O bem é uma coisa; o prazer é outra. Esses dois, diferindo em seus propósitos, incitam à ação.

Abençoados são aqueles que escolhem o bem; aqueles que escolhem o prazer não atingem o objetivo.

Tanto o bem como o prazer se apresentam ao homem. Os sábios, após examinarem ambos, distinguem um do outro. Os sábios preferem o bem ao prazer; os tolos, levados por desejos carnais, preferem o prazer ao bem.

Vós, Ó Nachiketa, após haverdes observado os desejos carnais, agradáveis aos sentidos, renunciastes a todos eles. Vós vos desviastes do caminho lamacento no qual muitos homens se atolam.

Distantes um do outro, e levando a diferentes desígnios, encontram-se a ignorância e o conhecimento.

Eu vos considero, Ó Nachiketa, como alguém que anseia pelo conhecimento, pois uma infinidade de objetos agradáveis foram incapazes de tentar-vos.

Vivendo no abismo da ignorância, embora julgando-se sábios, tolos iludidos dão voltas e voltas, cegos levados por cegos.

Ao jovem irrefletido, enganado pela vaidade das posses terrenas, não é mostrado o caminho que leva à morada eterna.

"Somente este mundo é real: não existe depois!", pensando assim, ele cai uma e outra vez, nascimento após nascimento, dentro das minhas mandíbulas (quem fala é Yama o deus da morte).

A muitos não é concedido ouvir sobre o Eu. Muitos, embora ouçam a respeito dele, não o compreendem. Maravilhoso é aquele que fala a respeito do Eu. Inteligente é aquele que aprende a respeito

do Eu. Abençoado é aquele que, tendo aprendido com um bom mestre, é capaz de compreendê-lo.

A verdade do Eu não pode ser completamente compreendida quando ensinada por um homem ignorante, pois as opiniões a respeito dele, não fundamentadas no conhecimento, variam de um para outro.

Mais sutil do que o mais sutil é esse Eu, e além de toda lógica. Ensinado por um mestre que saiba que o Eu e Brahman são um só, um homem deixa para trás a vã teoria e atinge a verdade.

O despertar que conhecestes não vem do intelecto, e sim, totalmente, dos lábios dos sábios. Bem amado Nachiketa, bendito, abençoado sois vós, porque procurais o Eterno. Quisera eu ter mais

discípulos como vós!

Bem sei que os tesouros terrestres duram pouco. Pois não fiz eu mesmo, desejando ser o Deus da Morte, o sacrifício com o fogo? O sacrifício, porém, foi uma coisa efêmera, realizada com objetos fugazes, e pequena é minha recompensa, considerando que meu reino só durará por um momento.

A finalidade do desejo mundano, os objetos fulgurantes que todos os homens almejam, os prazeres celestiais que esperam obter através de rituais religiosos tudo isso esteve ao vosso alcance. Porém, a

tudo isso renunciastes, com firme resolução.

O antigo, fulgurante ser, o Espírito que habita interiormente, sutil, profundamente oculto no lótus do coração, é difícil de ser conhecido. Porém, o homem sábio, que segue o caminho da meditação,

conhece-o, e se torna liberto tanto do prazer como da dor.

O homem que aprendeu que o Eu está separado do corpo, dos sentidos e da mente, e que o conheceu por completo, a alma da verdade, o princípio sutil - tal homem verdadeiramente o alcança, e se torna extremamente satisfeito, pois encontrou a fonte e o local onde habita toda a felicidade.

Verdadeiramente acredito, Ó Nachiketa, que as portas da felicidade estão abertas para vós.

Nachiketa:

Ensinai-me, Ó Rei, eu vos suplico, o que sabeis estar além do certo e do errado, além da causa e do efeito, além do passado, do presente e do futuro.

O Rei da Morte:

Do objetivo que todos os Vedas proclamam, o qual está implícito em todas as penitências, e em busca do qual homens levam vidas de continência e de serviço, dele falarei sucintamente. Ele é - OM.

Esta sílaba é Brahman. Esta sílaba é de fato suprema. Aquele que a conhece realiza o seu desejo.

Ela é o apoio mais forte. É o símbolo mais elevado. Aquele que a conhece é reverenciado como um conhecedor de Brahman.

O Eu, cujo símbolo é OM, é Deus onisciente. Ele não nasce. Ele não morre. Ele não é nem causa nem efeito. Esse Ser Antigo não nasceu, é eterno, imperecível; embora o corpo seja destruído, ele não é

aniquilado.

Se o assassino pensa que ele mata, se o assassinado crê que ele é morto, nenhum dos dois conhece a verdade.

O Eu não mata nem é morto.

Menor do que o menor, maior do que o maior, esse Eu habita para sempre dentro dos corações de todos. Quando um homem está livre de desejos, com sua mente e seus sentidos purificados, ele contempla a glória do Eu e está sem sofrimento.

Apesar de sentado, ele viaja para longe; embora descansando, ele move todas as coisas. Quem, a não ser o mais puro dos puros, pode perceber esse Ser Fulgurante, que é a felicidade e que está além da

felicidade?

Ele não possui forma, embora habite a forma. No meio do transitório, ele permanece perene. O Eu é supremo e tudo permeia.

O homem sábio, conhecendo-o em sua verdadeira natureza, transcende toda dor.

O Eu não é conhecido através do estudo das escrituras, nem através da sutileza do intelecto, nem através de muito aprendizado. Mas é conhecido por aquele que anseia por ele.

O Eu revela verdadeiramente a ele o seu genuíno ser.

Om...Que Brahman nos proteja,

Que ele nos guie,Que nos dê força e entendimento correto.

Que o amor e a harmonia estejam com todos nós.

OM... Paz - paz - paz.

Katha Upanishad

Os Upanishads

Tradução de Swami Prabhavananda

#katha upanishad 1

os Upanishads são as escrituras mais antigas da terra, são as porções filosóficas dos vedas, São chamados de Vedanta junto como Bhagavad Gita e o Brahma Sutras, estima-se sua idade em mais de 7 mil anos no passado da humanidade.

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