Tem um livro muito bom do Malcolm Gladwell chamado "Outliers". Se você ainda não leu, recomendo que leia.
Ele tem dois capítulos onde ele compara a vida de dois gênios. Um deles foi o Chris Langan, que ficou famoso por participar de programs de auditórios estilo "quem quer ser um milionário". O Langam foi criado numa família do interior que não entendia que ele era superdotado, na escola ele se distanciava dos professores e dos colegas que considerava inferiores. Conseguiu uma bolsa para universidade, mas teve de abandonar porque a mãe dele se esqueceu de mandar a ficha de inscrição a tempo. Ele não sabia que poderia recorrer da decisão, por isso não recorreu. No final, sem um diploma e sem uma fonte de renda estável, ele viveu de premios que ganhava em programas de televisão. O cara tinha um dos maiores QIs dos estados unidos.
O outro gênio nasceu em uma família com tradição acadêmica que entendia o que era ser um gênio, foi ensinado desde cedo a navegar pelas instituições, tanto de ensino como políticas. Estudou em escolas especiais até entrar na universidade, onde também teve tratamento especial por ser um gênio. Conseguiu bolsas atrás de bolsas. Até se tornar um dos cientistas mais famosos que os estados unidos já teve, com um filme sobre ele sendo feito ano passo. Foi o Oppenheimer.
A diferença entre esses dois gênios fica bem clara: Um deles teve apoio de pessoas que entendiam que ele era um gênio, o outro tentou levar a vida de forma isolada, desprezando o que os outros tinham pra ensinar.
Ser autodidata tem seus méritos, eu mesmo fui autodidata na maior parte da minha vida. Não deixe de ser autodidata nunca. Mas o ser humano vive em sociedade. Desprezar o que a sociedade tem pra te oferecer, principalmente se a sociedade está PREPARADA pra te oferecer o que ela tem de melhor (como foi o caso do Oppenheimer) é caminho certo para o fracasso.
Pior ainda é recomendar que uma criança de 11 anos não aceite o apoio disponível para ela, sem nem ao menos conhecer a situação. Isso é uma irresponsabilidade tremenda, especialmente quando o argumento mais inteligente que você consegue produzir é "você tirou essa 'opinião' de uma apostila escolar".