuito de influenciar escolhas e atitudes. As mensagens subliminares produzem sensações e interpretações cujo efeito passa despercebido pelo observador. Um bom exemplo de mensagem subliminar são as propagandas embutidas nas novelas e filmes (denominadas de merchandising) onde uma marca ou produto é incorporado ao desenrolar da cena.
A ideia básica no caso do merchandising consiste em associar o produto ou marca com uma falsa memória de sentimento agradável e disseminar que o uso de tal produto irá gerar determinado benefício, como tornar a pessoa mais atraente, segura e assim por diante.
A técnica do merchandising conta com o fato de muitas pessoas se imaginarem no lugar dos personagens e construírem algumas memórias de situações fictícias que são em geral motivadas ao consumir o produto.
Não é por acaso que a moda surge através dos personagens de televisão, novas palavras, comportamento, estilos e até alimentos recebem preferência nacional dependendo da afinidade com um determinado personagem, cantor, ator, etc.
Outra forma bastante usada em mensagens subliminares consiste na dramatização de um evento ou notícia impedindo que o observador perceba as inconsistências do que é argumentado, gerando uma tendência de interpretação.
A trilha sonora do filme o exorcista usou de diversos truques de áudio como o som de abelhas e gritos de porcos para gerar um clima de tensão e medo. No documentário “Criança a alma do negócio” é apresentado o problema da manipulação dos valores sociais e da indução de consumo nas crianças, através das propagandas onde mensagens subliminares se constituem como terreno fértil.
Recentemente foi descoberto que alguns produtos eletrônicos podem produzir uma frequência que estimula de forma subliminar o medo e a sensação de fantasmas nas pessoas.
O estudo sobre a possibilidade de induzir as pessoas de forma subliminar ganhou força em 1959, quando o publicitário Jim Cary afirmou ter aumentado as vendas do refrigerante coca-cola ao inserir frases do tipo “beba coca-cola” em uma velocidade não percebida conscientemente pelos espectadores de um filme. Com o passar do tempo o resultado alegado pelo publicitário se mostrou duvidoso. No entanto, o evento chamou atenção e motivou diversos estudos.
A febre das mensagens subliminares chegou ao auge nos EUA com alguns supermercados inserindo de forma dissimulada frases em música ambiente afirmando que “roubar é errado” ou empresas que instalam programas nos computadores para aparecerem na tela em elevadas frações de segundos a frase “trabalhe mais rápido”.
Atualmente se entende que as mensagens subliminares precisam fazer sentido ao observador, uma sensação de fantasma só ocorre se a pessoa acreditar na possibilidade, ou seja, se a idéia de fantasma faz sentido na interpretação. Desta forma, as mensagens subliminares apresentam maior eficiência nos merchandising onde o sentido da mensagem é claro, embora a mensagem em si, pode passar despercebida.
As mensagens subliminares caíram na fantasia do público e virou uma lenda urbana com direito a fã clube e paranóicos de plantão. Teve gente denunciando que as torres do castelo da Branca de neve eram mensagens subliminares representando órgãos sexuais masculino. Tudo virou subliminar, qualquer imagem podia ser interpretada como algo oculto e maléfico.
É preciso tomar cuidado com certos exageros, existem técnicas de indução e o estudo sobre as mensagens subliminares foi bastante distorcido.
Alguns advogados americanos tentaram usar do argumento subliminar em defesa de seus clientes, teve o caso de um jovem que matou seus pais alegando que estava sob manipulação de um filme. Em outro caso a culpa recaiu sobre uma banda de rock cuja musica teria determinado a ação do criminoso.
A idéia que uma mensagem subliminar possa determinar a ação de uma pessoa é considerada mito. Não é possível manipular pessoas mentalmente saudáveis. O máximo que pode ocorrer é uma sugestão (influência) interpretada pelo observador se a mensagem fizer sentido.
Se alguém quer comprar um produto, uma mensagem subliminar pode influenciar na escolha da marca e modelo. Por isso que o merchandising é uma forma de publicidade cara atualmente. O poder de convencimento é maior já que apela para emoção.
Outras formas subliminares podem ser encontradas na divulgação dos cartões de créditos onde se vende a idéia de um dinheiro a mais ou de uma solução financeira, ocultando o fato da perda média de 120% ao ano, por conta dos juros. Até pouco tempo se vendia a imagem do cartão de crédito como status de sucesso e credibilidade e algumas pessoas tinham o orgulho de mostrar a marca/bandeira do seu cartão.
É importante observar que a pessoa precisa estar receptiva (influenciável) para que a mensagem subliminar tenha algum resultado.
O melhor remédio, ainda é um comportamento crítico frente ao que é observado evitando agir por impulso.
Os economistas aconselham que ao querer um produto se espere alguns dias para comprá-lo e se faça pesquisa de mercado, desta forma, a tendência é que o impulso diminua e seja possível pensar com clareza se o consumo é realmente adequado. Fique atento aos estímulos que você é submetido e aos jogos dos vendedores e publicitários, questione a coerência de suas sensações e desejos. Evite o consumo voraz/impulsivo.
Tecnologia, excesso de informações e um possível colapso: Pode parecer estranho, mas o avanço tecnológico produz excesso de informações. Correndo o risco de entrar em colapso, acarretando um problema complicado em um futuro próximo. A tecnologia para coleta de informações avança de forma acelerada, no entanto, a interpretação dos dados é necessariamente efetuada por humanos. O número de informações esta ficando tão grande que nós humanos não conseguiríamos lidar com as questões apresentadas. Ocasionando desta forma uma impossibilidade administrativa por sobrecarga de informações.
Esta pode ser uma perspectiva pessimista ou exagerada. No entanto, a marinha dos EUA relatou em diversas ocasiões um problema que caminha na mesma perspectiva apresentada acima. Alguns militares apontam para o fato de existirem tantos dados produzidos pelos sistemas de vigilância que é impossível dar conta sem o auxílio de equipamentos inteligentes, capazes de interpretar os dados.
Para este problema do excesso de informações a sugestão é construir sistemas com inteligência artificial e robôs com a capacidade de tomar decisões e com isso aliviar a sobrecarga humana.
Na perspectiva de alguns oficiais da marinha nos EUA, vigiar rotas marítimas não é algo fácil, são grandes extensões e muitos dados para serem analisados, no intuito de poder detectar algumas ameaças, como tráfico de drogas, pirataria marítima, entre outros eventos. A solução para evitar esta carga de informações seria colocar um vigilante artificial capaz de decidir quais informações é necessário relatar e quais podem ser ignoradas. Desta forma o número de informações para ser interpretada diminuiria radicalmente.
Seguindo nesta direção, foi proposto o uso de aeronave não tripulada capaz de efetuar patrulhamento e decidir quais informações relatar. Este é o caso do robô Fire Scout.
Este robô, no formato de Drone, consegue distinguir entre embarcações normais e possíveis barcos piratas. Desta forma o robozinho faz uma boa parte do trabalho de um analista humano. Robôs capazes de tomar decisões parece ser uma necessidade crescente e várias pesquisas buscam criar sistemas e mecanismos eficientes para esta tarefa.
No entanto, avançamos na tecnologia de decisões em uma velocidade reduzida se comparado com o número de informações produzidas. Neste ritmo é possível imaginar um colapso tecnológico.
Não é só na tecnologia que existe uma perspectiva pessimista, nos processos do desenvolvimento social também existem estudos apontando para uma possível estagnação social e crise econômica.
O crescimento acelerado em algumas áreas da sociedade enquanto outras são muito lentas, levaram a equipe de pesquisa do MIT concluir que existe uma probabilidade razoável de um colapso econômico até o ano de 2030.
No caso da pesquisa do MIT foi criado um algoritmo computacional que simula através de modelos reais o que ocorreria com o desenvolvimento das sociedades se continuássemos no ritmo atual de consumo do petróleo, água e outros recursos naturais. A elevada taxa de nascimentos também foi levada em consideração.
A conclusão de um colapso econômico foi contestada por diversos especialistas no assunto. Eles discordam com a metodologia do relatório e conclusões.
Independente da polêmica, a boa notícia é que tanto na tecnologia como na economia, se entende que é possível evitar um provável colapso. Na tecnologia com o uso de sistemas inteligentes capazes de decisão, na economia mundial através de um comportamento consciente e integrado com as necessidades ambientais e sustentáveis.
De qualquer forma, nosso desenvolvimento promete um futuro cheio de desafios e momentos difíceis. O quanto esta postura pessimista é correta ou equivocada, ao que parece, descobriremos em breve.
Conheça a navalha de Occam: Guilherme de Occam foi um professor franciscano inglês, lecionou em Oxford e defendeu no século XIII que a explicação mais simples é geralmente a correta.
Uma característica fascinante e também problemática da mente humana é a nossa capacidade de imaginar. Saber disciplinar a imaginação é relevante para o discernimento sobre o que é provável e o que é improvável. O método defendido por Occam e largamente usado na ciência é a opção pela explicação mais simples de um determinado evento. Neste sentido, quanto menos complexa for uma explicação maior sua probabilidade de acerto.
Um objeto cai no chão e para alguns pode significar a presença de duendes, fantasmas, um sinal divino ou simples fato do objeto não estar adequadamente equilibrado. Esta última seria a explicação menos complexa, segundo Occam.
Para esse pensador devemos recorrer sempre ao menor número de fatores para explicar algo. Esta afirmação ficou conhecida como a Navalha de Occam.
Cuidado com os alimentos: Em relação aos alimentos, a maior preocupação do mercado em alguns casos é o lucro, o que ocorre com um maior consumo de produtos. Neste sentido, existe uma estratégia que consiste em motivar as pessoas para que elas comprem cada vez mais, mesmo que a saúde seja prejudicada.
Quando uma parte da população demonstrou preocupação com os refrigerantes, surgiu um tipo de água aromatizada. Essa "água" possuía o mesmo processo de fabricação do refrigerante. Entendendo que a água é a bebida mais indicada para a saúde, alguém teve a ideia de colocar o nome de H2O em um refrigerante, dando uma sensação de produto saudável e melhorando os lucros.
As barrinhas de cereais que ganharam fama de saudáveis são, em alguns casos, achocolatadas e com açúcares, algo distante da proposta de alimento para promoção da saúde.
Estudos científicos encomendados por empresas distribuidoras, concorrentes ou fabricantes de alimentos apresentam resultados conflitantes, deixando a população mais confusa do que orientada. Uma variedade de produtos que se apresentam como soluções saudáveis pode sutilmente enganar os menos atentos.
O raciocínio que sustenta este emaranhado de confusões consiste no fato de ser responsabilidade da pessoa gerenciar o seu consumo de alimentos. Por isso, cada produto recebe no rótulo as especificações e quantidades de calorias, além de outras informações, deixando o consumidor supostamente informado e livre para escolher. Gestantes, pessoas com restrições alimentares, crianças, entre outros casos, precisam ficar atentos a informações que "sugerem" de forma dissimulada certos benefícios alimentares em alguns produtos.
Um dos problemas é que apenas as informações nos rótulos podem não ser suficientes para uma escolha adequada. Existe a necessidade de conhecimento básico sobre como interagem os alimentos entre si quando ingeridos, bem como a quantidade adequada para cada estilo de vida. Sem prestar atenção nesses detalhes, sua saúde fica comprometida.
É aconselhável ficar atento, pois a estratégia mais comum consiste na aparência do produto. Muitas vezes, um alimento totalmente artificial possui um rótulo estrategicamente elaborado, com lindas imagens e cores vívidas, tendo como objetivo causar a sensação de saúde. Ler o rótulo e saber como lidar com as informações contidas nele é importante para sua saúde, assim como dar preferência para o consumo de produtos realmente naturais.
Tecnologia e angústia: Desde o início da humanidade o homem cria ferramentas onde modifica o mundo e é modificado pelos instrumentos que desenvolve. O curioso é que acabamos produzindo também, angústia. É certo afirmar que não existiríamos sem o uso de tecnologias.
No passado construímos ferramentas batendo uma pedra na outra, depois aprendemos a derreter metais e construir toda variedade de objetos.
A descoberta e manuseio do fogo são conhecidos como o grande passo no desenvolvimento tecnológico. Geralmente representado pelo mito grego onde Prometeu roubou o fogo dos deuses para presentear os homens com tal tecnologia.
Com o surgimento do fogo, novos horizontes se abriram e o futuro desconhecido foi venerado e temido. Novas escolhas se fizeram necessárias assumindo riscos desconhecidos.
Esta é a grande crise histórica que o desenvolvimento tecnológico impõe desde o seu surgimento. Para cada nova tecnologia desenvolvida, surge um conjunto de escolhas e riscos desconhecidos. Proporcionando tecnologia e angustia ao mesmo tempo. Segundo o filósofo Kierkegaard, toda escolha promove uma vivência angustiante.
No caso do desenvolvimento tecnológico sempre existiu um fator temerário. Quando surgiu a máquina fotográfica algumas pessoas temiam que sua alma fosse aprisionada pelo invento. No automóvel, se tinha medo do corpo humano não suportar a velocidade do veículo e apresentar doenças devido ao acelerado transporte de 50 km/h. Com a televisão, alguns acreditaram que a máquina poderia dominar coletivamente o cérebro escravizando a mente humana.
Nem todos os medos são infundados, no Japão um desenho com elevada taxa de cintilação provocou uma crise em massa nas crianças com Epilepsia e a televisão realmente possui certa influencia sobre a cultura.
Ao olharmos para o passado observamos temores que devido ao conhecimento de hoje podem parecer banais. No entanto, lidamos com o mesmo tipo de temor em relação aos desenvolvimentos atuais. Celulares, internet, energia atômica, experiências quânticas, etc. Novas tecnologias, mesma angústia.
Entre os temores atuais encontramos a questão da liberdade de informação, onde qualquer indivíduo pode aprender através da internet como cultivar vírus biológico ou criar bombas, venenos, etc.
Os celulares e as redes wireless também estão no foco dos temores modernos uma vez que os efeitos da radio freqüência ainda são desconhecidos em exposições de longo prazo.
Na história da humanidade, tecnologia e angústia sempre apareceram em alguma crise histórica. Ao desenvolver uma tecnologia se caminha em direção ao futuro desconhecido, com todos os perigos pertinentes desta aventura.
O fogo que nos garantiu a sobrevivência e promoveu o desenvolvimento tecnológico é o mesmo que destruiu cidades inteiras, remédios que salvam milhares de vidas também causam a morte de um percentual da população. É a angustiante escolha tecnológica em ação.
O termo angústia pode ser definido como sendo um mal-estar que se constitui de um medo sem um objeto determinado, uma sensação física de aperto frente aos possíveis riscos de eventos ainda por ocorrer.
Uma crise aguda de angústia pode levar ao comportamento agressivo, sensação de vazio, depressão, comportamento inapropriado, etc. Elevada angústia pode transformar pessoas e adoecer sociedades.
Embora o futuro tecnológico seja incerto e a angústia inevitável, muitos pensadores apostam na moderação como meio de diminuir os efeitos negativos deste evento. Neste sentido, é aconselhável usar qualquer tecnologia de forma prudente. Esse é o caso da angústia ocasionada com a polêmica sobre celulares e o câncer.
Alertar crianças e adultos para a importância do uso limitado e coerente da tecnologia e promover um comportamento em oposição ao excesso, parece ser a melhor forma para conciliar de maneira saudável a relação entre tecnologia e angústia. Quem sabe, diminuindo assim, o impacto dessa crise histórica que permeia o universo tecnológico.
Senso crítico, educação e tecnologia: Em um dado momento, um crescimento considerável na quantidade de pessoas envolvidas em conflitos de opiniões nas redes sociais chamou atenção da imprensa nacional, motivando a publicação de algumas notícias, tais como, “Debate político acirra ânimos nas redes sociais” (EBC, 2014), ”A era da grosseria on-line: cresce a intolerância nas redes sociais” (ÉPOCA, 2015). No entanto, o problema da intolerância enquanto pensamento unilateral não é algo novo, sendo entendido como uma crescente tendência, proveniente da falta de um senso crítico qualificado (CASTELLS, 2005).
A formação de cidadãos críticos é uma necessidade social e uma das responsabilidades da educação, sendo o desenvolvimento do senso crítico uma das orientações presente no Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). No PCN, a capacidade de argumentação é entendida como relevante para o adequado exercício da cidadania, possibilitando ao aluno “posicionar-se de maneira crítica, responsável e construtiva nas diferentes situações sociais […]” ( Brasil, 1998, p.7).
Desenvolver o pensamento crítico implica em estimular competências para o entendimento das conexões lógicas entre as ideias, diferenciando argumentos de explicações, onde “argumentos buscam demonstrar que algo é verdadeiro, enquanto explicações demonstram como algo é verdadeiro.” (BAGGINI;FOSL, 2008, p. 14). No ambiente escolar, existem diversos métodos para desenvolver o pensamento crítico. Esses métodos assumem como principal objetivo promover o diálogo mediado por algum instrumento que favoreça a pluralidade dos discursos, percepções. Esse é o caso do Educomunicação, divulgado pela UNICEF (2010), método que promove um espaço para o diálogo através da participação dos alunos em atividades de mídia de massa, como a criação de um jornal da escola ou da turma, vídeos, rádios, blogs, fóruns entre outros. Essas atividades devem ser elaboradas por grupos de alunos no intuito de estimular, nos estudantes, o debate analítico, reflexivo, sobre os problemas do cotidiano.
Outro método consiste em promover na sala de aula rodas de conversa (MEC, 2008), onde o professor escolhe um tema referente à disciplina ministrada e, mediando o diálogo dos alunos, vai complementando as conexões e questionando inconsistências nas afirmações que surgem. A roda de conversa “apresenta-se como um rico instrumento para ser utilizado como prática metodológica de aproximação entre os sujeitos no cotidiano pedagógico.”(MELO;CRUZ 2014 p.31). Durante essa mediação, o professor apresenta, geralmente de forma implícita, as regras de argumentação aos estudantes. Estas regras são conexões lógicas de composição das frases, permitindo identificar se a forma como o pensamento foi expressado é válida ou se apresenta algum tipo de inconsistência, sinalizando possível equivoco na percepção do interlocutor.
Para promover a competência que permita ao aluno identificar regras de argumentação, é necessária uma prática sistemática de diálogo analítico, onde o estudante vai adquirindo senso crítico ao praticar, no diálogo, o exercício reflexivo de aprender a perceber inconsistências em suas afirmações, como redundância, contradição, ambiguidade, generalização, simplificação, entre outros. Esses problemas estimulam intolerâncias e individualismos através de uma percepção fantasiosa da realidade promovida por equívocos na elaboração dos argumentos enquanto mecanismo de percepção da verdade. (BAGGINI; FOSL, 2008, p. 31).
No contexto de tecnologias educacionais, uma ferramenta possível para auxiliar os alunos na prática do diálogo analítico é o uso de simuladores de diálogos ou agentes conversacionais. Agentes conversacionais são softwares computacionais que simulam a capacidade humana de conversar. Embora esses aplicativos não consigam compreender as expressões linguísticas, são capazes de reagir aos estímulos das palavras e interagir conforme programação prévia. Os agentes conversacionais quando equipados com regras de argumentação podem identificar inconsistências no diálogo, atuando como ferramenta no exercício reflexivo e desenvolvimento do senso crítico.
Um método usado em estudos sobre os agentes conversacionais é a identificação das sentenças através de técnicas fundamentadas na Teoria dos Atos de Fala (Austin, 1962; Searle, 1969). Os atos de fala tem sua origem nas reflexões em filosofia da linguagem, corrente filosófica responsável pelos estudos dos fenômenos linguísticos. A teoria dos atos de fala tem como característica central a concepção da linguagem como ação ou realização de atos. Sob este aspecto, dizer é fazer. Nesse sentido, entender uma expressão linguística só pode ser feito considerando o ato que está sendo realizado quando essas expressões são proferidas, bem como, as regras que tornam possível a realização desses atos. Em sentido geral, toda expressão linguística é representação de uma ação, é um ato de fala.
Os atos de fala em conjunto com alguma representação computacional que permita representar conceitos de um domínio e suas relações, tais como ontologias, podem ser empregados em um agente conversacional para identificar um argumento, assim como suas inconsistências. Esse agente poderia detectar e apontar ao estudante inconsistências na sua argumentação ou simplesmente mostrar outros pontos de vista sobre um mesmo tema.
Em 1966 o professor Joseph Weizenbaum, no Massachusetts Institute of Technology, demonstrou o potencial de um Agente conversacional chamado Eliza. (WEIZENBAUM, 1966). Eliza era um software que simulava uma psicóloga. Ao receber uma frase do usuário, o simulador usava palavras específicas da frase digitada para compor suas respostas, mantendo certa coerência no diálogo e estimulando o usuário para aprofundar o assunto. Muitos estudos ocorreram desde então, no intuito de aperfeiçoar a interação entre máquina e humano, promovendo considerável utilidade para esta modalidade de ferramenta nos diversos segmentos sociais, em especial, como apoio em ambientes educacionais.
Agentes conversacionais são programas computacionais que atuam como ferramentas de processamento de linguagem natural. O agente conversacional recebe do usuário uma entrada em linguagem natural onde, através de comparação e processamento emite uma resposta, input/output. Allen (1995) aponta alguns conhecimentos necessários para o processamento de linguagem natural, como Sintaxe enquanto organização adequada das palavras nas sentenças; Semântica, enquanto identificação de significados das palavras e das sentenças; Pragmática, como uso das sentenças em contextos sociais.
No conhecimento pragmático, o estudo de comunicação entre agentes inteligentes tem como fundamento a teoria dos atos de fala de Austin e Searle (COSTA, 2008) . Davis (1990) esclarece que a teoria dos atos de fala classifica o modo de comunicação em: Atos declarativos, transporte da informação; Atos interrogativos, requerimento de uma informação; Atos imperativos, manifestação de um comando; Atos de exclamação, manifestação emotiva e Atos performativos, manifestação de uma condição. Sob este aspecto a intenção do falante pode ser identificada conforme classificação prevista na teoria dos atos de fala.
Os atos de fala foram empregados, por exemplo, por Leonhardt (2011) para aperfeiçoar a comunicação afetiva dos agentes conversacionais com seus usuários. Prata (2008) usou atos de fala para o desenvolvimento de um modelo computacional de análise dos conflitos ocorridos em diálogos na aprendizagem colaborativa, através da interação e análise dos argumentos dos participantes. Nishida (2015) no congresso internacional de Singapura apresentou, em artigo, uma perspectiva quantitativa relacionada com modelagem de dados, atos de fala e agentes conversacionais. Wilkens (2016) também seguiu nessa direção ao ampliar a investigação sobre o uso do processamento de linguagem natural para os agentes conversacionais. Assim como, Corti e Gillespie (2016), na Science Direct, abordaram os atos de fala e a questão da intersubjetividade envolvida nos diálogos com agentes conversacionais.
Tecnologia e exclusão social: Tenho a sensação que nossa evolução tecnológica vem ocorrendo muito rápido em comparação com nossa capacidade social de adaptação.
Lembro de conhecer um campus universitário com um estacionamento que tinha as vias de acesso monitoradas por atendentes e acabou substituindo estes funcionários por máquinas com cartões de acesso. Foram mais de 120 demissões.
Fico pensando no tempo que estas e tantas outras pessoas vão levar para se adaptarem com esta nova realidade e como vão lidar com o fato da necessidade de capacitação tecnológica.
Alguns meses acompanhei superficialmente um processo seletivo para secretárias em um posto de saúde que fica em uma região carente. O programa social do município onde estávamos prestando consultoria abriu estas vagas para jovens moradores próximo ao posto de saúde, no intuito de favorecer a renda na região e também manter uma secretária/atendente conhecida da população local.
O número de inscritos foi muito grande, mas apenas 1% dos entrevistados tinha a mínima noção de manuseio do computador, pré-requisito para a função pretendida. Nestes casos a falta de acesso ao ambiente tecnológico pode produzir dificuldade de colocação no mercado de trabalho.
Já no caso das demissões em massa por substituição de tecnologia, não sei muito bem como equacionar esta questão. Fico com a impressão de existir um abismo entre o desenvolvimento social e a tecnologia, parece que não estamos usando as máquinas considerando os efeitos sociais. Mas isso pode ser apenas uma impressão equivocada de minha parte.
Fiquei surpreso com o número de demissões que certas tecnologias promovem e o tempo necessário para estas pessoas se integrarem no mercado de trabalho. Pelo pouco que acompanhei, ficou claro que a velocidade de adaptação depende do poder aquisitivo de cada pessoa.
Nem todos conseguem investir tempo e dinheiro em cursos de formação tecnológica, em outros casos o problema vem da baixa escolaridade e o tempo de um curso se transforma na necessidade de concluir a escolaridade básica para que seja possível entender a lógica por trás da tecnologia.
Parece que a evolução tecnológica, não sendo adequadamente administrada poderá se tornar para algumas pessoas uma ferramenta de exclusão social. Por isso acredito na importância de soluções como as do colega José Mendonça que criou o Telecentro Trajetória Mundial, oferecendo cursos de informática básica e montagem de microcomputadores em comunidades carentes do Recife-PE. Também tem o Grupo de Economia Popular do colega Eloísio Porto Santiago na Bahia, que segue a mesma linha de atividades.
Claro que o problema não é a tecnologia e sim como as pessoas e empresários gerenciam esta.
Talvez para sociedades tecnológicas o melhor conselho seja aquele atribuído ao pesquisador Charles Darwin, “Os mais aptos sobrevivem” em outras palavras, inclusão digital para todos.
Escola, Conhecimento X Informação: Parece que um dos grandes problemas relacionados com a escola surge com a exigência de acelerarmos os processos de aquisição do conhecimento. As matérias existentes na escola são administradas em uma carga horária bem reduzida e para complicar um pouco as coisas foi adicionado duas novas matérias no currículo, Filosofia e Sociologia.
Uma das queixas nos corredores escolares é o fato de não existir tempo hábil para as matérias tradicionais, estas ainda irão dividir seu tempo com outras duas, recém chegadas.
Acredito na importância de todas as matérias bem como da necessidade destas no currículo, no entanto, parece ocorrer certa confusão entre o tempo e conteúdo necessário para que alguém possa adquirir um determinado conhecimento e o tempo para aquisição de uma informação.
Parece que, quanto menor o tempo, maior atenção devemos aplicar para com os métodos didáticos na busca da autonomia do estudante.
Gostaria de diferenciar o que aqui chamo de Conhecimento e Informação para que possamos mensurar suas consequências.
Podemos chamar de conhecimento toda informação que é compreendida por uma pessoa em seu contexto histórico, social e intelectual, neste sentido, transmitir conhecimento é uma prática que exige um conjunto de informações fundamentadas em sua origem epistemológica.
O termo epistemologia pode ser entendido como sendo o estudo sobre as teorias de como se constitui o conhecimento, suas conexões, crenças e justificações. Conhecer é saber como uma determinada informação foi construída, pensada e fundamentada.
Por outro lado, uma informação é por definição um tipo de conhecimento que não exige necessariamente uma postura crítica sobre os fundamentos ou origem epistemológica. Em uma informação podemos ignorar sua fundamentação e seus pressupostos, aceitar sem maiores questionamentos.
A diferença básica é que uma informação perde o sentido quando fora de seu contexto, enquanto que, o conhecimento (entendido aqui como fundamentação) pode promover sentido em uma informação quando da mudança de contexto.
A informação possui uma vantagem importante, ela pode ser passada e adquirida de forma rápida. Ideal para escolas cuja carga horária não permite maiores elaborações. No entanto traz como prejuízo a falta dos fundamentos e com isso uma baixa criatividade por parte dos alunos.
O conhecimento por sua vez, tem a desvantagem de ser necessário certo tempo e paciência para maturação, o que em uma sociedade veloz como a nossa tende a ser pouco valorizado.
Uma das soluções possíveis para a formação de uma escola regular que promova conhecimento e não apenas informação é o trabalho em equipe com sincronia entre os professores. Neste sentido a História estaria em concordância com a Matemática e com a Física, complementando as bases das informações ali apresentadas. Isso exige dos professores a montagem de uma agenda conjunta onde Física, História e Matemática, por exemplo, caminhem juntas com o mesmo tema. Se na Física o aluno aprende sobre elétrons, na História veria a contextualização de tal conhecimento, na Matemática encontraria os fundamentos dos cálculos e assim por diante.
Ao final teríamos o conjunto sincronizado de informações cujo resultado seria o conhecimento com seus fundamentos, origens, etc.
Na teoria fica redondinho, na prática isso simplesmente se torna inviável para algumas escolas. Vários são os motivos apresentados, como o curto espaço de tempo para as aulas, o individualismo e ausência de comunicação entre os professores, desânimo com os baixos salários e até mesmo devido ao modelo educacional vigente.
Independente dos motivos, muitas escola são provedoras de informações e não gestoras de conhecimento. Não é unanimidade, possuímos boas escolas onde a sincronia entre os professores é possível e o conteúdo ocorre de forma conjunta.
Mas para o caso da escola cuja promoção de conhecimento não é possível, ainda existe a possibilidade do auxílio dos pais e familiares. Algo que também se mostra problemático em certos casos.
Em muitas reuniões para pais, promovida pelas escolas no intuito de melhorar a qualidade do ensino, é visível o fato de alguns pais e familiares entenderem que a responsabilidade na transmissão do conhecimento é exclusivamente da escola e por conta disso não se envolvem com o problema. Outros alegam não possuírem conhecimento suficiente para abordar o assunto, seja por conta de uma baixa escolaridade ou devido ao fato de não lembrarem mais o que um dia estudaram.
Sem tratar o problema dentro da escola e do ambiente familiar pode surgir como conseqüência pessoas capazes de entender informações (dominar técnicas) ainda que precariamente, mas deficientes no tocante ao uso adequado destas interpretações. A capacidade de repetir informações ou técnicas sem o entendimento dos pressupostos pode gerar uma diminuição do senso crítico.
O surgimento do senso crítico ocorre quando perguntamos pela constituição da informação, ou seja, pelas crenças, conexões, veracidade e justificações envolvidas na informação.
Esta percepção onde o conhecimento é reconhecido quando da capacidade de transitar entre os fundamentos de uma dada informação, tem gerado uma série de publicações didáticas com objetivo de suprir a deficiência de certas escolas e dos próprios pais que, por um motivo ou outro, não conseguem trabalhar na fundamentação das informações apresentadas.
Recorrer para estas publicações pode ser um apoio aos que se preocupam com a qualidade do ensino. Perguntar pela fundamentação é uma prática, uma postura que no campo do conhecimento ocorre através do hábito de questionar sobre a veracidade, justificação e crenças envolvidas nas informações ou práticas. Esse parece ser o principal promotor do senso crítico.
No entanto, por ser uma postura, é necessário que o estudante tenha um ambiente que propicie tal estímulo. O conhecimento é a conseqüência de uma caminhada que inicia com as informações, técnicas ou práticas em ambientes controlados como na família ou escola.
No Brasil parece que já existem dificuldades relacionadas com os problemas de algumas escolas do ensino regular e universidades, entre estas dificuldades encontramos a deficiência de profissionais em áreas estratégicas para o desenvolvimento da sociedade, por exemplo, a falta de engenheiros.
Em entrevista para revista Minas faz Ciência de número 41, o professor e pesquisador Vanderli Fava de Oliveira, aponta para o fato de existir uma demanda por 60 mil engenheiros enquanto o número de formados é de apenas 35 mil. Um dos problemas para a falta de profissionais está associado ao número de evasão universitária. Mais que a metade dos futuros profissionais não chega ao final da graduação.
Uma boa parte dos estudantes afirma que é a dificuldade dos cursos de engenharia que levam ao processo de desistência. Física e matemática são os principais vilões na opinião da maioria dos alunos.
Na perspectiva de Oliveira, uma solução para as universidades, seria modificar o currículo e métodos dos cursos de engenharia privilegiando a contextualização e um melhor preparo dos professores. Atualmente é preciso dar atenção ao aspecto didático metodológico e ensinar o aluno para que este possa aprender a aprender e não apenas dominar uma técnica. Nas palavras de Oliveira, “A formação tradicional já não dá mais conta do recado. Hoje, a empresa que contrata um engenheiro não quer saber o que ele aprendeu, mas sim o que ele sabe fazer com o que aprendeu.”.
É neste sentido que tento diferenciar Informação de Conhecimento, onde saber o que fazer com um conjunto de informações implica no uso de senso crítico e por conseqüência na busca por fundamentações e flexibilidade na construção de conhecimento, ou seja, aprender a aprender.
Para que possamos sair dessa estagnação quando ela ocorre é necessário que alguém dê o primeiro passo, sendo aconselhável união de esforços entre educadores e familiares.
Ao detectar problemas de estagnação educacional é aconselhável conversar com a escola e professores, como também apoiar o desenvolvimento dos estudantes através de literatura que privilegie o desenvolvimento do senso crítico. Evite a simples reprodução de informação.
Apenas frequentar a escola parece não ser suficiente para a produção de conhecimento tornando-se necessário nas condições atuais de ensino dedicação extraclasse com o apoio e envolvimento de familiares.
Seguindo a exigência e evolução do mercado, conhecimento se tornou mais que a reprodução ou domínio de uma técnica, informação ou prática. Tornou-se o preparo e maturação para ir além deste primeiro passo, se constituindo como capacidade de aprender a aprender.
Desemprego ocasionado por máquinas? Desemprego e tecnologia parecem evoluir juntos. Que a tecnologia esta mudando a forma como vivemos não é novidade. Um dos temores de algumas pessoas é a falta de trabalho ocasionado pela substituição de humanos por máquinas. Segundo a empresa de consultoria Gartner, nos próximos 10 anos, um em cada três empregados será substituído. Muitas pessoas serão trocadas por algum tipo de tecnologia, softwares, robôs, etc.
Embora o quadro não pareça promissor, os especialistas sinalizam que o mais provável não é o desemprego, mas a mudança de profissão. As pessoas vão se adaptar trocando suas profissões. Neste sentido, os profissionais com maior chance de colocação no mercado serão aqueles que possuírem capacitação tecnológica.
Para Balman (2007), Baudrillard (1997), Postman (1993) e vários outros estudiosos, o problema é mais complexo. Envolve uma possível mudança negativa no comportamento humano. Para esses autores, a formação tecnológica pode gerar profissionais individualistas onde a ideia de sociedade humanizada perde o sentido. Fortalecendo dessa maneira um comportamento egocêntrico.
Para esses autores a tecnologia só é benéfica quando sabemos identificar com clareza as consequências de seus efeitos. Principalmente nas relações humanas. Isso implica um tipo de conscientização promovida pela reflexão do assunto nas escolas e nas famílias. Algo identificado como “consciência tecnológica”.
O crescimento do desemprego pode gerar uma crise financeira e uma série de problemas sociais. Algumas empresas de consultoria alertam para a necessidade de ficarmos atentos. Principalmente sobre como estamos usando a tecnologia para promover a substituição de mão de obra humana por máquinas.