Arjuna pede para ver a forma cósmica de Krishna:
4. Se julgas que sou capaz de vê-la, faz-me ver a Tua própria Face e Forma, o Teu Eterno Eu, ó Adorado!"
5. A Divindade responde:
"Vê, pois, ó filho da Terra, e contempla-me, que sou Um só, em milhares e milhões de diferentes e variadíssimas formas.
6. Imerge o teu olhar no reino dos deuses, anjos e arcanjos, espíritos planetários, diretores dos mundos e muitos outros seres misteriosos, com que não sonha nem a mais indômita especulação e fantasia.
7. Vê e observa o Universo inteiro, com todos os seres animados ou inanimados, resumido no meu corpo. Nele encontras tudo o que desejas ver.
8. Mas não é com os teus olhos materiais que Me podes ver. Para isto, abro-te a tua visão espiritual. Olha, pois, e vê agora a minha gloriosa Natureza Mística!"
9. Sanjaya fala:
"Tendo o Senhor dos Mundos assim dito, deu-se a conhecer ao Filho da Terra em seu supremo aspecto de Senhor Absoluto, cujo domínio abrange o universo inteiro
10. Neste aspecto, viu-se como Muitos em Um só: com inúmeras faces e olhos e bocas, inúmeras aparências, consciências e formas, com todo o esplendor de adornos celestes, com todas as forcas de poder divino, divinamente vestido e coroado, exalando agradabilíssimos perfumes.
11. Luminoso, radiante, maravilhoso, cheio de graça, e onividente era o seu Semblante.
12. Se mil sóis, ao mesmo tempo, brilhassem no firmamento, a luz deles haveria de empalidecer na presença da Glória que aquele Semblante irradiava em todas as direções.
13. Arjuna viu, então, todo o Universo, variadíssimo em suas múltiplas aparências, formando uma Unidade no Corpo do Ser Absoluto, e manifestando-se como muitíssimas partes nos corpos dos deuses.
14. Arrebatado e pasmado, e com os cabelos arrepiados, mirou e admirou essa Visão Maravilhosa; e, inclinando a cabeça com reverência e devoção, juntou as mãos e dirigiu-se ao Altíssimo, dizendo:
15. (Arjuna):
"No corpo Teu, ó Deus! eu vejo todos Os deuses, as hierarquias de todos os seres!
Noto o Brahma, sentado em flor de lotus, E a seu redor os Santos com os Sábios.
16. Inúmeros Teus braços são, os olhos; Inúmeros Tens peitos, Tuas bocas. Eu vejo que no Teu Ser infinito Não há princípio, ou meio, ou fim algum.
Bhagavad Gita
CAPÍTULO XI
Visão da forma divina universal
Vishva-rupa-dârshanam-Yoga
