A pedido do Mestre, o músico cantou algumas canções, uma das quais descrevia o despertar da Kundalini e dos seis centros:

Desperta, Mãe! Desperta! A quanto tempo Tu estás dormindo

No lótus do Muladhara!

Cumpre Tua função secreta, Mãe:

Sobe até o lótus de mil pétalas dentro da cabeça.

Onde o poderoso Shiva tem Sua morada.

Rapidamente penetra os seis lótus

E retira minha tribulação, Ó Essência de Consciência!

Mestre:

“A canção fala da passagem da Kundalini através dos seis centros. Deus está tanto dentro como fora. No interior Ele cria os diversos estados mentais.

Depois de ter passado pelos seis centros, o jiva vai além do domínio de maya e une-se à Alma Suprema.

Esta é a visão de Deus.

“Não se pode ver Deus a não ser que maya saia da porta.

Rama, Lakshamana e Sita estavam caminhando juntos.

Rama ia na frente, Sita no meio e Lakshmna os seguia, mas Lakshmana não podia ver Rama porque Sita interpunha-se entre eles.

Do mesmo modo, uma pessoa não pode ver Deus porque maya está no meio.

(A Mani Mallick):

Mas maya se afasta da porta quando Deus concede Sua gra-

ça ao devoto.

Quando o visitante fica de pé defronte da porta, o porteiro diz ao patrão:

‘Senhor, dê-nosordem e nós o deixaremos passar.’

“Há duas escolas de pensamento: Vedanta e Puranas.

Segundo a Vedanta, o mundo é uma ‘estrutura de ilusão’, isto é, tudo é ilusório como um sonho, mas segundo os Puranas, livros de devoção, o Próprio Deus tornou-Se os vinte quatro princípios cósmicos.

Adore Deus interior e exteriormente.

Esta história é narrada no Mahabharata.

Drona recusou-se a ensinar a arte de manejar o arco e a flecha a Ekalavya, porque este último pertencia a uma casta inferior.

Por conseguinte, Ekalavya foi para a floresta e treinou diante da imagem de barro de Drona, a quem considerava seu mestre.

Ao longo do tempo, tornou-se um exímio arqueiro. Quando Drona descobriu que ele havia ultrapassado o próprio Arjuna, seu discípulo muito amado, nessa arte, pediu a Ekalavya para lhe dar seu polegar

como taxa de instrutor.

Ao obedecê-lo, Ekalavya demonstrou seu espírito de sacrifício e também, amor ao mestre.

“Enquanto Deus mantém a consciência do ‘eu’ em nós, o objetos dos sentidos existem e não podemos falar do mundo como sendo um sonho.

Há fogo no fogão, portanto, o arroz, os grãos, as batatas e outros vegetais pulam na panela.

Pulam como se dissessem:

‘Estamos aqui! Estamos pulando!’

Este corpo é a panela. A mente e a inteligência são a água.

Os objetos dos sentidos são o arroz, as batatas e outros vegetais.

A consciência do ‘eu’ identificada como os sentidos diz:

‘Estou pulando’. Satchidananda é o fogo.

“Em conseqüência as escrituras bhakti descrevem este mundo como uma ‘mansão de alegria’.

Ramprasad cantou em uma das canções.

‘Este mundo é uma estrutura de ilusão.’

Um outro devoto deu a resposta:

‘Este mundo é uma mansão de alegria.’

Como diz o ditado:

‘O devoto de Kali, livre enquanto vive, está pleno de Bem-aventurança Eterna.’

O bhakta vê que Aquele que é Deus, também tornou-Se maya.

Assim também, Ele Próprio tornou-Se o universo e todos os seres vivos.

O bhakta vê Deus, maya, o universo e o seres vivos como um.

Alguns devotos vêem tudo como Rama; é apenas Rama que Se tornou tudo.

Alguns vêem tudo como Radha e Krishna. Para eles é apenas Krishna quem Se tornou os vinte e quatro princípio cósmicos.

É como ver tudo verde através de óculos verdes

Sri Ramakrishna

O Evangelho de Ramakrishna

capítulo 11: - COM OS DEVOTOS EM DAKSHINESWAR (I)

Domingo, 10 de junho de 1883

Templo Ramakrishna Calcutá Índia

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