"Qual a finalidade do falar? Comunicar alguma coisa, não é verdade? Se assim não fosse, não precisaríamos falar. Pois bem. Que é que estou tentando comunicar-vos? Estou procurando comunicar-vos o fato de que uma certa maneira de pensar geralmente aceita é ilusória e inteiramente destituída de base. Mas, para comunicarmos uma coisa, precisamos de um ouvinte, uma pessoa que diga: "estou realmente a escutar-vos". Vós, senhor, estais-me escutando? E que entendeis por "escutar"?

Não é minha intenção embaraçar-vos. Escutais de fato qualquer coisa, ou apenas escutais parcialmente?

Se à vossa mente ainda interessa o "como", não estais escutando. Só se pode escutar, quando se dá atenção completa, e não estais dando atenção completa quando pensais que deve haver um método, porque vossa mente não está então livre para considerar o que se está dizendo. Só há atenção completa quando dizemos: "Ele pode não ter razão, pode estar dizendo tolices, mas, pelo menos, quero descobrir o que é que ele está tentando transmitir-me". Estais fazendo isso? Isso, em si, é muito difícil, não achais?

Porque dar atenção completa significa conhecer o amor, é sentir totalmente a disposição de descobrir o que outro está dizendo, sem aceitação ou rejeição - o que não significa que me vou tornar uma autoridade para vós."

Krishnamurti

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você está escutando? consegue perceber o que está na frente daquilo que o outro diz? consegue perceber os seus pensamentos que tentam chegar em algum lugar, dar uma resposta, ou pelo menos encaixar as palavras do outro em lugares conhecidos? consegue perceber a distância entre você e o outro? consegue perceber que não está realmente escutando, mas apenas tentando se manter seguro com suas crenças? se você vê isso tudo verdadeiramente, à sua frente se abre a experiência inédita, aberta para a criação do inesperado.

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