pois então… li a paz perpétua há uns vinte anos, era muito menino pra entender de verdade. lembro que o cosmopolitismo, conforme defendido por ele (e, de resto, por nove entre dez intelectuais de lá pra cá) era nesse sentido de liberdade e cooperação entre os povos, direito internacional (li justo como bibliografia na disciplina enquanto cursava direito), direitos humanos. lembro vagamente do que ele dizia sobre uma federação ou república universal. preciso reler com urgência mas, no fim, acho que nem profeta nem articulador. pra variar, como todos os grandes que vieram depois da queda da monarquia, bem capaz que tenha sido simplesmente cooptado como solução pra que as ideias dele não fossem adiante conforme ele as tinha idealizado. os últimos duzentos anos foram uma sucessão de cooptações, uma atrás da outra, por parte dos que não admitem largar o osso — aka centralização de poder, os mesmos bons e velhos nobres de sempre que, teoricamente, teriam ficado órfãos com a queda da monarquia. então, sim, acho que dá pra dizer que tudo isso que a gente vê hoje nasceu com as ideias dele.