Está difícil ler reportagem que diz que Moraes fez "censura", assim entre aspas. Como se não fosse fato que fez e continua fazendo, aliás não só de acordo com o padrão americano de liberdade de expressão, mas com o padrão da Constituição de 88 também. As aspas cínicas vêm do mesmo pessoal que aplaudiu quando o NYT e a Scientific American abandonaram qualquer pretensão de neutralidade e apoiaram Hillary Clinton em 2016. A ousadia aplaudida então por suposto compromisso com princípios agora se mostra tímida quando se trata de denunciar o tirano de toga.
A propósito... que momento histórico curioso para o pensamento político que crê que vai inventar coisa melhor que o liberalismo clássico (e previsivelmente vai fracassar). A dita esquerda acadêmica passou décadas abraçando o relativismo de Foucault, e até certo ponto ainda finge que abraça. Ao mesmo tempo, como se não houvesse contradição nenhuma, se sente tão segura de que pode explodir o relativismo determinando objetivamente o que é "fake news" e "desinformação" (ou explodir o relativismo moral, determinando o que é "discurso de ódio") que quer implantar isso nas leis. Duplipensar já não é mais uma palavra forte o suficiente para o tamanho dessas contradições.