(6) ser algo material, ou algo produzido por um órgão material. Ora, a matéria é sempre singular, só diz respeito ao sensível e ao indivíduo. Um conceito é algo insensível, não pode ser visto, tocado, cheirado, etc. Nem tampouco é singular e indivíduo: esta cadeira é somente esta cadeira, só ocupa um lugar no espaço e diz respeito somente a ela. O conceito de cadeira diz respeito não somente a essa cadeira, mas àquela e acolá também. O conceito da cadeira é, portanto, imaterial, pois não ocupa lugar no espaço, nem é singular e tampouco sensível.+

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Discussion

(7) Não se vê o conceito de "cadeira" desfilando por aí, nem ele diz respeito somente a um único indivíduo (esta ou aquela cadeira), e muito menos pode ser tocado pelos sentidos.

Agora, pergunto, como um conceito imaterial poderia ser produzido por uma alma material? Se fosse a alma do homem material, ela seria como a dos animais irracionais. Só poderíamos nos contentar com as experiências singulares, que nossos sentidos nos mostram, e só reagiríamos a elas nos conformes dos instintos produzidos por nossos órgãos.

A alma é imaterial pois+

(7) só assim poderíamos pensar no imaterial. E se é imaterial, ela sobrevive a destruição do corpo.

Ora, como poderia a corrupção da matéria, dos órgãos, interferir naquilo que não se reduz às operações deles? O intelecto é uma parte do homem que está além dos órgãos, ou seja, não poderia ser destruído junto deles por serem partes distintas.

Apesar da alma sobreviver, ela não poderia pensar/imaginar ou sentir alguma coisa, pois os órgãos que permitem essas operações estariam destruídos. Ou seja, é necessário que nossa alma, preservada+

(8) após a morte, ressuscitasse num novo corpo para que então fosse operante. Aristóteles, por não ter o auxílio da fé, não concebia essa parte.

Em outras palavras, se nossa alma não fosse ressuscitada num novo corpo, ela descansaria eternamente. Porém, como Deus é absolutamente+

(9) benigno, não poderia Ele permitir que os justos e injustos compartilhassem do mesmo destino sem prestar contas. Por isso a crença num céu e num inferno é plenamente racional, pois a justiça divina só poderia ser concretizada dessa forma.