Caro ministro Alexandre de Moraes, esse caos iniciou-se quando os ministros da Suprema Corte deixaram a liturgia do cargo para falar nos microfones do mainstream emitindo suas opiniões pessoais e ideológicas contra determinados grupos políticos, algo impensável para ministros da Suprema Corte - que ao menos deveriam fingir imparcialidade - até mesmo para ter credibilidade em julgar os casos dos quais lhes foram designados.
O adversário político da Suprema Corte, ou seja, o povo que não pensa de acordo com a narrativa hegemônica, perdeu sua voz e foi rebaixado à categoria de inimigo da humanidade e, portanto, todos os meios são legítimos para eliminá-lo. O fato de estas serem intenções de má-formação perseguidas de forma incruenta não diminui o seu caráter puramente antidemocrático e antipopular.
Estamos diante de uma crise institucional, é assustador ver como funciona o sistema de poder judicial em nosso país, assistir a nossa história judicial e política, desperta um misto de raiva, ojeriza e desânimo. O sistema, para defini-lo brevemente, atinge e pune inimigos políticos e de casta mesmo quando são inocentes e encobre e exonera amigos mesmo quando são culpados.
O sistema se ramifica até os morros mais altos das instituições; perseguiu e massacrou um presidente da República considerado "inimigo", golpeou ministros, senadores e deputados "inimigos" que faziam o seu trabalho, bloqueou e puniu magistrados que investigavam os líderes e santuários da esquerda, com base em critérios mafiocráticos e não meritocráticos.
Pela minha formação e educação, sempre respeitei o poder judicial e o considerei o garante da justiça. Hoje considero o Judiciário em muitas de suas fileiras e órgãos dirigentes, com todas as devidas distinções, um câncer ainda pior do que a política; que pelo menos pode ser combatido, se não erradicado, com votos e denúncias. Enquanto o Judiciário é o pivô impunível do sistema e só pode ser erradicado por si mesmo ou denunciado pelos seus próprios “arrependidos”.
A única forma de evitar um contraste tão claro entre o bom senso e a corrente dominante imposta de cima é reconhecer uma base para o sentimento comum, reconhecer a cidadania para ideias diferentes, desde que sejam dignamente defendidas. Mas dignamente não significa que devam coincidir com as opiniões dominantes, mas que continuam a ser diferentes e divergentes, mas de forma séria.
Uma escuta diferente, uma abertura diferente para com aqueles que têm opiniões contrárias beneficiaria não só a sociedade, aliviaria o clima, mas também conseguiria esvaziar o potencial de raiva que depois aumenta face ao desprezo dos outros e ao pedido permanente de censura e prisões contra aqueles que discordam.
Se quiserem desmantelar as pós-verdades, deixem de lado as pré-falsidades, isto é, os falsos preconceitos pré-fabricados e unilaterais que vendem sobre questões históricas, civis, culturais e sociais. Toda crítica também inclui autocrítica. Isso se aplica a todos. O Brasil precisa ser pacificado.
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