É incrível a visão do Peter Thiel em 1999.

Uma coisa que ele falhou, é que a stablecoins são rastreáveis e são centralizadas. Os países vão explorar esses pontos de falha.

Imaginemos que as stablecoins dominam o Brasil, o governo vai fazer um contra-ataque, criminalizado a sua posse.

Como as stablecoins são rastreáveis, as políticas poderão identificar os endereços de pessoas e empresas, depois basta um telefonema para Tether, para os congelar, será em larga escala.

Se a Tether não o fizer, o governo do Brasil vai pressionar o governo dos EUA, vai ferar um conflito diplomático. Mais tarde ao mais cedo, a Tether terá que congelar.

Reply to this note

Please Login to reply.

Discussion

Eu sinceramente acho que os EUA não vão dar a mínima para os outros países. O argumento dos EUA provavelmente será algo no sentido de não precisar ter medo do dólar se a moeda dos outros países for estável.

No caso do Brasil, eu acho que se o próprio governo disser que o Real é uma bosta, mesmo assim as pessoas não trocam os Reais por dólar ou Bitcoin, haha.

Se o país for muito pequeno, sem poder económico, ou então Cuba, Venezuela, Coreia do Norte, Irão, os EUA vão ignorar os pedidos para confiscos na Tether.

Estamos a falar em cenários onde os governos estão deseperados porque estão a perder a soberania monetária, mas ainda estamos muito longe disso.

Como no caso do Brasil, a impressão de dinheiro é essencial para a solvência do governo. O fim da moeda própria, será o fim desse sistema. No desespero, o governo brasileiro pode tomar medidas drásticas, pressionando o governo dos EUA. Como criar tarifas alfandegárias, ou então multar ou nacionalizar empresas em solo brasileiro que pertencem a cidadãos ou empresas dos EUA. Existem muitas medidas para precionar.

Normalmente quando um governo quer, consegue. Um bom exemplo, foi o conflito entre Governo do Brasil e o Musk/Twitter. Em grande parte, o Musk teve que ceder, Brasil é um país com um mercado muito grande, tem impacto no lucros das empresas dos EUA. Agora os países mais pequenos não tem essa sorte.

Sim, mas nesse caso, os EUA tem muito mais poder de retaliar o Brasil do que o contrário. Um país como o Brasil retaliar os EUA só tem a perder, pois os EUA tem muito mais poder. Existem poucos países que podem bater de frente com os EUA. Os EUA na verdade, não depende de ninguém.

Sim, os EUA tem mais poder, mas o Brasil está desesparedo, não tem nada a perder, a crise já está muito grande.

Só que retaliações, de ambos lados, um ataca e o outro contra-ataca e assim sucessivamente, isto são políticos soma zero, ninguém beneficia, todos perdem, sobre tudo as empresas.

Vai chegar ao ponto, que as perdas para as empresas dos EUA, serão muito superiores ao benefícios da Tether em território brasileiro.

O Governo vai chegar à conclusão, que o melhor para ambos, é a Tether cumprir as ordens dos governo do Brasil.

O Brasil não tá esse fim de mundo como as pessoas pregam. O Brasil está como sempre foi, um país que não desanda de vez e nem prospera, fica sempre na mediocridade.

Brasil nunca iria para o vale tudo, seria loucura. O que o Brasil sempre foi bom é em impor regulações que dificultem a liberdade financeira e o povo sempre aceitou isso sem problemas.

O que o Brasil faria é regular o máximo possível e proibir outras moedas no mercado regulado, além de criar um big brother financeiro. Fazendo isso, já é suficiente para manter a soberania monetária. Veja que o Brasil já permite ter contas em dólar e isso não mudou nada. O que o Brasil não quer é que as pessoas negociem diretamente em dólar ou tenha rendimento em dólar sem pagar impostos. Ele aceita você ter dólar mas quando for usar, converta para Reais. Dólar na prática funciona sendo como uma ação de uma empresa por exemplo.

Por esse motivo que eles desejam proibir a autocustódia de stablecoins, para as pessoas não negociarem diretamente em dólar. Ao criminalizar a autocustódia de stablecoins, as stablecoins ficariam restritas somente ao mercado não regulado, que é bem pequeno em uma economia formalizada. Teria a mesma função que o papel moeda tem hoje em dia.

Para o governo manter o controle das coisas, antes de tudo, o mais importante é ter um mercado de trabalho formalizado. Isso é o que importa para ter controle sobre a população.

Claro que os governos querem limitar a auto-custódia, são medidas preventivas.

Por isso que eu digo, aquilo são cenários quase apocalípticos, o Brasil está muito longe desse cenário. Eu estou a falar num cenário como o Brasil teve, no final da década de 80 e início de 90, uma alta inflação ou mesmo hiperinflação.

Na altura não existia alternativas, o dólar era físico e não era tão acessível.

Se este cenário repeti-se, eu acredito que os brasileiros, mesmo o cidadão comum iriam adotar as stablecoins e algum bitcoin.

Na década de 90, no momento de desespero, o governo fez o plano Collar. Hoje, antes do confisco, o governo vai retaliar em quem usa e quem as cria as stablecoins.

Eu não consigo ver o Real desvalorizar de forma muito grande como ocorria no passado. Vai desvalorizar, mas de uma forma que a população não entre em desespero. Governos aprenderam muito com as experiências passadas e inclusive criaram mecanismos para não deixar as coisas desandarem completamente. Nós seremos roubados de uma forma para não permitir enriquecermos, mas que não cause desespero no curto prazo.

A única forma da população sair disso, seria a população entender todo esse processo e decidir não participar, mas seria equivalente a toda uma população decidir não declarar o imposto de renda, nunca conseguiríamos isso pois exigiria um consenso e a maioria declararia por medo de represálias.

O intuito dos EUA é manter a hegemonia do Dólar, e se esse é o intuito, não faz sentido acordo com outros países.

Na minha opinião, a única forma dos países se protegerem disso, é tendo uma moeda mais forte e confiável do que o dólar, ou controlando todos os aspectos da vida dos cidadãos, não permitindo contratos e negociações em nenhuma outra moeda. Uma economia totalmente formalizada e um big brother financeiro total.

Sim, a única maneira é ter moeda mais forte, menos inflacionárias. Só que isso é muito difícil, porque na maioria dos países, o aumento da base monetária é a principal fonte de financiamento.

Em muito caso, sobretudo em África, onde a recolha de impostos é muito baixa, os governos financiam-se quase em exclusividade do aumento da base monetária.

Sim, por isso esses países vão tentar formalizar o máximo o mercado de trabalho, para manter o controle sobre os aspectos financeiros da população e dessa forma forçarem a população a usar a moeda nacional. E o dólar ficaria sendo somente uma moeda para o mercado informal e "ilegal".

"Como criar tarifas alfandegárias, ou então multar ou nacionalizar empresas em solo brasileiro que pertencem a cidadãos ou empresas dos EUA. Existem muitas medidas para pressionar."

Se o Brasil faz uma coisa dessas, teria tantas implicações negativas, a elite brasileira perderia tanto dinheiro, que fariam um impeachment do governo que ousasse fazer isso na mesma hora.