Pessoal, papo mais sério agora. Tenho a impressão de que existe uma confusão comum de conceitos no debate sobre a fungibilidade do bitcoin.

FUNGIBILIDADE é diferente de RASTREABILIDADE.

No protocolo Bitcoin, um bitcoin é sempre igual a outro bitcoin. Não há distinção. A fungibilidade é uma característica inerente ao bitcoin que é justamente usado para enviar e receber de um a outro, assim como um dólar, que é fungível.

O fato de encontrarmos uma exceção a partir de preferência individual (exemplo da pessoa que não quer receber certos dólares que passaram por ritual religioso ou místico) não muda o fato de que o dólar é fungível.

Porém, algo que confunde muitas pessoas é a rastreabilidade. Devido à natureza da timechain, as transações com bitcoin on-chain são rastreáveis.

Isso significa que qualquer pessoa com acesso aos dados on-chain pode, se desejar, criar critérios próprios para aceitar ou recusar certos bitcoins com base no histórico de transações.

Mas isso é uma escolha individual vinda de liberdade contratual.

A natureza jurídica de uma coisa não se altera mesmo quando exercido o direito de particulares de firmar contratos com base em informações obtidas pela rastreabilidade.

Um bitcoin continua sendo um bitcoin, independentemente de seu histórico de transações.

Segue vídeo 03 da série de curtas Bitcoin. Ficarei feliz recebendo seus comentários e opiniões para continuar melhorando este entendimento.

https://video.nostr.build/0db84e57cca8ebb6161070f89a00dc01ea3698888b05db9d50b2d9d190f40589.mp4

Fungível - que se pode substituir ou ser substituído por outro de mesma natureza (espécie, qualidade e quantidade).

O BTC hoje, é menos fungível que notas físicas ou ouro físico, basta ver que há "BTCs marcados", que se cairem em corretoras são denunciados e/ou bloqueados por fazerem parte de uma lista governamental.

Uma analogia, seria como notas físicas manchadas por tinta rosa devido um roubo de caixa eletrônico, com a diferença que no BTC há uma possibilidade de "limpar" essa tinta.

Da forma que você colocou, ninguém saberia que as notas estão "marcadas com tinta", só pelo fato de ter passado em um ritual.

Acredito que com o passar do tempo mixer/coinjoin ou outras técnicas serão usadas com mais frequência, inclusive incorporadas nas wallets.

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Discussion

Excelentes pontos. Este da tinta eu até tinha pensado em incorporar para um video futuro da série. Talvez eu consiga.

Já este argumento de que no BTC tem como limpar a tinta, puxa, isso eu não tinha pensado desta maneira. Estou pensando aqui a respeito.

Essa de limpar a tinta parece meio ilusão, pois vi que é possível saber se o bitcoin passou po coinjoin, e se tuver passado, muitos serviços sequer aceitam esse Bitcoin, mesmo que ele não seja oriundo de algum crime.

E se for a seguinte situação:

Alice que adquiriu bitcoin com KYC e faz coinjoin apenas para experimentar e ver como funciona. E envia para Bob em um endereço sem KYC.

Bob entra na sua hipótese. Ele tem agora chaves de um bitcoin que claramente passou por coinjoin, mas que não está atribuído a ele.

Esses bitcoin ele faz um peg-in e envia para rede Liquid e depois realiza peg-out para um outro endereço também sem conexão à identidade dele.

Neste novo endereço, apenas é visto que o bitcoin tem origem de um peg-out de L-BTC. Este bitcoin agora está limpo o suficiente para que Bob envie para uma corretora que ativamente bloqueia depósitos que passaram por coinjoin, o que acha?

Alguém vai ficar com o bitcoin "sujo" e se você tiver o azar de receber um bitcoin "sujo" e enviar para um serviço que monitora isso, eles irão questionar o trajeto do bitcoin, de quem vc recebeu, que serviço vc usou e etc. A única solução ao meu ver, é fazer a maioria dos bitcoins serem "sujos". Mas confesso que não entendo bem desse assunto, estou só escrevendo com base no pouco que já escutei por aí.