Na lógica distorcida do paternalismo político, só caberia à população ovacionar e aplaudir todas as falas dos mandatários, mesmo as mais absurdas, jamais questionar ou criticar, apenas cumprir com seus deveres (pagar impostos para alimentar o Estado e eventualmente votar). Nos casos extremos, nos países onde a democracia deu lugar ao autoritarismo e às ditaduras, isso é ainda mais evidente. A pessoa não tem qualquer valor, apenas existe a vontade do Estado (e do seu governo).

Isso explica a ojeriza dos políticos com qualquer ação que mostre a mobilização popular independente. A união das pessoas em torno de uma iniciativa, como a que se vê em prol do Rio Grande do Sul, assusta os (maus) políticos. Eles querem uma população dependente e apática, que apenas cruze os braços e acredite que tudo depende da boa vontade dos governantes – e se contente com as migalhas que eles atiram de tempos em tempos. Para maus governantes, é muito melhor que a população não perceba que pode, sim, ser capaz de agir e transformar a realidade ao seu redor, muitas vezes – quase sempre – de forma muito mais efetiva e eficiente que a dos governos.

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