Eu já me imaginei vivendo num mundo sem fronteiras. E você? Foi um bom exercício. Inspirador!

Nesse mundo passaportes não seriam necessários! Você poderia viajar para qualquer lugar e ninguém iria te perguntar o motivo de sua viagem. Olha quanto tempo ganharíamos! Ásia, Europa, Oceania, África e Américas ao nosso alcance!

Com o tempo, todos os seres humanos falariam a mesma língua e essa fronteira também deixaria de existir. Todos passariam a se entender. Sem mais mal entendidos. Sem mais guerras, sem mais brigas. Um mundo sem diferenças.

E não somente as fronteiras entre os países deixariam de existir, mas os países se tornariam um único país, um único planeta, um único mundo!

Com o fim das diferenças, a humanidade floresceria em seu total esplendor! Países, estados e cidades se tornariam um só! Todos seriam filhos do planeta Terra. Todos alinhados com o único objetivo de viver em plenitude.

As casas seriam abertas para todos. Um mundo sem portas! Essas malditas portas que nos separam uns dos outros veriam seu fim. Queimaríamos todas! Estaríamos sempre abertos a receber os amigos. Seríamos amigos de todos!

Saberíamos de tudo o que acontece. Nada nos seria escondido. Aprenderíamos como nunca, sobre tudo o que há para ser aprendido neste universo! Viveríamos uma vida de conhecimento, participando plenamente de nossa pequena comunidade planetária. Céu e terra se fundiriam em pura felicidade!

Em meio a tanta alegria e tanto conhecimento todos saberiam o que fazer e quando fazer. Cada um faria a sua parte. Acordos seriam estabelecidos somente com um olhar. Governos seriam desnecessários!

Pontes e hospitais seriam construídos por todos, que decidiriam onde instala-los e em que ordem cada benfeitoria humana seria construída. Cidades, prédios, ruas e avenidas seriam construídas somente onde fossem necessárias. Frutas e legumes seriam plantados, colhidos e distribuídos nas horas certas, por pessoas que estariam fazendo sua parte por amor. O dinheiro já teria deixado de existir há muito tempo.

Pensadores pensariam, fazendeiros plantariam, professores ensinariam e todos ajudariam a garantir a segurança de nossas crianças, fazendo o que fosse necessário para que elas pudessem aprender o necessário para propagar toda essa felicidade ao infinito.

Quando você quisesse comer algo, colheria em seu jardim, ou iria até um abundante local de sua comunidade para pegar alimentos. Trazendo-os para o lar, transformaria-os em alimentos melhores e levaria uma parte de volta para sua comunidade. Todos contribuiriam com tudo.

Alguns, mais propensos e fortes, fariam o trabalho pesado. Outros, mais inteligentes, fariam o trabalho mental. Outros fariam música e os mais cansados não fariam porra nenhuma.

O trabalho pesado te deixaria cansada e você buscaria um lugar tranquilo para descansar, mas logo descobriria que algum vagabundo estava deitado na sua cama. A cama, na verdade, não seria mais sua, mas de todos. Você só esperava poder descansar um pouco nela, depois de ajudar a alimentar tanta gente.

Pessoas de diferentes hábitos conviveriam de perto e dividiriam o banheiro com você. Banheiro que, aliás, não teria porta. Você teria ajudado a queimar as portas pra acabar com as fronteiras e, desde então, havia passado a cagar publicamente. E, enquanto alguns respeitavam o direito do outro de cagar em paz, outros preferiam estudar cada detalhe da vida humana alheia, observando seus poucos momentos de privacidade.

Privacidade, aliás, seria uma coisa meio proibida, já que o privado não faria mais parte da cultura humana. No meio da sua noite de sono, não seria raro outra pessoa se deitar na cama com você para compartilha-la. A cama, seria sabido, não seria de ninguém, mas de todos.

Num mundo sem regras escritas, uns tomariam banho regularmente, outros preferiam não toma-lo. Uns abraçariam a todos, a todo momento. Vestidos ou não. Você seria abraçada com amor, por qualquer um que quisesse chegar perto de você.

Uns gostariam de mulheres e as tratariam bem, outros prefeririam que elas não tivessem clítoris. Pessoas andariam nuas e copulariam em lugares públicos, já que todos os lugares seriam públicos. Crianças assistiriam e aprenderiam detalhes úteis em suas vidas adultas.

Nesse mundo de música e felicidade, uns gostariam de música clássica, outros de funk. Uns ouviriam música alta, outros não a ouviriam. Você? Você ouviria a música dos seus vizinhos. Aquela música que você preferiria ouvir não seria audível pois o seu próximo estaria feliz ouvindo música ruim alta e você não seria a estraga prazeres que iria estragar a felicidade dele.

Nossos corpos, nossa última fronteira, seriam de todos. Todos teriam nomes iguais. Os nomes, que nos diferenciam uns dos outros, teriam sido abolidos há muito. Seríamos um só. Os méritos de cada um seriam méritos humanos. Os esforços individuas, seriam esforços humanos. As recompensas pelo trabalho necessário para manter-nos vivos e organizados, seriam recompensas humanas. Tudo seria de todos. Todos seriam de todos. Ninguém ganharia nada a mais se esforçando e todos parariam de se esforçar.

Eu já tive uma breve experiência assim. Imbecis decidiam coisas sem sentido que afetavam a todos. Ninguém recolhia o lixo. Os banheiros eram imundos e não funcionavam. Tinha até um puto dum vagabundo que deixava as roupas dele pra alguém lavar num dos poucos tanques que haviam lá. Isso fora os maconheiros, que não faziam mais nada na vida a não ser fumar maconha.E tem gente que ainda acha, de verdade, que essa merda de mundo sem fronteiras pode funcionar.

Reply to this note

Please Login to reply.

Discussion

No replies yet.