As ideologias, minha cara leitora, assemelham-se àquelas embarcações frágeis de papel, que, com pompa e circunstância, são lançadas ao vasto oceano, como se pudessem cruzá-lo sem sucumbir. Mal tocam as águas da realidade, porém, e já se afundam, tragadas por sua própria insustentabilidade. Prometem, com eloquência, levar-nos à terra prometida, mas ignoram que a vida não se curva aos caprichos de teorias. As utopias, por sua vez, são como as miragens de que tanto nos falam os viajantes do deserto: belas, sedutoras, mas voláteis. Tocá-las é vê-las dissipar-se como fumaça, pois, por mais que floresçam nas ideias, murcham ao pisarem o solo ingrato da existência. A vida, afinal, não se ajusta aos sonhos, e as utopias, como as ilusões dos enamorados, desfazem-se no primeiro raio de sol que a realidade lhes lança.

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