Deus não existe, e o que não existe não tem conteúdo moral.

Existe uma deturpação religiosa muito grande hoje em relação a isso. Ninguém hoje empresta grande fé a um Deus concreto, que existe no mundo real, ao invés disso recorrem a teorias abstratas que criam um deus metafísico, como em Aquino e Espinosa. Um deus abstrato não pode ser verificado no mundo material, é uma ideia que não pode ser provada ou desprovada.

Segundo a ideia do deus metafísico, ele não pode ser onipotente e ter vontade ao mesmo tempo. Se ele pode tudo, não pode desejar nada que não se concretize pela força de sua onipotência, desse modo, ou não é onipotente ou não possui vontade, sendo mais razoável esta última. Neste sentido, o deus abstrato é impassível, sem vontade, se confundindo com a própria natureza, nem bom, nem mau.

A mesma natureza que cria o leão, criou a zebra, sua preza, o mesmo deus que criou o assassino, criou a vítima, criou a crueldade e a covardia.

Nesse ponto se percebe que a maioria dos religiosos se arvora no argumento do deus metafísico, mas logo esquecem dele para dar fé a religiões arcaicas com deuses concretos, volitivos, com conteúdo moral.

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