Nunca houve europeização do futebol brasileiro e nunca haverá, isso é uma lenda que os técnicos dinossauros daqui inventaram como justificativa para continuarem trabalhando em clubes da primeira divisão mesmo com histórico ruim de trabalhos. A cultura de técnicos gringos sempre houve no Brasil, vieram cá Bella Guttman, Fleitas Solich, Ondino Viera, Flipo Núñez, Jim Lopes (que criou a base vencedora do Santos do Lula, Pelé, Coutinho e companhia), José Poy, Ramón Platero na época do futebol amador, etc e etc., todos técnicos de sucesso que conquistaram campeonatos importantes para os clubes em que trabalharam.

Essa cultura desapareceu a medida que a imprensa nacional (do eixo Rio-SP) passou a supervalorizar os técnicos nacionais na década de 1990, tendo em vista os sucessos de Telê Santana, Parreira, retorno de Zagallo, a tentativa de pintar Lazzaroni e Falcão como excelentes técnicos, ascensão de Felipão e Vanderlei Luxemburgo, então não caia nessa mentira de que nosso futebol é europeizado, nem o futebol "europeu" é europeizado, no YakiHonne eu tenho um texto (que também pode ser lido no Habla News) explicando que o que chamamos de futebol "europeu" na prática é futebol global.

Quando há defesa de técnicos estrangeiros no Brasil há defesa de reinserção do Brasil no futebol global de seleções, e há muito tempo não está, e nem mesmo pratica futebol para estar, enquanto em exemplo, os argentinos e equatorianos, estão, e estão por via de seus técnicos, que apesar de serem sulamericanos (Lionel Scaloni e Sebastián Beccacece, dois argentinos) possuem cursos da UEFA — UEFA essa que transformou a Europa no centro do futebol global, futebol europeu mesmo é aquele de Europa League e Conference League.

Essas coisas de "jogo posicional", "jogo de posse de bola", "perde e pressiona", e afins, já existiam no Brasil antes mesmo de técnicos europeus adotarem, antes de Guardiola se aposentar dos gramados e começar a estudar para ser técnico o Parreira já aplicava o jogo posicional, há uma inversão muito grande de lógica por parte desse argumento de que o Brasil passou a copiar o futebol estrangeiro, não se sustenta, pois as teorias sobre as táticas do futebol são universais, circulam de lugar pra lugar mesmo, futebol não é confronto de universos isolados no qual todos disputam qual tem as melhores ideias, isso é besterol da mídia e de profissionais desesperados. Mesmo a Europa bebeu daquilo que o Brasil inovou a despeito de avanços táticos, principalmente na década de 1970.

A decadência do futebol brasileiro tem nome e sobrenome: Rede Globo e CBF. A cultura de criar "lendas" artificialescas do esporte, de tratar o Brasil como favorito em qualquer competição somente por ser o Brasil, de deificar qualquer jogador mediano somente por ter virado companheiro de trabalho como comentarista na emissora e de supervalorizar em excesso trabalhos de técnicos nacionais, mais a cultura de amizades entre jornalistas e treinadores, é o que matou o futebol brasileiro, e nisso soma-se as políticas obscuras da CBF, que a Globo mesmo não releva — até protege.

Nossos técnicos são ultrapassados, possuem uma soberba enorme, e os novos treinadores brasileiros são limitados por decorrência de cursos pífios da CBF, nos quais inserem Jair Ventura como professor de táticas ofensivistas do futebol, não estou zoando, se você procurar por imagens "Jair Ventura, CBF, curso, futebol ofensivo" tu encontras foto dele dando aula sobre futebol ofensivo, Jair Ventura bicho...

Agora, se quiser que eu te convença a ver que a melhor opção para o Brasil quanto ao mercado de técnicos vem de fora e não de dentro do Brasil eu conseguirei rapidamente, veja o exemplo da Argentina, a AFA melhorou os cursos deles e incentivou intercâmbio de técnicos argentinos para trabalho na Espanha e obtenção de cursos da UEFA, hoje a Argentina tem o melhor quadro de técnicos no continente, mesmo Juan Pablo Vojvoda, do Fortaleza, seria um bom nome para nossa seleção, se o Brasil fizesse o mesmo quiçá hoje estariamos melhores, ao ver que não temos opção boa para atuar como técnico de nossa seleção sobra somente estrangeiros, apenas.

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