Nachiketa:

Ensinai-me, Ó Rei, eu vos suplico, o que sabeis estar além do certo e do errado, além da causa e do

efeito, além do passado, do presente e do futuro.

O Rei da Morte:

Do objetivo que todos os Vedas proclamam, o qual está implícito em todas as penitências, e em

busca do qual homens levam vidas de continência e de serviço, dele falarei sucintamente.

Ele é - OM.

Esta sílaba é Brahman. Esta sílaba é de fato suprema. Aquele que a conhece realiza o seu desejo.

Ela é o apoio mais forte. É o símbolo mais elevado. Aquele que a conhece é reverenciado como um conhecedor de Brahman.

O Eu, cujo símbolo é OM, é Deus onisciente. Ele não nasce. Ele não morre. Ele não é nem causa

nem efeito. Esse Ser Antigo não nasceu, é eterno, imperecível; embora o corpo seja destruído, ele não é

aniquilado.

Se o assassino pensa que ele mata, se o assassinado crê que ele é morto, nenhum dos dois conhece

a verdade. O Eu não mata nem é morto.

Menor do que o menor, maior do que o maior, esse Eu habita para sempre dentro dos corações de

todos. Quando um homem está livre de desejos, com sua mente e seus sentidos purificados, ele contempla a

glória do Eu e está sem sofrimento.

Apesar de sentado, ele viaja para longe; embora descansando, ele move todas as coisas. Quem, a

não ser o mais puro dos puros, pode perceber esse Ser Fulgurante, que é a felicidade e que está além da

felicidade?

Ele não possui forma, embora habite a forma. No meio do transitório, ele permanece perene.

O Eu é supremo e tudo permeia. O homem sábio, conhecendo-o em sua verdadeira natureza, transcende toda dor.

O Eu não é conhecido através do estudo das escrituras, nem através da sutileza do intelecto, nem

através de muito aprendizado.

Mas é conhecido por aquele que anseia por ele.7 O Eu revela verdadeiramente a ele o seu genuíno ser.

Um homem não poderá conhecê-lo através do aprendizado, se não desistir do mal, se não controlar

seus sentidos, se não acalmar sua mente, e se não praticar a meditação.

Para ele os Brahmins e os Kshatriyas são apenas alimento, e a morte é em si um condimento.

Tanto o eu individual como o Eu Universal penetraram na caverna do coração, o domicílio do

Mais Alto, porém os conhecedores de Brahman e os chefes de família que realizam os sacrifícios do fogo

enxergam a diferença entre eles como entre a luz do Sol e a sombra.

Possamos realizar o Sacrifício Nachiketa, que transpõe o mundo do sofrimento. Possamos

conhecer o imperecível Brahman, que nada teme, e que é o objetivo e o refúgio daqueles que procuram a

liberação.

Sabei que o Eu é o cavaleiro, e que o corpo é a carruagem; que o intelecto é o cocheiro, e que a

mente são as rédeas.

Os sentidos, dizem os sábios, são os cavalos; as estradas por onde passam são os labirintos do

desejo. Os sábios consideram o Eu como aquele que se deleita quando está unido ao corpo, aos sentidos e á

mente.

Quando um homem não possui discernimento e sua mente está desgovernada, seus sentidos são

incontroláveis, como os cavalos rebeldes de um cocheiro. Porém, quando um homem possui discernimento

e sua mente está controlada, seus sentidos, como os cavalos bem-domados de um cocheiro, obedecem

alegremente às rédeas.

Om...

Que Brahman nos proteja,

Que ele nos guie,

Que nos dê força e entendimento correto.

Que o amor e a harmonia estejam com todos nós.

OM... Paz - paz - paz

Katha Upanishad

tradução de Swami Prabhavananda

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