Um sonetinho baseado numa anedota que me contaram :
Um campĂ´nio ante um juĂz
Em certa noite, mas em hora incerta,
O pobre homem, já perdido o sono,
Demorava-se na janela aberta,
Mais amuado do que um cĂŁo sem dono.
Buscava um horizonte; errava a meta.
Ponderava no corpo um lasso tono,
Padecente de ação de classe experta
Que achaca por dinheiros ou pro bono.
O vultoso edifĂcio o assustou;
NĂŁo sabia onde pĂ´r o seu nariz.
«Minha lĂngua Ă© pesada…» — matutou.
Ao pôr-se então de pé ante o juiz,
Pigarreou, tossiu e enfim falou:
Peço vênia a Vossa Meretriz…
(2018)