Gutenberg!
(22/mai/2023)
Minha filhota me disse que seu grupo da Feira de Ciências teria como tema a Imprensa. E ela falaria sobre as origens desse processo, que começou imprimindo a Bíblia e hoje imprime algo como uma massa de coliformes bem fininha. Muito melhor olhar para a origem, sem dúvida! E na origem estava mais um homem que teve uma idéia brilhante, que impactou tremendamente o mundo. Gutenberg!
Vou confessar aqui que adoro quando recebo solicitações para esse tipo de evento. Demonstrações variadas, especialmente aquelas que misturam técnica com contexto histórico, o que poderia ser melhor? Então pensei bem no que ela me falou. Seria interessante replicar o princípio fundamental da prensa mas para isso temos hoje um carimbo, não é verdade? Qual a graça?
Então resolvi que iríamos colocar a mão na massa, pois Gutenberg não tinha impressora 3D nem uma fábrica de carimbos à sua disposição. Ele tinha, quando muito, acesso a uma fundição de relativa precisão. E necessidade de esculpir cada letra, num processo artístico que ganhou enorme sofisticação, importância e mesmo charme. A criação de fontes.
Então, pegando um bloco de argila sintética, esculpimos 4 bases para as letras, todas de mesmo formato (aproximado) e mesma espessura. Depois esculpimos 4 letras com as quais se poderia formar várias palavras diferentes. Escolhemos A, M, O e R. Essas letras podem formar as palavras ao; ar; amo; ora; amor; roma; ramo; omar, etc.
E fomos esculpir tudo. A filhota ficou maravilhada com as variadas ferramentas que poderiam ser usadas no processo, incluindo uma prensa rotativa para uniformizar a espessura da argila. Realmente é super legal.
Cozemos as bases por 15 minutos a 130 graus Celsius, colamos as letras por cima e voltaram para o forno. Resultado: quatro letras duras e resistentes, prontas para receber tinta e formar palavras. A graça foi mesmo o processo criativo, que não poderá ser aproveitado pelo visitante da apresentação. Mas a filhota aproveitou. :)
Assim, depois do alemão ter popularizado essa técnica brilhante em 1450, nós repetimos parte do processo no Rio de Janeiro, mais de meio milênio depois. Sim, estamos onde chegamos porque subimos no ombro de gigantes. Deixo aqui minha homenagem a esta grande figura.
PS: Observem que a letra R, por não ser simétrica, deveria ter sido feita ao contrário. Ficará assim para ilustrar essa peculiaridade.


