"O propósito de se quebrar o tabu não foi empreendido para que se atingisse qualquer objetivo válido, tal como a libertação de parte da humanidade de uma óbvia opressão, mas o objetivo era receber uma reputação de ousadia moral e intelectual, por meio de um triunfo contra o preconceito e as preconcepções. Somente aqueles com um preconceito contra o preconceito poderiam supor que isso representava em si alguma forma de avanço real.

Mas não é verdade que muitos preconceitos são de fato danosos, cruéis, estúpidos e malignos? Certamente que sim. Mas, reitero, não é porque alguns preconceitos sejam danosos que podemos viver sem quaisquer preconceitos. Todas as virtudes levadas ao excesso se tornam vícios, e se tornam manifestações de orgulho espiritual; o mesmo vale para os preconceitos, inclusive os melhores, e o mesmo valerá para a tolerância. Eu não me dedico a examinar os nossos preconceitos; isso seria ridículo. Temos que ter, ao mesmo tempo, confiança e discernimento para pensarmos logicamente a respeito de nossas crenças herdadas, e a humildade para reconhecermos que o mundo não começou conosco, e tampouco terminará conosco, e que a sabedoria acumulada da humanidade é muito maior do que qualquer coisa que podemos alcançar de forma independente. A expectativa, o desejo e a pretensão de que podemos sair nus no mundo, libertos de todos os preconceitos e preconcepções, de modo que toda situação se apresente como algo completamente novo para nós, são em igual medida atitudes tolas, perigosas e nefastas."

Theodore Dalrymple

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