Replying to LuisSP

premissas: PI é mecanismo pra incentivar inovação por quem quer ganhar $$. Este objetivo é válido, mesmo que todos ainda sejam livres para liberar tudo pelo bem da humanidade. Santos Dumont poderia ter patenteado o avião na europa, e.g, se quisesse, e seria moralmente correto. Ele é exemplo de inventor que não quer ser industrial.

patente implica em publicar a ideia, é mais transparente, com menos necessidade de confiar em caixa preta. Embora isso tambem tenha sido abusado, patente =/= sigilo.

E sigilo não é relevante em varios casos. Imagine um novo utensilio de cozinha ou um processo industrial. Mesmo com tudo sigiloso até a entrega final, uma vez que a sua muié receba a peça, vc pode ver e copiar a ideia. Mesmo sem precisar copiar precisamente o formato, vc entende o novo conceito de funcionamento e facilmente copia a ideia do seu jeito em uma peça sua. E imagine que o novo processo, similarmente, pode ser copiado por qualquer visitante que olhe e veja o que acontece. Nesses casos onde o produto é um Ovo de Colombo, nem sigilo nem 'produzir primeiro' são relevantes, nem garantem o 'monopolio natural'.

'Financiamento coletivo' e 'manter maximo controle sobre a produção' tambem não fazem sentido. Varios produtos só valem a pena em grande escala, e o inventor precisa de parceiros MUITO maiores que ele, que o jantarão vivo sem a PI. E, como expliquei, os diferentes mind/resource/skill sets do inventor vs. empreendedor significam que muitos inventores não querem e nem conseguem lidar com a produção. Usualmente, quem faz prova de conceito não faz linha de produção.

PI permite que o inventor terceirize a produção na forma de venda ou licenciamento da patente. PI impede que outros lucrem com a sua ideia. Como isso seria voluntario? O que impede alguem de copiar, até porque antes do seu produto aparecer, ninguem sabia sobre ele, como alguem faria um contrato previo? E como precificar algum contrato previo se ninguem sabe o tamanho do mercado pra algo que nao existe?

Ainda que realmente entregue ganhos para o inventor, o que, com base em leis estatais, é sempre nebuloso, a utilidade (utilitarismo) não deve estar acima da Ética.

Fora que 'roubar mercado' ou 'roubar idéias', nunca, por base, foi de fato uma agressão, senão segundo a leis estatais arbitrárias que servem mais a alguns e que existem aos montes no mundo, embora alguns países como a China em muitos casos os quebrem, porém em benéficio apenas do Estado e de empresas associadas.

Disputar mercado e ideias é algo fundamental para que haja livre concorrência, que advém da liberdade de comércio, e, por fim, da liberdade expressão (desde que não viole a propriedade alheia).

Portanto, reitero, não importa se não tem mecanismos legais éticos que defendam a invenção, a ética é um princípio que deve ser cumprido acima de qualquer ganho pessoal e, por outro lado, não é por não ter hoje um mecanismo voluntário que resolva de forma mais ampla essa questão, que nada assim seja possível, como poderia, por exemplo, ocorrer em contratos mais amplos de associação ou de moradia, em ordem regional, tal como ocorre com a proposta das cidades privadas e/ou com a proposta do Panarquismo.

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Discussion

primeiro, vc parecia não ter entendido porque a cerca foi erguida em primeiro lugar, como Chesterton diria. É preciso entender para discutir se deve ser reformada ou derrubada. Ela ainda funciona em muitos casos, mesmo com muitos abusos. O custo de uma patente é da ordem de $10K. Parece muito pq somos pobres. Mas se há expectativa de lucro grande e algum plano/organização pra monetiza-la, seja produzindo, licenciando, ou vendendo, não é ruim. Até, o custo ajuda a evitar patentes irrelevantes.

Seu argumento virou só ideologico... sempre afirmar 'queremos livre concorrencia'. Se a livre concorrencia retira incentivos à inventividade, um dos seus fins, então manter a livre concorrencia seria o rabo abanar o cachorro... Essa é a questão, se é preciso alguma solução coercitiva pra recompensar um Santos Dumont que não queira deixar tudo para o bem da humanidade de graça. Algumas universidades USA e UE ganham bem com patente, e universidade não é nem quer ser fábrica.

Eu argumento que PI precisa ser coercitiva. Se outros paises não cumprirem pelo menos o inventor ganha $$ na casa dele, bem melhor que nada. 'Coerção' é sempre necessária, pois sempre haverá quem QUER destruição. E quem tem o supremo poder de coerção, por definição, é o Estado, não importa se é a URSS, o Reino de Mandinga, uma tribo primitiva ou a Associação do Ancapistão do Bairro formada depois do colapso economico. São formas diferentes de estado.

Se uma confederação tribal impor pagamentos para o índio inventor, isso seria PI. "Touro Sentado inventou nova sela, mais barata e indio não cai do cavalo. Ele veio aqui, mostrou pros caciques, há varios interessados. Os anciãos decretam que cada tribo que quiser usar tem que mandar 2 cavalos pra Touro Sentado". Não importa se a confederação tribal é voluntaria ou não. A coerção pra pagar 2 cavalos não é voluntária, se impõe até as tribos que votaram contra, especialmente se o custo de uma tribo sair da confederação for aniquilação certa pelos inimigos externos. Poderia-se imaginar uma situação onde essa coerção fosse uma boa idéia, e.g., se tribos escondessem avanços de outras tribos, e indivíduos inventivos estivessem descontentes e desiludidos por não ser recompensados.

Onde se lê confederação tribal se poderia ler qq associação de ancapistões locais, que seria um estado do mesmo jeito, e um ancapistão expulso de uma aliança defensiva poderia estar tão condenado quanto uma tribo isolada na planicie perto dos Comanches..

Simplesmente "O estado faz ==> é ruim" não é argumento. tá quase 'hay governo, soy contra!'