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**Análise Marxista do Genocídio: Violência Estrutural e a Lógica do Capitalismo**

O genocídio, sob uma perspectiva marxista, não é um ato isolado de "ódio étnico" ou "barbárie irracional", mas uma **expressão extrema das contradições do capitalismo**, do imperialismo e da luta de classes. Sua análise requer compreender como o sistema capitalista, em sua busca por acumulação, **destrói povos inteiros** para garantir o controle de terras, recursos e mão de obra, utilizando o Estado, o racismo e a guerra como ferramentas. Abordaremos as raízes materiais do genocídio, sua função no sistema mundial e as resistências que emergem.

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### **1. Genocídio como Produto do Capitalismo: Acumulação por Espoliação**

#### **a) Primitive Accumulation e colonização:**

- Marx já destacava que o capitalismo nasceu da **violência colonial**: a destruição de civilizações indígenas nas Américas, a escravidão africana e o saque de recursos foram genocídios estruturais para criar mercados e acumular capital.

- **Exemplo**: O genocídio dos povos indígenas nas Américas (ex.: massacre de 90% da população nativa entre 1492-1600) permitiu a expropriação de terras para plantations e mineração.

#### **b) Guerra e destruição criativa:**

- O capitalismo, em crise, recorre à guerra para destruir forças produtivas e reorganizar o poder. Genocídios como o **Holocausto** (6 milhões de judeus, roma, deficientes) foram parte da **reorganização racial do trabalho** pelo nazismo, vinculado ao capital monopolista alemão (ex.: IG Farben usou trabalho escravo em Auschwitz).

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### **2. Imperialismo e Genocídio nas Periferias**

#### **a) Colonialismo interno e apartheid:**

- **África do Sul**: O apartheid (1948-1994) foi um genocídio lento, com remoção forçada de terras, trabalho escravo e massacres (ex.: Soweto, 1976). O objetivo era garantir mão de obra barata para as minas de diamantes e ouro.

- **Palestina**: A ocupação israelense, com bombardeios a Gaza, expulsão de beduínos e apartheid racial, é um genocídio em curso, vinculado ao controle de água e terras para o capital sionista.

#### **b) Neocolonialismo e megaprojetos:**

- **Amazônia**: Povos indígenas como os yanomami são dizimados por garimpeiros, madeireiras e agronegócio, em nome do "progresso". O garimpo ilegal, tolerado pelo Estado, contamina rios e mata crianças por desnutrição.

- **Rohingya**: O exército de Mianmar, apoiado por capitalistas locais e estrangeiros, cometeu genocídio (2017) para expulsar muçulmanos e liberar terras para projetos chineses e tailandeses.

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### **3. Estado, Classe e Tecnologia do Genocídio**

#### **a) Estado como instrumento de classe:**

- O genocídio é sempre **planejado por elites** para eliminar ameaças à acumulação. No **genocídio armênio** (1915), o Império Otomano eliminou 1,5 milhão de armênios para consolidar o poder turco-nacionalista, com apoio de capitalistas alemães.

- **Brasil**: O Estado colonial-genocida eliminou 90% dos povos originários e, hoje, mata jovens negros nas periferias (ex.: 77% das vítimas de homicídio no Brasil são negras, segundo o FBSP, 2023).

#### **b) Tecnologia e burocracia da morte:**

- O capitalismo industrializou o genocídio: câmaras de gás nazistas, armas químicas em **Guernica** (1937) e drones no Iêmen (EUA/Arábia Saudita) são meios de **racionalizar a matança**.

- **Algoritmos de exclusão**: Hoje, o apartheid digital (ex.: vigilância de uigures na China via IA) permite genocídios "limpos" e invisíveis.

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### **4. Interseccionalidade: Raça, Classe e Gênero no Genocídio**

#### **a) Racismo como arma:**

- O genocídio é sempre **racializado**: o nazismo definiu judeus como "raça inferior"; o colonialismo belga no Congo (1885-1908) matou 10 milhões de africanos, cortando mãos de quem não produzia borracha.

- **Genocídio negro**: No Brasil, a letalidade policial (ex.: 6.418 mortes por PMs em 2022) e a necropolítica nas favelas são genocídio lento, garantindo a **exclusão de corpos "excedentes"** do mercado de trabalho.

#### **b) Violência de gênero e colonialismo:**

- O estupro sistemático de mulheres tutsis no **genocídio de Ruanda** (1994) foi arma para destruir a coesão social.

- **América Latina**: A violência contra mulheres indígenas (ex.: desaparecidas em Ciudad Juárez) está ligada à expansão do maquiladoras e narcotráfico.

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### **5. Crise do Capitalismo e Genocídio Ambiental**

#### **a) Ecocídio como genocídio:**

- O capitalismo destrói ecossistemas que sustentam povos tradicionais. No **Chaco paraguaio**, fazendeiros eliminam comunidades indígenas para plantar soja.

- **Mudanças climáticas**: Ilhas do Pacífico (ex.: Tuvalu) são apagadas do mapa, enquanto corporações petrolíferas lucram com o caos climático.

#### **b) Pandemias e necropolítica:**

- A destruição de habitats (ex.: desmatamento na Amazônia) aumenta zoonoses (ex.: Covid-19). O Estado capitalista responde com **genocídio por negligência** (ex.: 660 mil mortos no Brasil durante a pandemia, com Bolsonaro promovendo cloroquina e desdenhando vacinas).

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### **6. Resistência e Alternativas Revolucionárias**

#### **a) Internacionalismo e autodefesa:**

- **Rojava (Curdistão sírio)**: Combate o genocídio do EI com um projeto de autonomia, igualdade de gênero e ecologia.

- **Movimentos indígenas**: No Equador, CONAIE resiste ao extrativismo; no Canadá, Primeiras Nações exigem justiça pelas crianças indígenas mortas em escolas residenciais.

#### **b) Socialismo e reparação histórica:**

- **Revolução agrária**: Devolver terras a povos originários e camponeses, como na Revolução Mexicana (Zapata) ou no Nepal (exército maoista).

- **Justiça climática**: Acabar com o capitalismo fóssil e garantir recursos para comunidades vulneráveis.

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### **Conclusão: Genocídio é Inerente ao Capitalismo**

O genocídio não é um "acidente" da história, mas uma **necessidade estrutural do capitalismo**, que exige a destruição de vidas e ecossistemas para sobreviver. Enquanto existir propriedade privada, imperialismo e racismo, haverá genocídios. Como disse **Rosa Luxemburgo**:

> *"Socialismo ou barbárie"*.

A única forma de extinguir o genocídio é através da **revolução socialista**, que destrua as bases materiais da opressão e construa uma sociedade onde **nenhum povo seja descartável**.

**Análise Marxista do Massacre do Carandiru: Violência Estatal, Classe e Racismo no Brasil Neoliberal**

O Massacre do Carandiru, ocorrido em 2 de outubro de 1992, quando a Polícia Militar de São Paulo assassinou 111 presos durante uma rebelião na Casa de Detenção, é um exemplo emblemático da **violência estrutural do Estado capitalista** contra as classes subalternas. Sob uma perspectiva marxista, o evento não foi um "excesso policial", mas uma expressão da **função repressiva do Estado** em defesa de um sistema que marginaliza, criminaliza e extermina corpos considerados "excedentes" pelo capitalismo. Abordaremos as raízes históricas, a função do encarceramento em massa e a interseccionalidade entre classe, raça e necropolítica.

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### **1. Contexto Histórico: Neoliberalismo e Exclusão Social**

#### **a) Crise econômica e criminalização da pobreza:**

- Na década de 1990, o Brasil adotou políticas neoliberais (ex.: Plano Collor, privatizações) que aprofundaram a desigualdade. O desemprego e a miséria cresceram, especialmente nas periferias urbanas.

- O **encarceramento em massa** tornou-se uma resposta à "questão social": em 1992, 73% dos presos no Carandiru eram negros, e 90% não tinham ensino médio completo. A prisão era (e ainda é) um depósito para a classe trabalhadora marginalizada.

#### **b) Rebelião como luta por dignidade:**

- A rebelião no Carandiru começou após um confronto entre presos por causa de um extintor de incêndio. A revolta refletia as **condições subumanas** do presídio: superlotação (7.000 presos em espaço para 3.500), falta de água e tortura sistemática.

- A reação do Estado (PM) foi **violência desproporcional**, com tiros à queima-roupa, execuções sumárias e ocultação de corpos. Dos 111 mortos, apenas 18 tinham passagem por crimes violentos, evidenciando que a maioria era de jovens pobres criminalizados por pequenos delitos.

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### **2. Estado, Classe e Repressão Sistêmica**

#### **a) O Estado como instrumento da burguesia:**

- Marx afirmou que o Estado é um "comitê executivo da classe dominante". No Carandiru, a PM agiu para **manter a ordem burguesa**, reprimindo aqueles que o sistema não consegue integrar. A impunidade dos policiais (apenas em 2013, 21 anos depois, houve condenações) mostra a **seletividade do Direito**.

- **Função ideológica**: O massacre foi legitimado pela mídia burguesa, que desumanizou os presos ("bandidos merecem morrer"), reproduzindo a ideologia da "guerra às drogas" para justificar a violência estatal.

#### **b) Polícia Militar: braço armado do capital:**

- A PM paulista, herdeira da Guarda Nacional do Império escravista, foi treinada para reprimir revoltas populares (ex.: greves operárias no ABC nos anos 1980). No Carandiru, seu papel foi **eliminar fisicamente corpos indesejados**, garantindo que a força de trabalho precarizada não se organizasse.

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### **3. Racismo Estrutural e Necropolítica**

#### **a) Genocídio negro em curso:**

- O Carandiru é parte do **genocídio da população negra** no Brasil. Dos 111 mortos, 97 eram negros. A violência policial segue lógica colonial: como escreveu **Abdias do Nascimento**, o Estado brasileiro trata a população negra como "inimiga interna".

- **Necropolítica**: Conceito de Achille Mbembe sobre o poder de decidir quem pode viver ou morrer. No Carandiru, o Estado escolheu quem deveria ser sacrificado para manter a ilusão de segurança da classe média.

#### **b) Criminalização da juventude periférica:**

- A maioria dos presos era de jovens negros das periferias de São Paulo, vítimas do **racismo estrutural** e do apartheid urbano. O massacre antecipou a letalidade policial atual: em 2023, a PM paulista matou 1.122 pessoas, 80% negras.

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### **4. Resistência e Memória: Luta de Classes no Cárcere**

#### **a) A rebelião como ato político:**

- A rebelião no Carandiru não foi um "motim caótico", mas um **ato de resistência** contra condições desumanas. Presos exigiam água, comida e fim da tortura, mostrando que mesmo no cárcere há luta de classes.

- **Legado**: O massacre inspirou movimentos como o **MPL (Movimento Passe Livre)** e coletivos culturais (ex.: *Racionais MC's*, que denunciaram o evento em letras como *"Diário de um Detento"*).

#### **b) Impunidade e luta por justiça:**

- Apenas em 2013, após pressão de movimentos sociais, 74 PMs foram condenados, mas a maioria recorreu e segue em liberdade. A lentidão da justiça reflete a **aliança entre Estado e violência policial**.

- Mães e familiares das vítimas organizaram-se no **Movimento dos Familiares de Vítimas do Carandiru**, exigindo memória e reparação.

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### **5. Conclusão: O Carandiru como Símbolo do Brasil Capitalista**

O Massacre do Carandiru não foi um acidente, mas um **produto do capitalismo racial e neoliberal**, que descarta vidas para manter a acumulação. Enquanto houver miséria, racismo e Estado burguês, haverá massacres. Como disse **Marielle Franco**:

> *"Quantos mais vão morrer até que paremos de matar nossos jovens?"*

A luta contra o genocídio exige **socialização da riqueza, desmilitarização da PM e justiça racial**, pilares de uma revolução que destrua as bases materiais da opressão.

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