História, teologia e espiritualidade das Antífonas do Ó
Nossa preparação de Advento para a vinda de Cristo, no Natal, é um modelo de como podemos nos preparar para a sua segunda vinda; e, com as Antífonas do Ó na liturgia, a Igreja nos oferece uma ajuda nessa preparação.
Por Matthew Hazell
Tradução: Equipe Christo Nihil Præponere
Parte I
A história das Antífonas do Ó
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São incertas a história e as origens das Antífonas do Ó. Embora tenhamos uma grande quantidade de textos litúrgicos antigos, somente alguns datam de antes do século VII. É possível que tenha havido uma menção passageira às antífonas por Boécio (ca. 480–524), em sua obra A Consolação da Filosofia [i] — o que indicaria que as antífonas eram conhecidas no norte da Itália por volta do século VI.
O que podemos afirmar com certeza é que as antífonas eram conhecidas por Amalário de Metz, um monge e erudito do século IX (ca. 780–850). Amalário atribui a autoria delas a um cantor anônimo que provavelmente viveu nos séculos VII ou VIII. No século IX, elas já eram conhecidas em Roma há algum tempo, pois aparecem nos antifonários romanos deste período. Outros numerosos livros litúrgicos da Idade Média, a partir do século IX, também contêm as antífonas.
O número e a composição das antífonas variaram ao longo da história, com alguns livros litúrgicos adicionando uma ou mais à lista de sete. Por exemplo, a antífona O Virgo Virginum, em honra da Virgem Maria, é citada por Amalário [ii]:
"O Virgo Virginum, quomodo fiet istud? Quia nec primam similem visa es nec habere sequentem. Filiæ Jerusalem, quid me admiramini? Divinum est mysterium hoc quod cernitis. — Ó Virgem das virgens, de que modo se fará isto? Pois nunca houve quem a ti se igualasse, nem haverá depois de ti. Ó filhas de Jerusalém, por que vos admirais de mim? É divino este mistério que vedes."
Outras igrejas e localidades, como São Galo (Sankt Gallen), na Suíça, e Paris, na França, tiveram nove ou doze antífonas em vários momentos da história. No entanto, as sete principais, que conhecemos hoje, permaneceram constantes em todas as fontes litúrgicas.
Os dias para os quais as antífonas foram designadas também variaram ao longo dos séculos. Um dos antifonários romanos antigos prescrevia o seu uso desde a festa de São Nicolau, a 6 de dezembro, até a festa de Santa Luzia, no dia 13. O Ordo Romanus do século XI mandava cantá-las repetidamente desde 6 de dezembro até a véspera de Natal. Com o tempo, as antífonas passaram a ser colocadas nos sete dias anteriores ao Natal (de 17 a 23 de dezembro).
As Antífonas do Ó são cantadas antes e depois do Magnificat, nas Vésperas, e têm sido utilizadas neste lugar do Ofício por muitos séculos. Na verdade, as evidências históricas sugerem que as Vésperas eram seu lugar original: seu uso aqui é mencionado, entre outras fontes, por Amalário de Metz, um dos antifonários romanos do século IX e a Vida de Alcuíno. Algumas igrejas começaram a usá-las como antífonas para o Benedictus nas Laudes — uma prática compreensível, dadas as ressonâncias bíblicas entre as Antífonas Maiores e o cântico de Zacarias [iii]. Todavia, seu uso no Magnificat ilustra-nos melhor o aspecto mariano do Advento [iv]: através do fiat de Maria, de seu “sim” ao plano de Deus, o Filho de Deus encarnado entra no mundo — como nos dizem as antífonas — a fim de nos ensinar, libertar, iluminar e salvar.
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