Esta é a capa do meu primeiro livro em inglês. Já está disponível nas livrarias americanas (papel e digital). 😎🙏😍
Nunca ocupei nenhum cargo em nenhuma escola, por princípio. Deliberei, desde os primeiros anos, tomar uma atitude que consiste em nunca disputar cargos que podem ser ocupados por outros. Sempre decidi criar o meu próprio cargo, a minha própria posição sem ter de ocupar o lugar que possa caber a outro. Eis por que não disputo, nunca disputei nem disputarei qualquer posição que possa ser ocupada por quem quer que seja. (Mário Ferreira dos Santos) 😎
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Nefarious e o mundo moderno
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Agenda 2030 decodificada
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Não digo nada... ⚡

Um artigo de 2020: Liberdade para concordar
A linguagem tem um papel que ultrapassa as funções descritivas e alcança as camadas psicológicas mais profundas, tanto pela força persuasiva da repetição, quanto pela capacidade de influir significados a signos dispersos armazenados na memória.
Quando a linguagem decai, além da confusão interpretativa que degenera a comunicação entre as pessoas, o imaginário passa a ser preenchido por símbolos ambíguos, abstratos e voláteis, o que pouco a pouco incapacita a tomada de decisões e transforma os indivíduos em seres inseguros e dependentes.
Esse processo que decorre da degradação da linguagem interessa a quem pretende manter e expandir o poder por meio da manipulação das mentalidades. Como as palavras só passam a fazer sentido dentro de um conjunto de pressupostos, quem detém a prerrogativa de impor as bases da discussão tende a controlar o debate público – mesmo que isso não signifique o controle total sobre o fluxo dos acontecimentos.
Com o objetivo de conquistar a hegemonia cultural permanente, grupos de pressão investem contra a precisão e a naturalidade da língua para dar a ela um caráter subjetivo que permita distorções pontuais, de forma a favorecer interesses políticos, econômicos ou ideológicos.
Toda manipulação começa na linguagem, e essa regra se desdobra em outra: todo aparelhamento da linguagem depende da sua relativização.
O relativismo, que tem a capacidade de destruir até mesmo as distinções entre verdade e mentira, também torna a linguagem vazia de conteúdo, inicialmente, e disforme, com o passar do tempo. E ao subtrair da linguagem a precisão descritiva e a contextualização – impossíveis em um ambiente subjetivo e relativista – ela vira uma arma de guerra cultural ou, na melhor das hipóteses, um adereço, uma perfumaria.
Como em uma guerra não se desperdiça arma alguma, a instrumentalização da linguagem é usada em tempo integral, e de forma a atingir todas as camadas da sociedade e todos os aspectos da vida das pessoas, mas só fica evidente quando surge uma oportunidade de utilizar os efeitos das inserções no imaginário para executar o que há tempos vinha sendo planejado.
Em momentos de crise esse processo fica mais visível. Por causar transformação, a crise sempre tem um aspecto de oportunidade. Parece frase de coach, mas na prática as crises são responsáveis por grandes mudanças na sociedade, e talvez seja por isso que, em chinês, a palavra crise é composta de dois caracteres: perigo e oportunidade – nesse caso podemos entender “perigo” para o gado, “oportunidade” para seus condutores.
A crise que atravessamos agora, que começou bem antes da Covid-19 e tem raízes na degeneração cultural e moral fomentada nas últimas décadas, serve de exemplo para demonstrar como a manipulação da linguagem pode aproveitar a instabilidade para mostrar seus reais efeitos. Desde o início da pandemia ficou claro, para quem pensa um pouco, que a crise estava (e continua) servindo para avançar uma agenda totalitária. Nem é preciso discutir a doença ou entrar no mérito dos culpados e do eventual dolo de seus atos para perceber que junto com o Corona veio à tona o pensamento totalitário enraizado na mente de pequenos burocratas, de tiranetes regionais e de figurões da política, da academia e da imprensa.
Não há exemplo melhor dos efeitos nocivos da relativização da linguagem do que os recentes episódios de perseguição a jornalistas independentes. Mesmo diante de inquéritos inconstitucionais, quebra de sigilo de fonte e outros absurdos legais, boa parte da “classe pensante” resolveu relativizar os direitos naturais e a própria noção de “liberdade”.
Seja por interesse econômico pontual, seja por divergência política ou ideológica, parlamentares, intelectuais e jornalistas da grande mídia tentam construir um novo conceito de liberdade. Querem impetrar um significado diferente à palavra, minimizando e distorcendo a sua essência e mantendo apenas os acidentes mais periféricos.
Segundo esses seres angelicais, liberdade é um conjunto de regras que uma elite superior e inalcançável define, e os simples mortais devem seguir a sua vida dentro desse espaço delimitado. Essa aristocracia autointitulada pretende abandonar toda e qualquer referência à liberdade como direito natural e inviolável.
Se o povo aceitar essa nova interpretação do que vem a ser liberdade, em breve esse direito será esmagado e esquecido, e em seu lugar teremos um espaço cada vez mais restrito para manifestações contrárias ou minimamente diferentes do discurso oficial. Estaremos inaugurando a era da liberdade consentida, onde ela só poderá ser exercida se for pra concordar com o establishment.
Alexandre Costa (Vide Editorial, 2020)
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Tudo começou com o cigarro...
Tudo começou com o Cigarro: https://m.primal.net/HZlx.jpg" class="embedded-image" loading="lazy">
O Paulo Kogos já está no NOSTR?
Autocensura e destruição da linguagem
Todo totalitarismo começa pela linguagem. A transformação dos sentidos e significados e o uso sistemático de palavras e expressões calculadas para influenciar mentalidades e, desta forma, preparar o ambiente para futuras decisões totalitárias, sempre esteve presente no desenvolvimento de regimes ditatoriais.
O movimento revolucionário depende dessa estratégia para fortalecer suas posições, mascarar suas intenções e avançar a sua agenda. Foi assim na União Soviética, que inicialmente instrumentalizou a insatisfação popular com o czarismo por meio de palavras de ordem concatenadas de maneira a formar um imaginário antimonárquico, foi assim na Alemanha de Hitler, que inicialmente desumanizou a imagem dos judeus para que no momento adequado a população estivesse suficientemente dessensibilizada a ponto de aceitar a repressão, a perseguição, os campos de concentração e a “solução final”. E se analisarmos com atenção o desenvolvimento de todo regime totalitário iremos encontrar esse mesmo modus operandi.
A manipulação da fala tem o objetivo de preparar o terreno para a escalada totalitária, pois com a linguagem aparelhada fica mais fácil subverter toda estrutura política e cultural de uma sociedade.
Estamos presenciando essa prática mais uma vez. E agora com um agravante derivado do aperfeiçoamento do método. Esse aperfeiçoamento diz respeito ao foco do aparelhamento. Se antes o ataque à linguagem era algo exclusivamente externo, atualmente vemos essa pressão se originar de dentro pra fora.
Nas experiências totalitárias do século XX a opressão partia de agentes políticos e mirava os indivíduos e o ambiente social, seja pelo convencimento e persuasão em variados níveis, seja pela obrigação legal ou por meio da força bruta. Hoje temos o próprio sujeito como alvo e emissor do ataque ao mesmo tempo.
Desde o advento do politicamente correto uma nova forma de instrumentalização da linguagem tem facilitado o trabalho daqueles que pretendem construir um ambiente que permita a implantação de uma agenda totalitária.
Esse processo, que pode ser representado pelo patrulhamento de toda e qualquer palavra proferida em público, se desenvolve e se instala na sociedade de forma a penetrar cada conduta e cada mentalidade, terminando por internalizar como sentimento imperceptível que se revela em cada comportamento e em cada raciocínio.
Com o patrulhamento internalizado, passamos a estudar cada termo utilizado, reprimindo, substituindo ou inovando o vocabulário com o objetivo de adequação a um “padrão” supostamente “aceitável”, para evitar conflitos ou para agradar determinada tendência ideológica – visível ou camuflada.
Diante da ameaça, velada ou ostensiva, de uma punição ou de qualquer forma de represália, passamos instintivamente a reprimir a nossa fala, calculando cada termo na esperança de assim conseguir passar a mensagem sem sofrer as consequências, na maioria das vezes imaginárias.
Quando passamos a obedecer a essa patrulha abandonamos a espontaneidade e então toda comunicação torna-se artificial, criando um discurso vazio, apenas aparentemente coerente, revestido de uma camada que mescla superficialidade, imprecisão e cinismo.
A censura quase sempre extrapola o indivíduo censurado e influencia decisivamente o comportamento de todo seu entorno. Por medo ou por preguiça intelectual, muitos abandonam o foco e a essência original da expressão livre e independente, e com isso o objetivo de informar transforma-se em ato hipócrita, vazio e inócuo.
Nesse sentido, podemos dizer que a censura atinge o âmago de toda sociedade e funciona como uma graduação do terrorismo, que atinge seu objetivo quando alcança um circulo muito maior do que a área atacada. Além das vítimas diretamente alvejadas, ainda espalha o medo que vai reprimir e intimidar muito mais pessoas.
Décadas de politicamente correto prepararam o ambiente para a transformação que estamos presenciando. Se antes o medo da censura estava diretamente relacionado a alguma punição, agora esse pavor já faz parte da psique e não depende tanto dessa pressão externa.
A autocensura, originada por essa tentativa de adequação a um padrão estabelecido pelo ambiente social, pelos agentes repressores ou simplesmente pelas “normas da comunidade” apregoadas pelas plataformas das redes sociais, além de funcionar como o terror atenuado e diluído, ainda perverte a própria personalidade ao esmagar a individualidade, corroer a segurança e a confiança nos sentidos e na capacidade de percepção da realidade. E a normalização da autocensura serve também de termômetro para a observação do ambiente que vivemos, tanto pelos aspectos sociais, quanto pelos psicológicos.
Embora a manipulação da linguagem dificulte a disseminação de informações verdadeiras e relevantes, ela sempre oferece uma oportunidade para a previsão dos próximos passos.
Como sabemos que esse processo costuma anteceder a censura radical e a perseguição, podemos deduzir que estamos avançando rapidamente, e sem qualquer chance aparente de retorno, para um mundo cada vez menos livre, com uma linguagem cada vez menos precisa e significativa, e com pessoas cada vez mais inseguras e frágeis, dispostas a reprimir suas palavras e ideias e a aceitar qualquer iniciativa totalitária.
(Trecho do livro Um copo de Red Pill - Vide Editorial 2020 - Alexandre Costa)




