Multinacionais não fazem pesquisa no Bostil.

Uma multi é obrigada a testar produtos, e as unidades testadas não podem ser vendidas. São doadas à caridade e/ou usadas em ações de marketing.

Universidade conversou com dept de marketing, conseguiu doação p/ projeto grande e midiático. Conversa vai... técnicos montadores poderiam adaptar o equipamento para o projeto com eficiência e qualidade, em poucas dezenas de horas. O equipamento ficaria mais bem acabado, "apresentável" para a imprensa, sem parecer projeto de aluno de doutorado colado com cuspe e silver-tape.

Engenheiros da empresa, em poucas horas, poderiam fornecer documentos e explicar especificações. Tudo seria mais fácil e produtivo com um pouco de apoio.

Escreveram uma proposta de apoio. Sem pedir verba, apenas algumas dezenas de horas de técnicos e acesso à palpites dos engenheiros, entusiasmados querendo ver a coisa funcionar. Os marketeiros aprovaram o custo benefício - midiático, participação oficial de longo prazo, mais ações de marketing, mais exposição na imprensa, com custo mínimo. Quanto vale aparecer no telejornal?

Os gerentes do marketing e engenharia aprovaram, até elogiaram. Subiu para os diretores e financeiro, aprovado. Chegou na mesa do VP europeu, que só viu a capa: apoio a pesquisa de universidade? Nem abriu, muito menos leu:

- Brasil ser produção. Nós não fazer pesquisa.

Tão errados? Pq pesquisar algo no Bostil se há centro de pesquisa na europa?

Resultado:

O projeto pagou para técnicos, como pessoas físicas, montarem o equipamento na garagem de casa, aos sábados de manhã.

Nenhum engenheiro quis dar nem palpite, por questões de confidencialidade. Os doutorandos acharam info sobre a interface na deep web pra poder integrar.

O projeto apareceu no telejornal, com a marca da empresa escondida com adesivo.

Reply to this note

Please Login to reply.

Discussion

No replies yet.