Eu não gosto de caracterizar os temos da literatura pela ação das pessoas, pois a ação das pessoas sempre vão gradualmente divergir da literatura e das definições estabelecidas, pois as pessoas geralmente são contraditórias e ignorantes.
Dito isso, eu não me importo com o que quem se diz anarcocapitalista ou agorista faz, eu me importo em entender os assuntos, ver se funcionam e como se aplicariam.
Ambos, o agorismo e o anarcocapitalismo não funcionam hoje como um todo talvez para ninguém. Não conheço ninguém dito agorista ou anarcocapitalista que consiga viver apenas dentro desses sistemas, pois ainda estão sujeitos ao Estado, pagam mesmo indiretamente impostos e mesmo que indiretamente consomem de corporações...
O meu intuito com o texto inicial não foi cair em nominalismo, mas apontar que a maioria das pessoas não estão chegando ao entendimento direto do sentido prático do que é anarcocapitalismo, pois para se ter leis privadas é necessário existir uma jurisdição, uma comunidade local sujeita a essas leis. Algo que não chega no agorismo, pois o agorismo não fala de estabelecer um sistema legal e sim de estabelecer um mercado marginal.
Esse é um problema que venho percebendo muito nos últimos dias, que praticamente de nada adianta ter descentralização de informação e tecnologia se localmente as pessoas estão aprisionadas, como em casos mais extremos em Cuba e na Coréia do Norte. Logo, muita gente é forçada a arriscar a vida saindo de uma jurisdição mais autoritária para uma menos autoritária, para pensar em talvez ter acesso a formas mais diretas e amplas de agorismo. Caso contrário, sofrem o grande risco de sofrerem mortes em massa por fome e doenças, mesmo com mercados cinzas ou negros.
Por isso entendo o anarcocapitalismo e o agorismo como complementares, embora eu ainda não veja uma sociedade mais diretamente anarcocapitalista. O mais próximo disso hoje (mas ainda longe) são alguns microestados europeus.