Programar não é uma arte, mas artesanato. Se um sujeito faz panelas de barro, ele não faz arte. Tudo que ele faz são panelas. Por ser artesanato, as panelas não saem iguais, mas uma vez automatizado o processo de fazer panelas, elas serão feitas padronizadas, mais rapidamente confeccionadas e terão um custo de fabricação mais baixo. Achar que a IA não vai fazer isso é romantismo. E isso pode sim levar o processo de fabricação de software a uma situação entrópica, ou pode simplesmente acabar com este processo porque, afinal de contas, ele nunca foi necessário se não fosse a necessidade de traduzir nossas intenções para o hardware.
Eu, particularmente, não gosto de programar; não gosto de smartphone; não gosto de vídeo games; não gosto de computadores. Se a IA matar a programação eu não vou sentir falta. O problema é que ela não vai fazer isso pondo o controle da tecnologia nas mãos do indivíduo, mas removendo toda e qualquer possibilidade do indivíduo programar suas próprias ferramentas.
Já decidiram que programar é perigoso. Não é legal. O sujeito vai lá cria o ecossistema do BTC, do XMR, e isso é ruim. O cara vai lá e cria um PGP, pondo esse poder nas mãos das pessoas comuns. Esse tipo de coisa é perigosa.
Que tal acabarmos logo com isso? Primeiro vamos tornar os programadores burros, codificadores de frameworks. Paralelamente, tornemos a evolução dos softwares um processo custoso, que não acompanhe a evolução do hardware, para que as novas versões, na realidade, se tornem apenas mais pesadas e mais complicadas de rodar, para que cada vez mais hardware seja necessário, e os custos jamais caiam, elitizando o mercado como um todo.
Depois criemos um sistema que, aparentemente, facilite a vida dos codificadores de framework, mas que este sistema seja tão complexo e caro de rodar, que eles se tornem reféns da nossa plataforma centralizada. Chamemos isso de IA (embora não seja uma inteligência absolutamente), não antes de povoarmos os vídeo games, filmes e histórias em quadrinhos com personagens legais e impossíveis, que personifiquem a ferramenta no imaginário das gerações vindouras de programadores.
Então, quando a ferramenta puder substituir os codificadores de frameworks, acabemos com os frameworks, porque eles nunca foram necessários de verdade; eram apenas a camada tradutora, e que gerava o peso e freava a evolução dos softwares. IA não precisa falar linguagens de programação poque ela pode falar com o hardware diretamente. Nunca ocorreu a ninguém que um driver de uma GPU só possui um SDK porque humanos precisam controla-la? Que uma IA pode gerar pixels diretamente falando com o hardware?