A narrativa do golpe que nunca existiu
Desde novembro de 2024, a PF tenta empurrar a história de que Bolsonaro já tramava um golpe desde 2019. O relatório tem 884 páginas, levou 17 meses pra ser montado e virou quase uma fanfic institucional. Pegaram casos diferentes, juntaram tudo na base da imaginação e ainda usaram uma teoria de guerra informacional da CIA pra dar verniz de ciência.
A base dessa invenção é o tal do firehosing, uma técnica onde se espalha mentira sem parar até o povo ficar confuso e aceitar como verdade. Segundo a PF, Bolsonaro usou isso pra atacar o sistema eleitoral. O problema? Essa teoria saiu de uma militante de esquerda, apelidada de Bruxa da Vaza Toga, e de um instituto bancado pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos. A PF pegou isso como verdade absoluta e usou pra sustentar toda a narrativa.
E aí vem a parte mais absurda: dizem que em 2019 Bolsonaro já estava se preparando pra perder em 2022. Tipo, o cara teria uma bola de cristal pra prever que ia perder. Com isso, querem justificar todos os inquéritos ilegais que vieram depois e reforçar o poder absoluto do STF.
Agora olha a hipocrisia. O voto impresso que virou símbolo de golpe já foi defendido por Lula, Fernando Henrique, Ciro, Flávio Dino, Renan, Randolfe, Barroso, entre outros. Mas bastou Bolsonaro assumir a pauta pra ela virar crime. Aí começou a censura pesada: derrubaram contas, investigaram hashtags, fizeram o diabo.
Os especialistas que criticavam as urnas sumiram. Diego Aranha, mestre em segurança digital, largou o país depois de ser ignorado. Silvio Meira, que falava mal das urnas desde 2008, do nada virou defensor do sistema e nunca mais tocou no assunto. Criticar a urna virou tabu. Se você fala nisso, é bolsonarista por associação e perde o direito ao debate.
Enquanto isso, a PF tratou questionamento legítimo como conspiração. E fez o seguinte teatro: o inquérito ilegal justifica a acusação, e a acusação justifica o inquérito. Um ciclo de abuso com carimbo de legalidade.
Tudo isso pra esconder que a pauta era só mais transparência. O nome disso não é golpe. É debate democrático. Mas no Brasil de hoje, questionar o sistema virou heresia. Pergunta pro Marcos Cintra, que nem é aliado do Bolsonaro e mesmo assim foi censurado só por levantar dúvida sobre os números.
Hoje, democracia virou dogma. E o STF virou seu dono.
