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𝚋𝚊𝚝𝚜𝚒𝚚
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«Honk, honk!» — Harpo Marx ᵐᵃⁱˢ ᵘᵐ ᵒᵇˢᶜᵘʳᵒ ⁿᵒˢᵗʳⁱⁿʰᵒ ᵇᵃⁱˣᵃ ʳᵉⁿᵈᵃ ᵉ ᵈᵉˢᵈᵉⁿᵗᵃᵈᵒ

Nota pessoal: minha opinião não fará o mundo feder menos.

A franquia Evil Bong (Charles Band) é o fastígio da cultura gererê.

Hesitei, hesitei e, graças a Deus, acabei desistindo de ir ver a última montagem de O guarani (Carlos Gomes). Mas arrisquei para O navio fantasma (Richard Wagner), e valeu muito pena. Algo interessante foi uso da projeção. Só lamento ter escolhido um lugar tão ruim...

Há tempos não ia a um chopis centis (quanta gente, quanta alegria!). Haveria encenação d'O Auto da Compadecida. Chegando cedo demais, o jeito foi gastar tempo numa daquelas livrarias desertas. Meu espanto foi haver estantes de livros diversos organizados por cor de capa.

Bom, depois soube que não era bem assim e vim fuçar...

Ah, muito boa a letra também (é do Vinicius de Moraes). Outro dia ouvi uma versão com o Baden Powell cantando essa canção e, olha, ele era um excelente violonista. 😅

Tempo de mais uma pausa por tempo indeterninado.

(David Mazzucchelli, Still Life)

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👀

“When you stare into Nostr, Nostr stares back at you.”

—Freidrich Nostrzsche

Saí de todas as redes sociais tóxicas por vários motivos, um deles foi pra fugir do modo como essas redes mexem com as emoções e criam ansiedade e dependência.

Mas nelas vivi intensamente o período que vai da Grande Micareta de Junho de 2013 até semana passada quando, creio eu, a direita começou a se recuperar da queda do Jair. Vários fatos simbólicos me apontam para essa nova virada, alguns não ligados a questões políticas (como o congresso enfim tentando reverter leis criadas pelo STF, ou o Lula sendo forçado pela oposição a chamar o Hamas de terrorista), mas besteiras que vinham dando tração no Twitter: a simpatia do público pela Rachel Sherehezade em seu embate com uma funkeira num reality show, ou o Negão da NGB mostrando que o mundo legitimado pelo Esquenta nas favelas é medonho.

Mas sim, nem é disso que quero falar.

Agorinha conversei com uma mestranda de Estudos Culturais para uma pesquisa dela acerca do papel do humor na ascensão do bolsonarismo, e falamos sobre os memes. Fiz uma articulação que venho pensando desde que essas figuras me fascinaram ali por volta de 2007, quando cursei Desenho Industrial. Então, os memes me instigavam por causa da questão semiótica, e também porque seus criadores puseram em prática um ideal de criação coletiva e anônima que, nesse tempo, era proposto por um pessoal da esquerda. Eu via um potencial artístico interessante ali.

Mas depois disso a sua evolução foi estranha, e eu a acompanhei passo a passo enquanto virava à direita.

Só que falei com ela apenas da parte histórica, que também não é pensada bem aqui no Brasil. De como ideias transmitidas em livros de esquerda anarquista da Coleção Baderna (Luther Blissett é o nome mais óbvio, mas dá para citar o Hakim Bey também) deram a teoria e a estratégia para a criação e disseminação de "fake news", não sem antes aparecerem nos experimentos de recriação do real através da arte, levados a cabo pelos próprios esquerdistas (penso no Fora do Eixo e nas intervenções urbanas, por exemplo). Do papel da magia do caos na figura do Kek, deus-sapo que pôs Trump na presidência (o que houve aqui no Brasil foi o Movimento 108 tentando matar Jair com sigilos). Da virada nos chans do predomínio da esquerda Anonymous para a direita incel. Da Jornada do Herói como fórmula que pegou o imaginário de filmes como Matrix, Psicopata Americano, Clube da Luta, Joker, a obra toda do Zack Snyder e o ciclo da UCM e, de um lado, deu símbolos para a direita incel redpill no 4chan, enquanto que do outro lado, no Tumblr, a mesma fórmula da Jornada gerou um imaginário woke feminista e trans, mas com os símbolos da série Harry Potter (antes, claro, da autora da série ser cancelada pelos seus filhos). Como estéticas que surgiram contra o capitalismo (Glauber Rocha e vaporwave) apareciam em vídeos do Brasileirinhos em favor de um presidente liberal.

Digo isso porque, conversando com ela, me deu vontade de finalizar um projeto que abandonei no começo do ano, de descrever o circuito simbólico disparado pela festa de posse do Lula III, no dia 01 de janeiro, como um ritual mágico (que chamei então de Ritual Cosmogônico de Refundação do Brasil) que precipitou os acontecimentos do dia 08 seguinte (a tal Festa da Selma). E tudo isso tem a ver com o que conversei com ela.

Então, vou pensar nisso, em retomar esse projeto, sempre presumindo macumba como se não houvesse um amanhã.

Muito, muito intrigante.

E, aliás, seja bem-vindo.