é isso. observar as caixas que se formam inclusive a partir do pensamento sobre a abertura. porque a abertura não pode estar em uma caixa ou foi capturada pela racionalidade, virou um conhecimento - e tem o seu lugar, mas não me parece ser o de base.

tem algo em nós que observa as caixas, mas não está dentro de nenhuma, nem da mais ampla. é o que é íntimo do mistério.

não sei se é uma questão de equilíbrio como se um desse lugar ao outro, me parece mais algo que acontece simultaneamente: razão e abertura, ao mesmo tempo. introspecção e ampliação, ao mesmo tempo. mas talvez um ou o outro apareça mais em momentos diferentes. como agora, para escrever é claro que uso a razão e algum conhecimento da língua, e, ao mesmo tempo, tem algo de aberrura - embora eu veja que eu sou o tempo todo tomada pela tentativa de encaixar os pensamentos no que me é conhecido. me parece mais o lugar onde deixamos a razão atuar. me parece que a razão está deslocada e poderia estar em um lugar muito mais potente.

eu tenho essas tendências: excesso de pensamento e mais lentidão nas ações, e também a tendência a me perder mergulhando nas partes, nos indivíduos e com dificuldade de ampliar a visão e olhar para o todo.

mas é um destreino que estou experimentando fazer e observando o que acontece. vivo alguns lampejos de inspiração em que eu me encontro nesse estado de abertura por instantes, eapecialmente na relação com crianças e meu marido, mas normalmente a razão - e as emoções não reconhecidas, tomam a frente dos processos.

só que essa conversa tem tantos conceitos ao mesmo tempo que eu queria esmiuçar cada coisa, mas não tenho a menor esperança de conseguir.

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O ato de observar é algo que já está em nós, é uma capacidade inata, tal como bebês que aprendem as coisas por ver os rostos dos pais e o que acontece por associação, pois já nascemos com inteligencia. Mas nisso, a observação em si mesma não tem repertório e tende justamente a capitar o que o redor diz ainda que seja falso, pois em grande parte não há filtro.

O filtro só surge quando desenvolvemos a reflexão e interpretação observacional, pois elas sempre vão tomar como base as suas experiências anteriores, mas mesmo assim com condicionantes internos já absorvidos que sempre estruturam limites, por isso chamo de uma 'caixa geral'.

Em relação a simultaneidade da razão e intuição, entendo que depende onde mantemos a atenção. Não dá para manter os dois olhos abertos e fechados ao mesmo tempo, por exemplo, logo só dar para os abrir, fechar, ou manter um fechado e outro aberto, assim como no dia a dia parcelamos a intuição e a razão, um em função do outro, por isso falo do equilíbrio, só conseguimos ter fluidez, ao invés do tédio ou ansiedade, do excesso de subjetividade ou de objetividade, para cada coisa, por isso precisamos treinar para cada uma individualmente para ter um alto controle e autocontrole, tal como não conseguimos usar o mesmo tipo de flow do exercício físico ao buscar aprender uma nova língua.

Já em relação das nossas tendências individuais, eu tambem tendo a ser mais de pensar que de agir, mas noto que o nosso comportamento natural em relação aos pensamentos e ações tem também tem relação com o nosso metabolismo e não só com a nossa vivência. Por outro lado, não necessariamente essas propensões devem ser sempre equilibradas, o ideal é usar as virtudes da tendência de mais pensamentos para coisas que exigem isso, como por exemplo, para escrever, se comunicar melhor ou planejar algo, e por outro lado, nos vícios da maior tendência de pensamento buscarmos equilibrar com o treino da quietude (caminhada, meditação, contemplação...).

É realmente muita coisa, e é até um pouco complicado explicitar bem os pontos, mas muita coisa que eu falo aqui, eu já fiz ou já presenciei por experiência própria. Acho que dá para perceber que eu gosto de investigar coisas, de testar e de escrever 😅