Uma das maiores dificuldades para estabelecer sociedades plenamente privadas é a de como estabelecer leis num parâmetro Ético para um conjunto de pessoas.

Atualmente, para que um indivíduo usufrua de direitos em uma legislação, ele deve ter diversos documentos que o apontem como cidadão de um país ou correlato, o que já o retira a privacidade e o coloca em uma esturura muito direta de controle...

Nisso, muitos imaginam os contratos privados descentralizados como solução mais direta sobre relações de propriedade, apesar de que com isso não há uma base ética legal para definir o que é propriedade privada, o que é crime e toda a base fundamental sob a qual os contratos devem ser entendidos, bem como não haveria mecanismos para conter crimes que incidam sobre o contrato.

Portanto, para haver Lei de fato deve ter um mecanismo de coerção como forma de contenção de crimes, embora que para que as leis sejam éticas deva haver mecanismos de voluntariedade.

Ou seja, poderá ser necessário reinventar a cidadania/nacionalidade de forma mais independente de lastros territoriais, de grandes quantidades de burocracia, invasão de privacidade e de dinheiro.

A questão é: Como fazer isso?

Talvez isso não seja realmente possível de se sustentar como um todo sem as pessoas estarem em um mesmo ambiente físico, como nas famosas "Free Private Cities", mas é algo que deixo em aberto e gostaria da opinião de vocês.

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Minha opinião em uma playlist: Permissionless Society

https://www.youtube.com/playlist?list=PLrsqu0pPTX7XyciY9yj0GOZXyM8d14erQ

Muito interessante. O que acha de uma "Protocol Society", ao invés de "permissionless" que acaba entrando muito mais em variáveis de estabilidade cultural e territorial?

Observe que o Nostr e o Bitcoin forçam uma forma de organização sustamente por serem protocolos mais rígidos, baseados em criptografia e altíssima verificação.

O problema que coloco anteriormente é como tornar a ética e a lei como protocolos mais rígidos, já que querendo ou não a ação humana é subjetiva e muito mais desconectada de fatores meramente digitais...

Eu acho que uma extrema criminalização da sociedade é inevitável. Tudo vai ser crime. Quem não for “criminoso” será escravo. O Estado não vai ter mais dinheiro para se sustentar justamente por causa disso. Os melhores vão fugir. Veja o Elon Musk: saiu da Califórnia e levou bilhões. Outra fizeram o mesmo. Em algum momento esse pessoal que está fugindo vai entender que vai ter que atacar, de alguma forma. Até pq vai ser inevitável que os Estados ocidentais comecem a fazer como China e Rússia que caçam os ricos hostis. Vão tentar isso no ocidente, mas não vai dar. Eu acho que a BlackRock está indo pro Bitcoin justamente para dar rugpull no sistema Fiat. Pode ser que não, mas nunca se sabe.

Também entendo que muita coisa será criminalizada, mas é justamente por isso que é extremamente importante descentralizar, anonimizar e verificar ao máximo os meios para se estabelecer em sociedade, seja o dinheiro, a comunicação e as organizações (DAOs).

O ponto é que é necessário criar uma receita para isso, para criar diferentes DAOs de governança entre principalmente uma população local e entes privados de justiça.

A forma mais simples de estabelecer uma sociedade autônoma talvez seja com um único ou poucos proprietários de uma terra independente estabelecendo leis e protocolos automátizados para que pessoas que quiserem viver lá, participem sem que uma estrutura consiga efetivamente sobrepor a outra em termos de violação de propriedade privada.

Mas infelizmente ainda não vejo como deslastrear uma estrutura de organização autônoma contra crimes, da propriedade territorial...

De qualquer forma, gostaria muito de ver uma 'terra nullius' (terra sem dono) como Bir Tawil, por ex., ser usada para produzir uma sociedade autônoma regida por protocolos de justiça, segurança e governança privada.

Porém, pode ser que para estabelecer esses protocolos melhor no ambiente físico, teriam que ser desenvolvidas IAs e robotização...

Isso não vai rolar. Meu ponto é: quem puder ser livre na Permissionless society será, quem não puder não será. Sem meio termo. Será pela força , ou pela impossibilidade de ser destruído por força, não por acordo. Tudo físico será confiscado. Todos os inimigos serão perseguidos. Com CBDC, reconhecimento facial e passaporte condicionados (não dever impostos, crédito social, etc), quem não for “criminoso” não terá meios de burlar esses controles.

No começo haverá um pouco de caos, devido ao lastro social. Porém, somos seres adaptáveis por natureza, creio que as leis iriam se ajustando sob demanda. Não vejo algo assim como uma transição rápida, já que para uma cidade/estado/país privado não sofrer risco de ataque de um nação ditatorial espancionista, teria que ser um movimento praticamente global. Estados sendo dissolvidos e ditadores e Cia caírem. Tentei resumir ao máximo minha visão aqui, é difícil mas está aí meu pensamento 👊