A verdade é que não existe ideologia mais ignóbil, fútil, desarrazoada, escravagista e antiética do que o nacionalismo. Infelizmente, nacionalistas parecem ser incapazes de compreender que — como tudo o que os seres humanos fazem — nações são organizações políticas de caráter efêmero e passageiro. Não faz sentido nenhum lutar por elas ou por sua manutenção. Hoje elas existem, mas amanhã não existirão mais. No mundo em que vivemos, mudanças são simplesmente inevitáveis.
A história mostra isso. Onde está o Império Romano? A União Soviética? A Iugoslávia? Hoje, essas nações existem apenas nos livros de história. Da mesma forma, o Brasil não existirá para sempre, assim como nem mesmo os Estados Unidos, a China ou o Canadá. Todos esses países provavelmente se fragmentarão e se multiplicarão em inúmeras nações e territórios menores.
Em um mundo comandado por seres humanos, nada é permanente. Tudo é transitório e está em um estado constante de mudanças. O nacionalista, infelizmente, é aquela pessoa que resiste à mudanças naturais e persiste em tentar prender todos ao passado, lutando para preservar uma fantasia política que inevitavelmente vai se desintegrar e deixar de existir, uma hora ou outra.
Ao contrário de filosofias mundanas e antiéticas como o nacionalismo, a liberdade e a emancipação dos indivíduos representam valores coesos que produzem resultados concretos, dos quais florescem progresso, prosperidade e desenvolvimento, em todos os níveis — sejam eles profissionais, pessoais, morais, individuais ou comunitários. No final das contas, nada é superior a uma sociedade genuinamente livre.
No início do século XIX, ninguém achava que a abolição da escravatura seria possível. Hoje, da mesma forma, são poucos os que vislumbram as possibilidades de uma sociedade de autogoverno, com descentralização e soberania individual sendo os elementos condutores da civilização. Isso não significa dizer que tal coisa é impossível. No início do século XIX, ninguém acreditaria que em questão de menos de um século, negros poderiam ser livres e iguais aos brancos, usufruindo exatamente dos mesmos direitos. Hoje, seria inconcebível alguém propor que os negros voltem a ser escravos dos brancos. O que parecia impossível no início do século XIX é uma realidade incontestável no século XXI.
É fundamental entender que o nacionalismo não é nada além de uma ideologia torpe, vulgar e retrógrada, que beneficia muito mais a classe política do que a sociedade. Os frutos da liberdade, por outro lado, são muito superiores aos de qualquer tipo de centralização.
Não há no nacionalismo qualquer valor coeso ou moralmente salutar pelo qual lutar. O nacionalismo é uma ideologia mundana que ensina pessoas a serem fantoches servis e submissos dos mandatários que estão no poder. Manter uma nação inteira em estado de servidão — obrigando-as a serem escravas de parasitas pérfidos, criminosos e egoístas — é trabalhar contra o progresso e o desenvolvimento, a favor do retrocesso e da decadência.
No final das contas, é com a menor unidade, o indivíduo, que devemos nos preocupar. Priorizando o indivíduo, priorizamos o mundo. Priorizando o coletivo, não priorizamos ninguém. A luta por emancipação intransigente está tão ligada à liberdade quanto a manutenção natural da vida. Para acabar com a escravidão, o próprio conceito de nação precisa mudar. A integração do indivíduo a uma comunidade deve ser uma decisão voluntária e espontânea, não uma obrigação imposta por burocratas através de leis arbitrárias e inflexíveis.