Estamos cada vez mais terceirizando o trabalho, agora terceirizamos cada vez mais a inteligencia e tendemos a terceirizar o próprio ser humano, e a própria vida e vivência.

O alto apelo na tecnologia está em muitos pontos nos tornando como máquinas, como seres que trabalham para criar algo mais 'útil' que a si mesmo, como se a vida fosse uma busca incessante por funções, como seres que criam e usam sistemas para não terem mais que criar, na esperança de um dia, num suposto futuro, só receber, sem mais qualquer esforço ou sequer imergir em alguma vivência.

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As vezes me pego por pensar nisso.

Acredito que nos próximos séculos, chegaremos em um ponto de introduzir nossas vidas em máquinas.

Isso não me espanta, já somos cercados por elas de qualquer forma.

Já existem óculos de realidade virtual e realidade aumentada, estão sendo produzidos diferentes androids, já estão colocando chips no cérebro, sem falar que os celulares já se tornaram como um órgão, como uma segunda mente, em que as pessoas não conseguem parar de usar...

E com isso tudo, só se percebe pessoas mais cansadas, desgastadas, euforicas por entretenimento, informação e imersão digital, financiando isso tudo e ainda sendo cobaias, oferecendo dados para as corporações.

O mundo atual é muito mais bizarro que qualquer episódio de Black Mirror, se olharmos bem e formos mais a fundo.

E a ideia do transumanismo, que é tipo transferir a mente em dados digitais?

O corpo físico morre, mas a consciência e o conhecimento "permanecem".

O que acha desta ideia,?

É basicamente se matar para produzir um clone digital achando que foi transportado para a máquina. Na prática, é dar a sua mente e vida completamente para o sistema.

É a mesma ideia de teletransporte. Na prática, se matar em um lugar, se pulverizando e criamdo um clone idêntico em outro, que acha que é o ser original por conta das memórias e aparência exatas...

E o que o sistema corporativo mais quer é normalizar o suicídio, pois assim ele pode matar ou usar qualquer um, afirmando que foi consentido.

O caminho do ser humano, a meu ver é evoluir como humano e não como algo externo. "Evoluir" como algo externo é criar um ser que já não é e não pode ser humano, por ser por si mesmo, em sua estrutura, outro ser, geralmente muito mais dependente.

Acho que o caminho mais saudável do transhumanismo é aproximar as máquinas do que é um ser humano como forma de as sofisticar e nos acompanhar na velhice, e criar nanotecnologias de saúde, mas sem se afastar do que é naturalmente humano. Ou melhor, sem usar as máquinas como subtitutas ou intromissoras do que já funciona.