Honestidade seletiva – Lições para iniciantes

Em uma sociedade onde a honra e a integridade são constantemente postas à prova, muitos homens buscam enobrecer-se através da identificação com uma causa. A adesão a uma causa oferece a sensação de pertencimento e propósito, sugerindo que, ao se alinhar com um ideal maior, eles elevam sua posição moral e social. Porém a verdadeira nobreza não reside na causa em si, mas nas ações e valores dos indivíduos que a defendem.

A nobreza de um homem não se encontra apenas na adesão a uma ideia ou movimento, mas se manifesta principalmente em suas ações cotidianas e em seu compromisso inabalável com a verdade. Ao reconhecer e honrar a verdade, esses indivíduos direcionam seus esforços não apenas para a defesa de uma causa, mas para o cultivo contínuo de uma nobreza pessoal que transcende as circunstâncias externas. Esse compromisso com a verdade frequentemente se vê comprometido em um cenário político onde a manipulação e a distorção da realidade se tornam ferramentas comuns.

Um exemplo clássico desse dilema ético é a afirmação "mentir em favor da verdade". Essa ideia revela uma tensão moral profunda que permeia muitas estratégias políticas. Na prática essa manipulação da verdade em nome de um suposto bem maior é evidente em políticas táticas específicas, como as notórias regras leninistas: "fomentar a corrupção e denunciá-la" e "acuse-os do que você faz, xingue-os do que você é". Essas regras expõem a dimensão maquiavélica da prática política, mas também sugerem uma utilização estratégica da corrupção e da denúncia como ferramentas de controle e dominação.

A regra "fomentar a corrupção e denunciá-la" exemplifica um jogo duplo onde a corrupção é deliberadamente incentivada para, posteriormente, ser utilizada como um instrumento de deslegitimação dos oponentes. Já a máxima "acuse-os do que você faz, xingue-os do que você é" reflete uma estratégia de difamação e desvio de atenção, onde as críticas são distorcidas por meio de projeções e acusações infundadas. Essas abordagens não apenas distorcem a verdade, mas também criam um ambiente político em que a honestidade e a transparência são sacrificadas em prol de objetivos ideológicos.

Uma tática ainda mais sutil é a chamada "guerra assimétrica". Trata-se de um conceito intrigante de manipulação psicológica e táticas políticas que visa transformar derrotas em vitórias políticas, concedendo a um dos lados o direito incondicional de cometer crimes sob pretextos aparentemente nobres. A essência dessa estratégia reside na habilidade de manipular a percepção pública, convertendo ações que, em um contexto objetivo, seriam consideradas inaceitáveis, em supostos atos heroicos ou necessários para o bem maior.

Essa abordagem frequentemente se baseia em uma retórica envolvente, repleta de justificativas edificantes que buscam legitimar os atos controversos do grupo favorecido. Ao desarmar oponentes por meio de cobranças morais paralisantes, a "guerra assimétrica" não apenas neutraliza a resistência, mas também mina a capacidade de crítica e reação do lado desfavorecido. Esse processo é facilitado pela criação de um clima de condenação moral que inibe a contestação, levando a uma percepção em que qualquer oposição é vista como imoral ou inaceitável.

A eficácia dessa estratégia depende da manipulação sutil da narrativa, do controle da informação e da construção de uma imagem que se alinha aos interesses do grupo que a emprega. No campo político a "guerra assimétrica" não é apenas uma batalha de ideias, mas também uma disputa na arena da percepção pública e da psicologia coletiva. Nesse jogo onde as risadas cínicas abafam os discursos nobres, a ilusão se torna o truque mais refinado.

A nobreza verdadeira não é conquistada por mera adesão a causas populares ou movimentos ideológicos, mas pelo comprometimento inabalável com a verdade e a integridade pessoal.

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