Sinceridade não basta! | Rodrigo Gurgel

Por Rodrigo Gurgel

https://www.youtube.com/watch?v=r-fVBc53ldM

Assista ao vídeo completo: https://youtu.be/yRx_DeUt9VEA Sinceridade virou um valor absoluto. Basta dizer que está sendo sincero, e tudo se justifica: o julgamento precipitado, a ofensa mal disfarçada, a ausência completa de escuta. A intensidade do que se sente passou a ser tratada como se fosse, por si só, medida de verdade. Mas quando a sinceridade é colocada como critério moral único, algo se inverte de forma perigosa: em vez de nos abrirmos ao real, usamos nossas próprias emoções como filtro — e tudo o que não se encaixa nelas é descartado como se fosse falso. Julgar o outro com convicção passou a ser um ato nobre, esquecendo-se de que não existe convicção sem formação, sem silêncio interior, sem confronto com o que é maior do que nós.Não existe liberdade moral onde não há confronto com a realidade, com a complexidade das situações da vida. E o gesto de julgar, se não for atravessado por humildade, por renúncia, por trabalho interior, se torna um reflexo do ego desordenado: firme, intenso, sincero, mas cego.

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