Muita gente conhece e admira o sistema de governança da Confederação Suíça, seja pela sua representação, liberdade, autonomia ou descentralização. Muitos chegam a comparar a Confederação Suíça com os Estados Unidos da América, até porque a constituição Suíça de 1848 possui muitas semelhanças com a constituição americana de 1776, sendo influenciada diretamente por esta. Mas você sabia que a Suíça é MUITO diferente dos EUA por conta de uma coisa chamada Sistema Diretorial?

"Uma república diretorial é um país governado por um colégio de várias pessoas que exercem conjuntamente os poderes de um chefe de estado e/ou chefe de governo."
De forma resumida, em um país com sistema não-diretorial, o presidente, primeiro-ministro, parlamento ou talvez até um juiz da suprema corte (uff referências), decreta que tal coisa é crime, isso passará a ser crime e o povo não poderá fazer nada para impedir.
"É possível pressionar o senado e a câmara dos deputados para fazer algo!"
Você mora no Brasil e acredita nisso? É sério?
Já no sistema diretorial, se o chefe do governo decretar que X coisa é crime, a população de forma autônoma pode reunir-se para rejeitar a proposta de forma antecipada, isso significa que toda a decisão do governo será anulada? De forma alguma. Porém, se a população de um cantão A rejeita a decisão proposta pelo governo federal, o cantão A não estará sujeito a nova regra, deixando para os demais cantões a livre escolha de rechaçar ou não a decisão, isso sem a necessidade de ser eleito para um parlamento, o cidadão tem o poder para faze-lo sem prestar contas a ninguém. Algo semelhante pode ser observado nos EUA, um projeto de emenda a constituição só pode ser aprovado com o consentimento de 3/4 dos estados da federação.
Mas hoje sabemos que por conta da crescente radicalização do Partido Democrata, a forma que a maior república do mundo se organiza, passa a ser cada vez mais questionada e aos poucos, distorcida e despedaçada por um estamento burocrático estatista e centralizador, que vem desde Alexander Hamilton até os dias de hoje, com o objetivo de tirar o pouco poder das mãos da população, e transferi-lo por completo para burocratas, banqueiros e empresários monopolistas.
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Apesar de ter passado por uma ocupação durante as guerras napoleônicas e ter sentido os tremores da revolução francesa, a Suíça conseguiu se reestabelecer como um país relativamente livre, sendo uma das únicas duas nações confederadas restantes, a outra sendo São Marino, a república mais antiga do mundo. A Suíça, deveria servir de exemplo para governantes do mundo inteiro sobre como o poder descentralizado pode ser muito mais benéfico do que o unitarismo, seja ele político, administrativo ou cultural.