Apesar de discordar do radicalismo do Islam e querer que realmente fosse um mito e de concordar que o criticismo seja aplicado ao Islam como foi aplicado ao cristianismo e ainda do meu pouco conhecimento sobre o assunto, mas o dr. Jay Smith é visto com controvérsia pelos seus pares, até parece que ele está forçando a Barra. É mais provável que Maomé tenham existido pois existem relatos cristão do nome "Maomé" e da cidade , já Meca, tem pouca sustentação.
Dediquei alguns minutos sobre o assunto e já foi insuficiente pra não querer me posicionar totalmente a favor da argumentação dele.
Aguardo ansioso por mais desdobramentos.
Segue o copiar e colar dos textos que li:
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Diferente do que o Dr. Jay Smith sugere em sua palestra, existem vários textos cristãos e não muçulmanos que mencionam Maomé poucos anos após a data tradicional de sua morte (632 d.C.). Esses registros são cruciais para historiadores porque fornecem uma perspectiva externa e contemporânea sobre as origens do Islã.
Aqui estão os principais textos cristãos do século VII que mencionam o profeta:
1. Doutrina Jacobi nuper baptizati (c. 634 d.C.)
Este é considerado o mais antigo registro não muçulmano que alude a Maomé. É um texto grego escrito no Norte da África, apresentando um diálogo entre judeus.
* O que diz: Menciona um "profeta enganador" que apareceu entre os sarracenos (árabes). Um dos personagens relata ter recebido uma carta dizendo: "Um profeta falso apareceu... Ele vem com espadas e carros? [...] Não se encontra nada verdadeiro no referido profeta, exceto o derramamento de sangue humano".
* Importância: Mostra que apenas dois anos após a morte de Maomé, já havia notícias no Mediterrâneo sobre um líder profético árabe.
2. Fragmento de Thomas, o Presbítero (c. 640 d.C.)
Este é um pequeno registro em siríaco escrito na margem de um manuscrito dos Evangelhos.
* O que diz: Ele menciona explicitamente o nome de Maomé: "Houve uma batalha entre os romanos e os árabes de Maomé (tayyaye d-Mhmt) na Palestina, a doze milhas a leste de Gaza".
* Importância: É a primeira vez que o nome "Maomé" aparece de forma clara em um texto histórico não islâmico, associando-o a conquistas militares.
3. Crônica de Sebeos (c. 660 d.C.)
Escrita por um bispo armênio, esta crônica detalha as conquistas árabes e o surgimento de sua nova fé.
* O que diz: Descreve Maomé como um mercador que ensinou aos árabes sobre o Deus de Abraão, proibindo-os de comer carne de animais mortos, beber vinho e praticar a fornicação. Sebeos afirma que Maomé dizia ser um enviado de Deus para liderar os árabes à terra prometida.
* Importância: Oferece um resumo surpreendentemente preciso dos ensinamentos básicos de Maomé e de sua missão monoteísta.
4. Crônica de Maronita (c. 664 d.C.)
Um texto siríaco que descreve disputas entre diferentes seitas cristãs sob o domínio árabe.
* O que diz: Menciona que Mu'awiya (o primeiro califa omíada) não usava uma coroa como os reis bizantinos, mas seguia os costumes dos árabes e as diretrizes deixadas por Maomé.
Resumo das Visões Cristãs Medievais
Ao longo dos séculos seguintes, a imagem de Maomé nos textos cristãos mudou drasticamente. Na Idade Média, ele era frequentemente retratado como um herege, um impostor ou até o Anticristo. Pensadores como Dante Alighieri e Ramon Llull o incluíram em suas obras como alguém que causou uma divisão na fé cristã original.
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A questão de Meca é, na verdade, o ponto onde os argumentos do Dr. Jay Smith encontram mais eco na academia, pois, diferentemente da figura de Maomé (da qual existem relatos externos), Meca é virtualmente invisível nos registros escritos do século VII.
Aqui está o que as fontes cristãs e não muçulmanas da época revelam (ou deixam de revelar):
1. O Silêncio das Fontes (Século VII)
Não existe nenhuma menção explícita a uma cidade chamada "Meca" em textos cristãos, siríacos, gregos ou armênios durante todo o primeiro século do Islã.
* Os cronistas cristãos da época (como Sebeos ou João de Nikiu) descrevem os árabes vindo do deserto ou do "sul", mas nunca citam Meca como seu centro religioso ou capital.
* Eles costumam se referir aos locais sagrados dos árabes de forma genérica ou associados a Abraão em locais diferentes (como o deserto de Paran ou locais na Mesopotâmia).
2. A Crônica de 741 (A primeira menção?)
A primeira menção externa que os historiadores geralmente aceitam como uma referência a Meca aparece em um texto latino conhecido como a Crônica Moçárabe de 741 (escrita na Espanha).
* Mesmo assim, a referência é breve e tardia, ocorrendo mais de 100 anos após a morte de Maomé. Isso sustenta o argumento de Smith de que Meca não era uma metrópole comercial ou religiosa de importância internacional no início do século VII.
3. Registros que descrevem outros locais
Em vez de Meca, alguns textos cristãos antigos sugerem que os árabes davam importância a outros lugares:
* João bar Penkaye (c. 687 d.C.): Um monge siríaco que viveu sob o domínio árabe. Ele escreve sobre as crenças dos "Hagarrenos" (árabes), mas não menciona Meca nem a Caaba como o destino de suas orações.
* A Disputa de Monge com um Sarraceno: Textos desse tipo mostram cristãos questionando os árabes sobre por que eles rezam em direção ao sul, mas a resposta muitas vezes refere-se à "Casa de Deus" ou ao "Lugar de Abraão" de forma abstrata, sem nomear a cidade de Meca.
Por que isso é importante?
Para historiadores como o Dr. Jay Smith e Dan Gibson, esse silêncio é a "arma do crime". Eles argumentam que:
* Mapas Antigos: Meca não aparece em mapas de Ptolomeu ou em rotas de comércio de especiarias do século VI e VII.
* Geografia do Alcorão: O Alcorão menciona oliveiras e vegetação que não crescem em Meca (que é um deserto árido), mas crescem no Mediterrâneo ou na Transjordânia (região de Petra).
O Contra-argumento Acadêmico
A maioria dos historiadores explica esse silêncio de forma mais simples:
* Meca era provavelmente um santuário local menor, importante para as tribos da Arábia, mas irrelevante para os impérios Bizantino e Persa até que o Islã se tornasse uma potência mundial.
* Os cristãos da época não tinham interesse em mapear a geografia interna da Arábia; eles estavam focados nas batalhas e nos impostos.
Resumo da Verificação: No caso de Meca, os textos cristãos confirmam que a cidade era desconhecida ou irrelevante para o mundo exterior até o século VIII. Isso dá "sentido" à dúvida de Smith, embora não prove necessariamente que a cidade não existia, apenas que ela não tinha a importância que a tradição islâmica posterior lhe atribuiu.