O PEIXE QUE VOCÊ NÃO QUERERIA COMER: O HORROR ROSA DOS ABISSOS INDUSTRIAIS

Desprende-se do garfo, um garfo qualquer em um restaurante qualquer de uma cidade qualquer, uma lâmina deliciosa de um rosa tão perfeito que parece irreal. E irreal, de fato, é. É o rosa da mentira, a cor de um engano global que finca suas raízes nas águas turvas dos fiordes noruegueses, nos lochs escoceses castigados pela chuva, nos espelhos d'água chilenos onde o negócio substituiu a natureza. Um engano do qual, talvez, preferíssemos permanecer alheios. Porque se cada consumidor, no exato momento em que leva à boca essa mordida gorducha e saborosa, pudesse enxergar com os olhos da mente o que se esconde por trás dessa perfeição cromática, o mercado do salmão de cativeiro desabaria em um nanossegundo de horror coletivo.

Imaginem, mas não, não imaginem. Olhem. Olhem para as colunas d'água, cercados subaquáticos onde a vida é anulada em nome da produtividade. Uma massa palpitante e prateada de peixes forçados a espaços tão angustiantes que o próprio conceito de nadar se torna uma zombaria cruel. São fantasmas do que deveriam ser, criaturas nascidas para subir as correntezas dos rios, para lutar contra a corrente, e que em vez disso arrastam uma existência passiva em um gigantesco tanque de criação. A densidade é tal que a água, às vezes, parece mais peixe que líquido. E desse aglomerado desumano surgem as doenças, pragas que se propagam como fogo em uma campanha de corpos debilitados. Para mantê-las sob controle, recorre-se a um arsenal químico digno de um laboratório de guerra: pesticidas para eliminar os piolhos-do-mar que devoram suas carnes, antibióticos administrados não como cura, mas como profilaxia, um lento, inexorável gotejar de venenos que se acumula na gordura, no músculo, naquilo que se tornará nosso jantar.

E a manipulação não para na saúde, alcança a própria essência da vida. Brinca-se com o DNA, selecionam-se exemplares não por sua força ou seu instinto, mas pela velocidade de crescimento e o rendimento em filé. São produtos, não mais animais. Máquinas biológicas cujo único propósito é engordar e morrer. E a cor? Ah, a cor! Aquele rosa sedutor que associamos à saúde, aos mares intocados do Alasca, é uma fraude colossal. O salmão de cativeiro, alimentado com pellets industriais, tem uma carne acinzentada, sem vida, pouco convidativa. Então, na escuridão desses criadouros-lager, adiciona-se à ração um coquetel de astaxantina e cantaxantina de síntese, pigmentos que tingem a carne daquele rosa de cartão-postal animado. É um truque de mágica, a última zombaria contra o consumidor e o próprio peixe.

Mas o horror não está confinado nas gaiolas. Transborda, propaga-se como uma mancha de óleo nos oceanos do mundo. Para alimentar esses carnívoros transformados em vegetarianos obrigatórios industriais, saqueiam-se os mares. Ao largo do Senegal, onde comunidades locais dependem do peixe para sua sobrevivência, navios-fábrica vasculham os abissos, subtraindo toneladas de peixes pequenos e crustáceos para reduzi-los a farinha. É uma transferência de proteínas dos pobres para os ricos, um roubo legalizado que esgota o mar e faminta as populações. E não basta. A soja, o novo ouro verde, torna-se ingrediente principal dessa ração. Monoculturas extensas que avançam como um exército na Amazônia, devorando a floresta tropical, pulmão do planeta, para alimentar um peixe que não deveria comer soja. Um curto-circuito ecológico de uma loucura inaudita.

Diante desse sistema perverso, dessa máquina que transforma vida em produto embalado, há quem não fique em silêncio. Ativistas, biólogos marinhos, jornalistas inconvenientes, pescadores tradicionais. Lutam. Com imagens roubadas que mostram o inferno subaquático, com denúncias, com a força das ideias. A deles é uma batalha para restituir dignidade à vida, para nos lembrar que a comida que escolhemos tem um peso, uma história, muitas vezes manchada de sangue e veneno.

Nossa relação com o prato precisa mudar. Precisa se tornar um ato de consciência, uma escolha política. Não se trata apenas de abrir mão de um sabor, mas de realizar um gesto de rebeldia contra um modelo de desenvolvimento que está esvaziando os mares, derrubando florestas e envenenando a nós mesmos. Aquele garfo, aquela mordida de um rosa tão perfeito, é uma encruzilhada. Podemos continuar engolindo a mentira, ou podemos perguntar, exigir, uma outra maneira. Pelos rios que um dia os salmões poderão subir novamente. Pelo mar que deveria ser azul, não cinza de cativeiro. Por nós, que temos o dever de ser mais do que simples consumidores.

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🦅 Cheyenne Isa ₿ 🦅

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Discussion

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