Não existem direitos naturais. O direito natural é uma tentativa de racionalização de um regime hipotético onde haveria um suposto consenso sobre direitos básicos como se fossem inequivocamente deduzidos da própria natureza, ou da realidade ou de alguma origem inata, geralmente associada a alguma fonte de natureza religiosa. O direito natural é fofinho, bonitinho, mas assim como deus, ele não existe.
Todo "direito" pressupõe um limite externo, um impedimento para outros indivíduos, e nada existe na natureza. A natureza não tem direitos. Direitos são convenções humanas, sempre subjetivas e arbitrárias, como o valor na economia. Assim como todo valor é subjetivo, todo direito é subjetivo, contingente e convencional, não há forma de universalizar ou objetificar um direito, por mais fundamental que possa parecer.
O jovem crente vê no direito natural uma forma de expressar seus anseios sociais para uma sociedade baseada em seus valores religiosos, mas assim como a própria religião que professa, tal ordenação social não possui especificação, é aberta e indeterminada, decorre da pueril ilusão de que todos concordam sobre aquilo que é bom e o que não é, se alimentando da falta de coragem de seus pares de assumir suas dúvidas e da dissonância cognitiva que ignora as contradições dos corolários.
Mas e se deus não existe, o que existe? Mas e se o direito natural não existe, o que existe?
Bom, me acusem de adhoc, mas o que existe é o que existe, a realidade é o que é. O bom e velho princípio da identidade.