comentários sobre aprendizado ao ler o começo do livro "da solidão à plenitude", coletânea de palestras do Krishnamurti

o aprendizado como costumamos perceber, é algo que vem antes ou depois da experiência concreta, precisa de tempo para ser integrado e pode ser acumulado. ele demanda o conhecimento de outras coisas e é restrito aos limites do conhecido e, embora possa ampliá-los, ainda se restringe a desdobramentos do que é familiar. esse tipo de aprendizado é uma experiência indireta da vida, é como uma distração de algo sutil que acontece enquanto se aprende.

a experiência direta da vida requer que tiremos da frente o ego que quer aprender, acumular, controlar o que surge no encontro com algo ou alguém. a experiência direta na escuta, na fala, na escrita, traz transformações e reconhecimentos instantâneos que não precisam ser carregados. a experiência direta requer que abramos mão de acreditar em qualquer coisa para estar com a coisa, apenas, e percebê-la de todo.

se eu olho para o meu filho e ele está batendo um livro na parede, eu posso ver agressividade, posso ver violência, posso ver descuido. assim eu estou me relacionando com o que aprendi sobre atitudes parecidas. mas se eu olho para o olhar que dá esses nomes para a ação e o vejo como é, eu posso soltá-lo para me relacionar com a criança que está ali, muito provavelmente precisando de algo, se sentindo descuidada. e eu posso ir além da palavra descuido e me integrar à experiência e agir imediatamente oferecendo-lhe o necessário. se eu fico presa às palavras e seus significados, quero lhe ensinar uma lição, e me perco da ação conectada com a criança que não está reproduzindo algo, mas em uma expressão inédita de suas necessidades.

Reply to this note

Please Login to reply.

Discussion

No replies yet.