A Ostentação Da Alma Brasileira
Um problema que entope as artérias morais da alma do brasileiro é a necessidade diabolicamente patológica em querer parecer algo que não é; fazendo pouquíssimo ou nenhum esforço correto para fazer o parecer ser se tornar em ser, proporcionando que a transição do pior para o melhor vire realidade e, o mais terrível, ainda se contentando com esta farsa pelo resto da vida.
Um extrato comum da alma do brasileiro é estar duro fingindo-se abonado; é se ferrar e simular que não liga; é perder e fingir que ganhou; é diminuir seus inimigos por palavras já que por atos sabe que é incapaz de fazer; é estar se sentindo um lixo mas postar: "Amo minha vida! Felicidade, vem sua linda!"; é transpirar hipocrisia para projetar uma imagem falsa aos outros — e atolada por camadas de farsas e fingimentos — para, deste sortilégio, ter aprovação de um monte de covardes ou canalhas que fazem exatamente o mesmo que ele.
O fundamento que impera no parque de aflições da alma brasileira é viver num carrossel de fraude social repetitivo, em que cada um se vale de fingir aos outros que é algo melhor ou que está bem para poder suportar sua miséria existencial — miséria que tem a consistência de uma bolha de sabão, grande e colorida, mas feita por detergente barato e cheia de peido dentro.
Nunca um estilo musical como o "funk ostentação" capturou e sintetizou tão bem simbolicamente esta banda podre e vergonhosa da alma brasileira que nos deprime, nos engana, nos vicia e nos escraviza, com cada vez mais grilhões e mais grossos, a este teatro macabro.
C. S. X.