A Guerra dos Chimpanzés de Gombe: o que foi e por que aconteceu

Você sabia que os chimpanzés, nossos parentes mais próximos no reino animal, são capazes de travar guerras entre si? Pois é, isso aconteceu na década de 1970, no Parque Nacional de Gombe Stream, na Tanzânia, onde uma comunidade de chimpanzés se dividiu em dois grupos rivais e se envolveu em um conflito violento que durou quatro anos.

Esse episódio ficou conhecido como a Guerra dos Chimpanzés de Gombe, e foi observado pela famosa primatologista britânica Jane Goodall, que mudou tudo o que sabíamos sobre esses animais.

O início da guerra

Tudo começou com uma mudança de liderança na comunidade Kasakela, que vivia no vale central do parque. Em 1971, o macho alfa Leakey morreu, e foi sucedido por Humphrey, um chimpanzé do norte do vale. Humphrey era um líder benevolente, que aceitava os machos mais jovens e não os intimidava. No entanto, ele tinha dois rivais: Charlie e Hugh, dois irmãos que viviam no sul do vale e que ambicionavam o poder. Eles começaram a se afastar de Humphrey e a formar uma aliança com outros machos do sul, como Godi, De, Golias e Sniff. Assim, em 1974, a comunidade Kasakela se fragmentou em duas: a Kasakela, liderada por Humphrey, e a Kahama, liderada por Charlie e Hugh.

A partir daí, os dois grupos se tornaram inimigos, e passaram a disputar pelo território e pelos recursos do parque. Os Kasakela eram mais numerosos, com oito machos e doze fêmeas, enquanto os Kahama tinham apenas seis machos e três fêmeas. Os Kasakela também eram mais unidos e cooperativos, enquanto os Kahama eram mais individualistas e desorganizados. Essas diferenças fizeram com que os Kasakela levassem vantagem na guerra, que começou com um ataque surpresa aos Kahama em janeiro de 1974.

O desenrolar da guerra

O primeiro a morrer foi Godi, que foi emboscado e espancado por oito Kasakela enquanto se alimentava sozinho. Depois dele, outros machos Kahama foram sendo eliminados um a um, em ataques brutais e implacáveis. Os Kasakela não poupavam nem as fêmeas e os filhotes dos Kahama, que eram sequestrados, agredidos e até mortos. Os Kahama, por sua vez, tentavam resistir, mas eram incapazes de se defender ou de contra-atacar. Eles também não recebiam ajuda de outras comunidades de chimpanzés, que viviam isoladas e indiferentes ao conflito.

A guerra terminou em junho de 1978, quando o último macho Kahama, Sniff, foi morto pelos Kasakela. Com isso, a comunidade Kahama foi extinta, e os Kasakela se tornaram os donos do parque. Eles expandiram seu território para o sul, mas logo entraram em choque com outra comunidade, a Kalande, que os repeliu. Os Kasakela também tiveram que lidar com novos desafios, como doenças, predadores e caçadores humanos, que ameaçavam sua sobrevivência.

O significado da guerra

A Guerra dos Chimpanzés de Gombe foi um evento único e chocante, que revelou aspectos desconhecidos do comportamento dos chimpanzés. Ela mostrou que esses animais são capazes de planejar, cooperar, enganar, trair e matar uns aos outros, assim como os humanos. Ela também mostrou que eles têm uma cultura, uma política e uma moral, que variam de acordo com o grupo e o contexto. Ela ainda mostrou que eles são influenciados por fatores como personalidade, ambição, ciúme e lealdade, que moldam suas relações sociais.

A guerra também levantou questões sobre as causas e as consequências da violência entre os primatas, e sobre as semelhanças e as diferenças entre os chimpanzés e os humanos. Alguns cientistas sugeriram que a guerra foi provocada pela intervenção humana, que alterou o equilíbrio ecológico e social do parque. Outros argumentaram que a guerra foi um resultado natural da competição por recursos e da evolução dos chimpanzés. Ainda há muito a se descobrir sobre esses animais fascinantes, que nos ensinam tanto sobre nós mesmos.

https://twitter.com/viagempassado/status/1743939672458317892

Eu já tinha lido sobre esse caso. Foi uma guerreira entre facções mas uma das partes era muito mais engajado na guerra e na destruição do oponente.

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