Exatamente, e WE é precursor, visto que se desenvolve dentro do ambiente da revolução/bolchevismo, que precede nazismo, e leva ao stalinismo, ou seja, mesmo local, praticamente mesmo contexto, alguns anos antes, tudo ligado... Muitos conceitos estão ali, inclusive acredito que também a novilíngua... se você olhar atentamente, ela está embutida no pensamento de D-503, e é para mim uma das grandes genialidades do livro: Yevgeny desenvolvou uma maneira de descrever uma forma exótica de raciocinar - o homem na distopia não poderia pensar como nós, os bárbaros das paredes não transparentes; ele possui uma nova forma de desenvolver sua linguagem e sua relação com a maneira como interpreta a realidade, absolutamente racional, matemática e geometricamente, como um reflexo da sociedade totalmente eficiente e do Estado todo poderoso em que se espelha: não seria isso o fundamento da novilingua? Orwell simplesmente materializou e objetivou o que Yevgeny idealizou nas entrelinhas, e que está presente em todo o livro... E o duplipensar, eu partircularmente encontro na metáfora da raiz de menos um, entre outras coisas... Vejo tudo ali. Orwell nunca admitiu a grande influência, essa é a questão: nunca admitiu nenhuma influência na verdade, sendo que se baseou nas ideias de outro escritor...
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Em 1946, Orwell mencionou em uma resenha do livro Brave New World de Aldous Huxley que Nós foi a primeira obra a introduzir o conceito de um estado totalitário futurista e o controle sobre o indivíduo.