Baudelaire criou a efígie sagrada da beleza em oposição ao mundo presunçoso da burguesia. Para o hipócrita vulgar e a estética anêmica, a beleza é uma fuga da realidade, uma imagem sagrada enjoativa, uma sedução barata: mas a beleza, que surge da poesia de Charles Baudelaire, é um colosso de pedra, uma deusa severa e inexorável do destino. É como o anjo da ira segurando a espada flamejante. Seu olho desnuda e condena um mundo no qual o feio, o banal e o desumano são triunfantes. Pobreza disfarçada, doença oculta e vício secreto jazem revelados diante de sua nudez radiante. É assim como se a civilização capitalista tivesse sido levada a uma espécie de tribunal revolucionário: a beleza julga e pronuncia seu veredito em linhas de aço temperado.
[de The Necessity of Art]