Soneto do estudante sério
E agora que eu li tanto, tantas obras
De autores tão malditos, quanto pude
Receio não haver nem mesmo sobras
Das minhas vis paixões de juventude
Quão falso era meu mundo, e amiúde
Com quanta prontidão lhe fiz as dobras
Na ânsia de manter minha atitude
Imune a todo tipo de manobras
Fui tolo, como assim o é quem pensa
Não ser manipulado pela imprensa
Em todas as questões da vida humana
Ninguém recebe alta deste hospício
Sem auto-humilhação, sem sacrifício
De sua cabecinha provinciana