Em breve mergulharemos na escuridão fria;

Adeus, brilho intenso dos nossos verões de curta duração!

Já ouço o som lúgubre da lenha

Caindo com estrondo nas calçadas do pátio.

Todo o inverno possuirá meu ser: ira,

Ódio, horror, tremores, trabalho duro e forçado,

E, como o sol em seu Hades polar,

Meu coração não será mais que um bloco vermelho congelado.

Todo trêmulo eu ouço cada tronco caindo;

A construção de um andaime não tem som mais abafado.

Meu espírito se assemelha à torre que desmorona

Sob os golpes incansáveis ​​do aríete.

Parece-me que, embalado por esses choques monótonos,

Que em algum lugar estão pregando um caixão, com muita pressa.

Para quem? — Ontem foi verão; aqui é outono

Esse barulho misterioso parece uma partida.

[Charles Baudelaire, Canto de Outono ]

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O frio

Tão cultuado

Como refresco

Da alma

No inferno

Do calor

Contínuo

Se tornará

Um deus

Presente

E nos fará

Orar

Para que ele vá embora

O mais rápido possivel

Assim é

A vaidade humana

Nada está bom!

Deus ri

Da imaturidade

O diabo lamenta

A repetição

De desejos

Térmicos

Tão previsíveis

Calor e frio

Andam de mãos dadas

Nas profundezas do mar

Criando correntes

Esse espetáculo

É tão perfeito

E tão imprevisível

Como a alma humana !