Replying to Avatar Rafa Borges

1) Q. 4 da Suma Teológica de São Tomás de Aquino, Artigos 1 e 2, se (Art. 1) Deus é perfeito e se (Art. 2) Deus encerra a perfeição em si nos seres --> Deus é simples (Q. 3), é Perfeito, a criatura como obra do Criador reflete a perfeição de Deus e participa da perfeição de Deus. O homem é Imago Dei, foi dado ao homem o poder de escolher obedecer ou desobedecer as ordens de Deus, o anátema foi resultado da desobediência, que partiu da escolha do homem, assim o homem optou pela condenação e seus descendentes são marcados pelo pecado original, é portanto escolha do homem a salvação e a condenação: para a salvação basta aceitar a Verdade revelada e adentrar o Corpo Místico de Cristo, assim, portanto, fazendo parte do que há de mais Perfeito por via da Eucaristia, até que então, no post mortem, atenda a alta condição teleológica da alma frente a visão beatífica, do contrário a condenação, que parte de uma escolha, ao renegar Deus como Verdade, ou aceitá-lo como Verdade mas mesmo assim rejeitá-lo, o homem escolhe a condenação eterna, então cabe a pergunta: qual a injustiça por compreender a escolha do homem? Cabe outra pergunta: qual a justiça? Pode ser a justiça do homem superior à justiça de Deus? Como se distante de Deus, que por vez é Bem, sendo o Mal o distanciamento do Bem, portanto assim o Mal inexistindo ontologicamente (como expresso na obra Confissões, de Santo Agostinho)? Dirá o ateu: "Deus criou o Mal", algo já refutado pelos patrísticos devido o fato do Mal não ter substância, o Mal é criação dos rebeldes, como poderia Deus rebelar-se contra Si? Como poderia Deus distanciar-se dEle próprio? Os primeiros rebeldes, até então pelo que é conhecido, são Azazel e os demais anjos levados consigo à condenação eterna a partir da escolha pela desobediência.

2) Os "seres humanos falhos" são consequências lógicas das escolhas, o ser somente deixa de ser falho a partir do momento que se tem a salvação na visão beatífica, mesmo é possível afastar-se das falhas em vida através das graças, isso para os católicos. Deus não criou o homem como falho, pois o homem é Imago Dei, porém o homem optou por ser falho a partir do momento que se distanciou de Deus após o anátema. O homem é parte da Perfeição de Deus, conforme já apresentado por São Tomás no Art. 2 da Questão 4.

3) Sua atribuição à crucificação como "ato de crueldade" parte de uma ressignificação pessoal sua sem base de significância alguma quanto ao que é um sacrifício. A crucificação foi o maior evento da história das humanidades e que determinou o avanço do plano salvístico divino --> quem crucificou Jesus Cristo não foi Deus, quem crucificou Cristo foi o homem, Jesus, por vez, venceu a morte ao salvar as almas na mansão dos mortos e ressuscitar no terceiro dia após sua crucificação. O ato do Próprio Deus vir à Terra, por via de seu Filho, confirmar a Verdade revelada (Verbo que se fez carne) e passar das piores das torturas para a conversão de almas humanas por via da salvação advinda da remissão dos pecados e da participação do Corpo Místico (Cristo criou a Igreja) é o maior ato de amor da história das humanidades, é algo que tu nunca verá em demais religiões (no Islã não há, no judaísmo não há, na religião copta não há, o mesmo quanto ao zoroastrismo e demais religiões vernaculares pagãs animistas). A crueldade, portanto, não anula o amor na ação divina, pelo contrário, eleva em axiologicamente em grau --> crueldade essa incitada pelos próprios homens, corruptos e que O negaram em vida, odiadores de Cristo conforme as escolhas tomadas pelos próprios. No entanto, tu apresenta erro em lógica formal: "se ato A envolveu sofrimento, logo não foi ato de amor, portanto ato A é uma mentira.", uma ideia equivocada por sua parte, pois essa crueldade exercida contra o corpo de Cristo é a mesma qual exercemos contra Deus quando o desobedecemos, uma vez que se participamos da Perfeição dele nós o afetamos a partir de nossas ações contrariando a perfeição da Obra, portanto, assim, o combatendo.

4) Q. 6 artigo 2 da Suma Teológica responde sua colocação de Deus como um "déspota", Deus é o sumo bem. Tua apreciação pela desordem, não como um ateísta mas como um antiteísta (anti-Deus) parte do mesmo sentimento satânico (literalmente) de Azazel, que pensou ser injusto haver uma Ordem hierárquica qual Deus fosse o centro de toda sua criação, acreditou ele então que justo seria se todas as criaturas fossem como Deus perfeitamente, "sereis como Deus", portanto todo plano de Satanás é um plano de destruição, visa ele a queda de Deus, partindo da destruição absoluta de sua obra através da subversão da Palavra e culminando em invasão ao plano celeste, Azazel é o "libertador" em posição negativa, é o fundador do Mal por essência, mesmo em termos mitológicos tua colocação não faz sentido, isso pois você acredita ser ateu, quando na prática é um antiteista, e ambas as coisas se diferem. Ao ateu, é conveniente que esse seja no máximo agnóstico, do contrário (ateu antiteista) é ele um idólatra do negativo proporcional à existência de Deus, no caso à inexistência, é um adorador de trono vazio. Como pode um suposto "déspota" passar pela humilhação que passou frente a crucificação? Ter aqueles que O amam mortos da pior forma possível como ocorrera com os mártires? Como pode esse "déspota" dar à criatura a chance de ser salva e contemplar do maior desejo da alma do ser? O ser humano é merecedor da morte, merece a destruição por ter optado, em escolha, a desobediência e a luta contra Deus, entretanto Deus, em sua plenitude, ainda busca a salvação do homem.

5) Não há como tu dizer "se Deus É" (erroneamente vocês dizem "se Deus existe") e desconsiderá-lo como Onipresente, Onisciente, Onipotente e Atemporal e o consideram, mesmo que hipoteticamente, como Deus em um sistema monoteísta. O Sistema de Crença hebraico, qual deriva o Catolicismo, Judaísmo e Islã, é o mais complexo que há pois nesse sistema Deus é externo e interno à sua Obra, é lógico (conforme presente nas escrituras) que a criatura é inferior ao Criador, a criatura existe sobre um plano, Deus atua dentro e fora desse plano, assim, portanto, Deus não pode ser reduzido à existência, o fato de ele autoexistir eternamente e Ser ("Eu Sou" = YHWH) dentro dessa lógica sistemática de crença já anula qualquer possibilidade de limitação, ao contrário dos sistemas de crença politeístas nos quais muitos deuses compõem repartições de funções em uma ordem cósmica e estão dentro (não fora) do plano existencial.

6) Tu desconhece estudos mais profundos e específicos sobre os sistemas de crença, "mistérios divinos" não se trata de mistério no literal, se trata de condição essencial em quaisquer sistemas de crença, em todos os sistemas de crença possuem consigo: autoridade, ritos, respostas, tradição, crença/graça e mistério, tu trata como "desculpa" por não saber nada a despeito de antropologia religiosa e da ciência das religiões.

Errata: o considera*

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