1. A "manutenção do poder" de quem?

De governante chefe de Estado sobre os governados, uma população, independente da vontade dela. Isso é uma forma de escravidão e na visão política dele de "independência do regime", um absolutismo.

2. Pouco importa o que Maquiavel, Aristóteles e outros filósofos pensavam. A figura deles não afirma a validade dos argumentos deles... A validade vem da verificação do próprio argumento, seja pela lógica à priori ou pela lógica a postesteriori.

4. Ninguém governa ninguém de forma Ética, mas por escravidão. Um governo legítimo é sempre exercido do indivíduo para consigo mesmo e suas propriedades, e não outras pessoas, pessoas não são propriedades, pois por pela natureza da ação humana exercem autonomia direta sobre si mesmas.

5. Liderança ≠ governo. Liderança é um acordo entre a parte que gerencia e a parte que aceita ser gerenciada (como entre professor e aluno), já governar pessoas implica no controle direto, sem consentimento, portanto há por definição o crime de escravidão e não liberdade, ainda que se delibere condições mais brandas que modelos de escravidão diretos...

6. Há governanças volutarias, aquelas que não são de pessoas sobre outras, mas sim de acordos sobre propriedades. Alguns dos países que mais se aproximaram desse modelo foram Couto Misto e Cospaia.

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Interessante sua análise. Sobre o ponto 1, Maquiavel falava da manutenção do poder pelo governante, sim, mas sua preocupação era com a estabilidade, seja em um regime absolutista ou republicano. Ele focava em como o governante poderia preservar seu poder, mesmo que o regime não fosse absolutista, por isso sua análise é mais pragmática do que ideológica. Quanto ao ponto 2, concordo que a validade de um argumento depende de sua lógica e não da autoridade de quem o propõe. Porém, ao trazer filósofos como Maquiavel ou Aristóteles, a intenção é apresentar pontos de reflexão que servem para enriquecer o debate, não para fechar a questão. No ponto 4, a discussão sobre governo e escravidão é interessante. Podemos pensar que nem toda forma de governo implica em escravidão, se houver consentimento. Mesmo que alguém exerça autonomia sobre si, ao viver em sociedade, existem acordos e estruturas que podem não ser perfeitas, mas que não necessariamente implicam escravidão. Sobre liderança e governo, entendo seu ponto, mas acredito que, em uma sociedade onde as pessoas escolhem participar de um pacto social, a liderança e o governo podem coexistir. As relações voluntárias, como você citou, são interessantes modelos, mas raras em larga escala. Couto Misto e Cospaia são bons exemplos históricos, mas ainda que houvesse ausência de governo formal, a questão de acordos e gestão de conflitos ainda exigia algum tipo de estrutura que, mesmo mínima, era necessária.

O ponto que expus que faz a distinção entre: liberdade x escravidão, voluntariedade x coerção, soberania/poder individual x soberania/poder centralizado (monopólio), foi o conscentimento e é ele que difere uma relação acordo de uma relação de agressão...

Portanto, se um governo de Estado é aquele que governa sobre um povo, ou seja, controla seus atos e se obtém do seu dinheiro, mas sem consentimento, isso é tanto um crime, como análogo a escravidão. A própria definição de imposto, por exemplo se encaixa perfeitamente no crime de extorsão: Subtrair bem alheio (dinheiro) sob ameaça (multa, expropriação, prisão) ou violência (violência policial na resistência a prisão).

O governo de Estado difere totalmente de uma governança voluntaria/consentida, que ocorreu no caso de Couto Misto e em Cospaia, onde não havia impostos, regulações de comercio, nem autoridade política, somente autoridades jurídicas. Assim, ambos os países não se tratam do governo tratado por Maquiavel, ele não trata de Ética, mas do puro domínio e do medo como meios para a estabilidade de poder do líder absolutista sobre a população, afim de proteger seus próprios interresses.

Não é atoa que "maquiavélico" é um adjetivo que se refere a alguém que é astuto, manipulador e egoísta, sem escrúpulos morais.