Por Renan Santos:

"TEXTÃO DA TRETA DA SEMANA

O Brasil se tornou um campo de batalha continental, em que jogadas político-midiáticas se dão em meio a coqueiros, canções de corno e jogos de futebol. É um teatro gigantesco e vingativo, tornado fim em si mesmo, cujo objetivo é a manutenção (e reprodução) de um determinado grupo nos espaços de poder.

Esse grupo, que se aglutinou ao redor de Lula (única figura capaz de vencer Bolsonaro ano passado), precisa depurar os dez anos de caos e instabilidade iniciados em 2013; precisa desmontar os meios de ação políticos (via redução de espaço para novos partidos e fundo eleitoral controlado por caciques); jurídicos ( detonar coaf, lava-jato, delações); e midiáticos (censura às redes sociais) que fundamentaram a maior crise sofrida por este sistema desde a redemocratização.

Pense bem: a constituição de 88 tem 35 anos. Em 10, quase 30%, o país vive em crise política insolúvel. Nestes mesmos 10 anos nosso modelo econômico ruiu, a renda per capita estagnou, a indústria desapareceu, o protagonismo internacional foi pros cucuias. O Brasil FRACASSOU.

Estas elites, responsáveis diretas por tal FRACASSO, culpam a consequência (crise que eclodiu em 2013) pelos efeitos sentidos, sem jamais atacar a causa — que vem a ser sua própria existência danosa. Logo, a luta que propõe pelo PL da Censura, e essa vingança contra a tentativa de golpe do grupo Bolsonarista — manifestação política bisonha das lutas de 2013 em diante — é, no fim do dia, a única coisa que importa para estes elementos.

Reparem: não há a MENOR IDÉIA do que se fazer para entregar um rumo ao país; ontem, governo tentou votar — e perdeu —, a manutenção de decreto arcaico sobre saneamento básico. Foi humilhado. E não pq o Congresso melhorou. Perdeu pois o congresso queria roubar mais. Ao mesmo tempo, cortes superiores lutam pela manutenção de privilégios do judiciário, ao passo que Fernando Haddad fala em “arcabouço fiscal” garantido à base de impostos sobre uma classe média empobrecida.

É óbvio que, na ausência de rumo, a luta é meramente sobre poder, sobrevivência e ocupação de espaços.

O Brasil que julgou enfrentar isso, nos últimos 4 anos, acreditou num palhaço. Bolsonaro JAMAIS foi resposta ao sistema; ele é apenas um elemento minoritário alçado a posição que nunca compreendeu. Basta ver sua reação diante da polícia (choro e remédios) comparada à obstinada postura do ladrão Lula, que encarou a cadeia como etapa inicial de sua vingança.

Assim, o calvário do ex-presidente, iniciado na operação de ontem, não deve ser o centro das questões para a oposição. Algo novo deve surgir sobre os escombros de 2013. Algo novo que nenhum de nós sabe exatamente o que será (e quem disser, hoje, está viajando). Mas algo tem que surgir. Até pq é isso ou permanecer à deriva. Todo o resto se tornou detalhe".

Fonte Twitter:

https://twitter.com/RenanSantosMBL/status/1654238324398104580?s=19

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